domingo, 22 de novembro de 2020

Reurbanizando favelas

 

Todas as favelas que passam por um processo de reurbanização são beneficiadas pela implantação de serviços de infraestrutura, saneamento básico e sistema viário. Parques lineares são construídos ao longo de córregos tratados. A melhoria na qualidade de vida e o resgate de dignidade humana dos moradores dessas comunidades é viável e nós temos uma proposta.

Ruy César Miranda Reis, 63 anos, secretario especial para a copa do mundo em 2014 e para os jogos Olímpicos de 2016 esperava 2 milhões de turistas e propôs investimento na ordem de 11,1 bilhões de dólares para preparação dos jogos.

O então bilionário Eike Batista foi um dos responsáveis pela conquista do Rio de Janeiro, havia feito da candidatura do Rio de Janeiro sua contenda pessoal de modo que o Brasil fosse o campeão de desenvolvimento em infra-estrutura. O grupo EBX Brasil AS fez uma doação de 323 milhões de reais para a campanha do Rio – quase um quarto dos 102 milhões de reais investidos pelo comitê Olímpico Brasileiro investiu na competição junto a quatro outros doadores da campanha.

Com verbas como essas, poderíamos ter feito o plano de readaptação sustentável de favelas, construídas com materiais recicláveis, em proposta arquitetônica inovadora sugerida a seguir ( essa ideia foi tida quando a cidade do Rio de Janeiro foi eleita para receber os jogos olímpicos de 2016 no ano de 2010, tornando-se a primeira cidade da America do Sul a sediar o evento - trata-se apenas de propostas simples a serem observadas como 'potencial de mudanças', sem qualquer viés de estigmatização ou presunção).


Tendo em vista que muitas casas são construções antigas, com problemas de inflltração, falta de luz e esgoto, o morador não vê beleza e nem prazer em morar em tais condições, mesmo tendo umas das melhores vistas da capital carioca. Os desempregados poderiam se transformar em empreendedores sociais, criando módulos residenciais de hospedagem. Redesenhar para organizar, criar e administrar uma empreitada com o propósito de promover uma mudança cultural é o lema. 


 Rio de Janeiro não é muito diferente da municipalidade de Valparaíso no Chile. Podemos traçar um paralelo entre Valparaíso e o Rio de Janeiro com sua arquitetura urbana improvisada (favelas são tidas como Arquiteturas Urbanas Expontânea) cobrindo as montanhas e circundado o mar. A grande diferença é que os valparaisenses são conscientes do potencial na região, que conquistou o status de Patrimônio Cultural da Unesco com seu design urbano improvisado e arquitetura única. 

Com uma vista maravilhosa do Pacifico Valparaíso foi apelidada de “A Jóia do Pacifico”. Em 1996 World Monuments Fund (Fundo dos Monumentos Mundiais) declarou o atípico sistema de funiculares um dos 100 mais ameaçados tesouros históricos. Valparaíso também experimentou um muito bem sucedido plano piloto para prevenção de criminalidade. A municipalidade de Valparaíso promove a segurança e a boa conivência no centro histórico usando o conceito de vigilância participativa. Desta forma, turistas poderiam andar pelas ruas de forma segura. 

Ter orgulho do Rio de Janeiro pode ser difícil para aqueles que vivem na pobreza, cercados pela violência e numa das piores condições sociais do planeta. Uma vez vencida esta situação, temos um outro problema a resolver – não temos tempo e dinheiro para fazer isso. Talvez os Catadores de Lixo e a Tetra Pack possam ajudar A maior multinacional de processamento de alimentos e embalagens é uma empresa sueca fundada em 1951 na cidade de Lund, por Ruben Rausing. 

'Plug-ins' de água, luz e esgoto em postes instalados em lugares estratégicos, podem ser admnistrados por prefeituras ou administrados por parcerias publico privadas.

Tetra Pack também é a líder em reciclagem de seu próprio lixo. A unidade de Campinas recicla embalagens tetraédricas e o sub-produto resultante tem ampla aplicação na industria da construção. A embalagem feita basicamente de plástico e alumínio é reciclada através de um processo de secagem e moagem em uma maquina chamada “hidrapulper”, um tipo de batedeira gigante, e ai então extrusão e injeção em moldes. O resultado final é um material que pode ser usado para a produção de partes plásticas para pás, vassouras, coletores entre outros. Porem, o processo mais interessante é aquele que mói o plástico e o alumínio juntos e prensa tudo a temperaturas elevadas, transformando o material em uma placa similar ao compensado de madeira que pode ser usada como na manufatura de divisórias, moveis, artigos decorativos e telhas.


 A placa pode ser moldada em muitas formas diferentes e a expressiva relação custo-benefício pode ficar ainda melhor se contar com os patrocinadores. Fabricantes de tintas como a Suvinil poderiam estar no melhor lugar para serem vistas, fazendo com que as favelas sejam um belo lugar para se olhar. 


domingo, 16 de agosto de 2020

Decisões vs Repercussões - Será que conseguimos curar o mundo do coronavirus sem deixar o planeta ainda mais doente?

Decisões vs Repercussões - Será que conseguimos curar o coronavirus sem deixar o planeta ainda mais doente?
Tente se lembrar de como você aprendeu a jogar xadrez, se você fez como eu fiz, começou criando estratégias particulares para tentar tomar o rei do adversário, bem como proteger suas peças durante o jogo. Pode até ser que esse aprendiz faça um ou outro movimento brilhante, mas a grande maioria deles refletirão sua inexperiência em movimentos ruins e inconsequentes.

read this article in English

Neste momento, estamos diante de uma crise sem precedentes que exige um modelo de tomada de decisões sem precedentes, assim como o aprendiz de xadrez acima, o mundo inteiro tenta se proteger da contaminação do coronavírus até que se encontre uma cura e/ou vacina, uma das melhores formas de fazer isso é usar máscaras ou outro EPI (equipamento de proteção individual) de plástico. No que diz respeito às máscaras, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, houve um aumento na produção e nas vendas até o momento, que chega a espantosos 20.000%.

É curioso que, diante de um problema sério e sem precedentes, pareçamos negligenciar as repercussões de uma decisão. A solução encontrada no momento parece ser o melhor curso de ação, mas depois mostra-se fraca, com apenas um passo de alcance repercussivo, com consequências mal ou totalmente antecipadas e no final, nos dá pouca ou nenhuma margem para correções de efeitos colaterais.

Por que isso acontece?

O cérebro humano processa 11 milhões de bits de informações sensoriais a cada segundo, mas apenas 40 a 120 delas sobem à mente consciente para serem avaliados e racionalizadas. Nosso cérebro opera com uma quantidade limitada de energia, como qualquer outra entidade na natureza, adotando o curso de ação mais rápido e eficiente, programamos em nossas mentes a antecipação de acontecimentos, a fim de estarmos preparados para eles.

Quando crianças e saíamos de casa, nossas mães falavam: "Leva o agasalho!", mesmo sabendo que eu vivia em um país tropical eu ouvia muito isso. Esse tipo de advertência pode vir da repercussão de várias gerações de mães anteriores à minha, que possivelmente perderam seus filhos inadvertidamente para a hipotermia.

Isso tem suas vantagens, imagine entrar em uma selva e ser forçado a avaliar cada fóton de luz recebido, tentando discernir se existe perigo por trás de cada uma das 20.500 folhas da árvore ao redor como rãs ou insetos venenosos, sem falar em cobras, grandes felinos e outros predadores. Levaria dias antes de darmos nosso primeiro passo e seriamos facilmente devorados por eles.

Quando entramos na tal floresta, nossas mentes optam por avaliar os riscos que podem realmente nos prejudicar, resultantes de informações que podem ter vindo de relatos de sobreviventes ou aprendizagem pessoal de visitas anteriores a essa floresta, reduzindo as dezenas de milhares de avaliações de perigo pertinentes para apenas as 20 mais perigosas deles - como abelhas, cobras e onças (você pode até ser atingido por um meteorito em uma floresta, mas as chances de isso acontecer são tão baixas que não faz parte do 'plano de prevenção de risco mental projetado para essa floresta específica ').

Isso pode ter nos ajudado muito nos tempos pré-históricos, mas com o grande volume de decisões que o mundo moderno nos expõe, essa primitiva tomada de decisão tem se mostrado insuficiente.
Numa escala de 01 à infinito, podemos medir o quanto uma decisão tomada pode repercutir no futuro, onde nível 01, é totalmente inconsequente, gerando toda sorte de acontecimentos indesejados, aumentando exponencialmente para nível 10, uma decisão com certo grau de ponderação, sem grandes efeitos colaterais futuros e uma racionalização determinista (hipotética) na qual todas as contingências foram antecipadas, restando somente efeitos bem desenhados e prosperos, precisamente calculados.

Foram necessários 4,5 bilhões para o homem se destacar dos demais seres vivos graças às recém-adquiridas habilidades lingüísticas, racionais e de planejamento, para ter o papel de protagonista no planeta, porém, ainda nos comportamos como o aprendiz de xadrez citado acima, ainda cometemos erros ingênuos e atrapalhados, que se não forem bem observados, pode levar a sérias repercussões no equilíbrio da vida na Terra.

Às vezes uma ou outra pessoa com percepção acima da média antecipa um ou mais graus de repercussões na tomada de decisão, o que pode nos afastar do cenário de total inconseqüência avançando para sonhado estagio de determinismo integral, (situação hipotética em que todas as contingências são antecipadas, criando perfeitas tomadas de decisão). Infelizmente, nem sempre, essas pessoas estão no circuito oficial dos tomadores de decisão, ou quando estão, não são fortes o suficiente para serem ouvidos, revelando-nos um outro defeito do ser humano que é muito prejudicial na tomada de decisões, as dificuldades psicológicas de lidar com os sentimentos como ego, medo, insegurança no trabalho e arrogância.

Como devemos tomar nossas próximas decisões?

É evidente que já temos algumas ferramentas que nos ajudam a tomar decisões frente a situações complexas e inusitadas. No caso da administração pública, por exemplo, escolhemos o expediente de adotar partidos políticos e criar antecipações de direita, esquerda e centro - isso ajudou muito os políticos de direita identificarem riscos para a hierarquia social, família e a pátria, enquanto os políticos de esquerda a reagem mais eficazmente aos riscos e violações dos direitos dos desfavorecidos na sociedade.

Esse modelo pode ter funcionado no passado, mas como no aforismo do elefante na sala, tomar decisões considerando parte do todo como verdadeira é retrógrado e muito simplista. Precisamos de um modelo mais amplo, democrático e menos auto-serviente do que o atual.

Se combinarmos várias ciências aprendidas até o momento destinadas a um propósito definido, digamos ... administração pública, talvez possamos criar um sistema de avaliação e tomada de decisão mais consistente com o mundo atual:

- Podemos usar as redes sociais e APPs para incluir uma vasta gama de especialistas, com o propósito formular soluções possíveis, abrangendo múltiplos pontos de vista, de especialistas de vários setores, com opiniões de pessoas qualificadas, criando um 'ambiente de ampla participação - wiki', aumentando estatisticamente o número e a qualidade de soluções finais possíveis;

- Sistemas de inteligência artificial combinados com um banco de dados histórico de tomadas de decisão anteriores, somados às múltiplas soluções obtidas na proposição acima, poderiam testar alternativas em milissegundos e nos dar resultados de eventos em vários níveis, antecipando não apenas dois ou três, mas múltiplos previsões de repercussões;

- Os psicólogos poderiam avaliar e monitorar os tomadores de decisão final, criando um painel mais abrangente e menos contaminado com o vies do gosto pessoal, para que tomem decisões que efetivamente melhorem a comunidade;

Se agirmos rapidamente, e usarmos um pouco mais de nossas capacidades civilizatórias, ainda podemos ter tempo para encontrar uma solução plausível para o desequilíbrio causado pelos resíduos plásticos no planeta, curar a humanidade do coronavírus e ainda gerar um inesperado benefício extra para a vida na Terra.

Referências 

Blech, C. & J. Funke (2010). You cannot have your cake and eat it, too: How induced goal conflicts  affect complex problem solving, Open Psychology Journal 3, 42–53. Duncker, K. (1945). On problem solving. Psychological Monographs, 58. Funke, J.  & P. A. Frensch (2007). Complex problem solving: The European perspective –  10 years after, in D. H. Jonassen (ed.), Learning to Solve Complex Scientific Problems, Lawrence Erlbaum, New York, 25–47. Funke, J. (2010). Complex problem solving: A case for complex cognition? Cognitive Processing, Vol. 11, 133–142. Klieme, E. (2004). Assessment of cross-curricular problem-solving competencies, in J. H. Moskowitz, M. Stephens (eds.), Comparing Learning Outcomes. International Assessment and Education Policy, Routledge Falmer, London, 81–107. Koncepční rámec řešeni problémů PISA 2012. ČŠI: Praha   Kupisiewicz, Cz. (1964). O efektívnosti problémového vyučovania. Bratislava: SPN. Lerner, I. J. (1986). Didaktické základy metod výuky. Praha: SPN. Linhart, J. (1976). Činnost a poznávání. Academia.  Praha. Linhart, J. (1982). Základy psychologie učení. Praha: SPN. Maťuškin, A. M. (1973). Problémové situácie v myslení a vo vyučování. Bratislava: SPN.  Mayer, R.  E. &  M. C.  Wittrock  (1996).  Problem  Solving Transfer,  in R.  Calfee,  R. Berliner  (eds.),  Handbook of  Educational Psychology, Macmillan, New York, 47–62. Mayer, R.  E. &  M. C.  Wittrock  (1996).  Problem  Solving Transfer,  in R.  Calfee,  R. Berliner  (eds.),  Handbook of  Educational Psychology, Macmillan, New York, 47–62. Mayer, R. E. (1990). Problem solving, in  W. M. Eysenck (ed.), The Blackwell Dictionary of Cognitive Psychology,  Basil Blackwell, Oxford, 284–288. Mayer, R. E. (1998). Cognitive, metacognitive, and motivational aspects of problem solving, Instructional Science, Vol. 26, 49–63. Nakonečný, M. (1998). Základy psychologie. Praha: Academia. Okoň, W. (1966) K základům problémového učení. Praha: SPN.

sábado, 15 de agosto de 2020

SÃO PAULO - A CAPITAL MUNDIAL DA CALÇADA FEIA

SÃO PAULO - A CAPITAL MUNDIAL DA CALÇADA FEIA

Imagine uma vila que não tivesse uma liderança centralizada, sem prefeito ou alcaide! Agora imagine que essa vila vive nos primórdios da chegada das lâmpadas elétricas, todos ficam entusiasmados com a revolução e decidem colocar luminárias voltadas para a rua, pois assim, todos enxergariam as ruas durante a noite.

read this article in English

Teríamos um problema aqui e ali, pois sempre tem aqueles que querem se beneficiar da luz sem colocar a mão no bolso, ou aquele outro que, por diversão, gosta de jogar uma pedra para quebrar a lâmpada, são os chamados vândalos, más são casos isolados.

Nesse cenário se justifica então pagar um IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) para a prefeitura, uma administração centralizada, nos dispor esse serviço básico e especifico, descrito por David Hume em 1734 para explicar que, uma vez arrecadado, a prefeitura, deve ser totalmente responsável pelo mobiliário urbano de uso coletivo – No entanto, aqui em São Paulo, nenhum prefeito ou eleitor desde os anos 50 ouviu falar dele...

Não estamos cogitando nem a hipótese de trocar as calçadas e as luminárias existentes, somente a mera manutenção bastaria, será que é tão caro assim?

Em 1927, a São Paulo Tramway, Light and Power Company Ltda, simplesmente chamada de LIGHT pelos paulistanos, assinou um contrato com a prefeitura e o governo estadual para reforma da rede de iluminação pública da cidade e belos postes de luz no estilo inglês foram implantados.
Lindos postes da Light tipo 16 

Esses postes da LIGHT, junto com as lindas calçadas com pisos que formam o contorno fronteiriço do estado de São Paulo, logo se transformaram em ícones da cidade.

As lindas luminárias da LIGHT estão se deteriorando em ritmo acelerado e a pergunta que todo mundo que passa por essas ruas faz é "é verdade que a cidade não tem dinheiro para manter esse ponto básico de toda a teoria da arrecadação de impostos?", a resposta é "Sim, mas muito se perde na corrupção e na inépcia".

Esses postes da LIGHT, junto com os belos pavimentos com azulejos que formam o contorno da divisa com o estado de São Paulo, logo se tornaram ícones da cidade. Porém, uma lei inusitada determina que os moradores sejam responsáveis por suas calçadas, causando péssimas repercussões.

Os moradores decidem individualmente como cada calçada deve ser, transformando a cidade em uma feia colcha de retalhos. E como se não bastasse, a manutenção não é feita, os buracos e elevações provocados pelas raízes de árvores e plantas fazem os caóticos mosaicos de fendas e fendas. destroços, Pedregulho.

A ordem e a beleza dos postes, calçadas e outros elementos urbanos têm um papel que vai além de sua finalidade funcional principal; devemos sentir o orgulho de nossos símbolos urbanos. Mas, no caso de São Paulo, representam a falta de cuidado e a ausência da administração pública. Quando um poste de luz ou uma calçada são danificados, o cidadão sente pena de sua própria cidade, isso é ruim de mais.

É a chamada teoria das janelas quebradas "broken windows theory" , um modelo norte-americano de política de segurança pública no combate ao crime, tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, se não forem reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem, inevitavelmente, a condutas criminosas mais graves, em vista do descaso estatal em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se necessária, então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a microcriminalidade ou a macrocriminalidade.

Ao ver uma calçada bem preservada, você se sente apoiado e protegido por sua cidade, inspira cidadania e respeito. Alguém de bom senso e civilidade nunca jogaria papel, bituca de cigarro ou chiclete nessa calçada  - pelo menos a probabilidade estatística de isso acontecer seria muito pequena. Se nos casarmos com uma política de multas e pequenas punições, a situação melhoraria muito.
Não seria melhor ter uma calçada assim? a resposta é SIM - mas aqui em São Paulo os gestores públicos ainda estão em dúvida
Em 24 de janeiro de 2019, o prefeito Bruno Covas promulgou o Decreto nº 58.611, que visa uniformizar as calçadas de São Paulo, essa iniciativa está no caminho certo, mas continuar a responsabilizar total ou parcialmente o morador pela sua manutenção ainda é um dos piores erros que a cidade vem comentando - transferir responsabilidade só porque não tem dinheiro não justifica a violação da principal teoria de arrecadação de imposto municipal x manutenção e benfeitorias urbanas, postulada em 1735.

domingo, 9 de agosto de 2020

Demogest App de Gestão Democrática para Nações testa sua versão 3G este mês no Uruguai

Carro da Demogest estacionado em frente ao Edifício do Parlamento na cidade de Montevidéu - Acima - um dirigível de entrega da Amazon - os novos aplicativos revolucionários ajudando a construir uma vida melhor
Como seria se tivéssemos avançado com a democracia tão rápido quanto com a tecnologia? - a melhor maneira de explorar essas possibilidades e tentar desenhar o conceito do App de Gestão Democrática para Nações é fazer um 'Artigo dos Dias Futuros' - desta forma, livre de qualquer viés político, fica mais fácil transmitir idéias - aqui está uma história que poderia muito bem ter sido escrita em um artigo de revista de 1º de setembro de 2042.

O Aplicativo de Gestão Democrática Demogest é testado hoje na sua versão 3G no Uruguai

Depois das recentes denuncias envolvendo a Leviathan em atividades suspeitas de corrupção no dia 01 de agosto de 2041, o governo uruguaio adota o Demogest como plataforma digital de gestão democrática e será o primeiro país a adotar a sua nova versão de terceira geração. O Uruguai tem tradição vanguardista, foi a primeira nação da América Latina a estabelecer um estado de bem-estar, mantido por meio de impostos relativamente altos sobre a indústria, e a primeira a legalizar o cultivo, a venda e o consumo de maconha em 2013 para uso recreativo, como medida para combater os cartéis de drogas, e foi também o primeiro a adotar uma plataforma digital de gestão democrática em 2029 desenvolvendo uma tradição democrática que lhe valeu o apelido de "a Suíça da América do Sul.

read this article in English

Muito tempo se passou desde que o governo americano também decidiu por adotar a gestão democrática do país por meio de um aplicativo de administração publica governamental, depois de ser fortemente pressionado por eleitores que disseram apoiar o candidato democrata porque ele foi convencido a adotar o Leviatã em seu governo.

Naquela época, liderados por James McCartty, os republicanos divulgaram uma carta afirmando que estavam "gravemente preocupados".

Os principais congressistas republicanos alertaram em uma carta dramática que divulgaram naquela segunda-feira que uma potência estrangeira estaria usando o aplicativo Gestor Democrata para gerenciar todas as atividades de seu Congresso e exigiram uma instrução rápida do F.B.I. para avaliar e informar sobre a confiabilidade do software.

Embora os redatores das cartas, liderados pelo presidente do Parlamento McCartty, não especificassem a ameaça, autoridades familiarizadas com um adendo confidencial anexado a ele disseram que as preocupações dos republicanos tocaram na inteligência relacionada a uma possível tentativa apoiada por uruguaios de manchar a campanha presidencial do ex-George Clooney Jr.

Num relatório detalhado de mais de 670 paginas, o FBI identificou então que o aplicativo não só era livre de viés político, como também aumentava o coeficiente de eficiência administrativa em níveis nunca antes vistos, países que passaram a adotar o Leviathan ou outro aplicativos, passaram a ter uma administração muito mais eficiente e praticamente reduziram a zero a corrupção, muito disso devido às sofisticadas ferramentais de transparência auditadas pela Transparency International, uma organização não governamental alemã com sede em Berlim.

Talvez essa tenha a sido uma das ultimas grandes desavenças partidárias nos Estados Unidos, a ferramenta permitiu uma administração publica tão eficiente e técnica que o posicionamento partidário e ideológico passou a ter cada vez menos importância nas tomadas de decisão.

A Democracia Efetiva e o Fim dos Grandes Lideres

 O “maior beneficio desses aplicativos foi o advento da Democracia Efetiva”, afirma Juca Magel o presidente Uruguai em seu ultimo discurso se referindo a terceira fase democrática, “a primeira vez que a palavra ‘Democracia’ foi usada, foi para denominar a chamada de 'Democracia Ateniense', que tinha o defeito de nascer imperfeita. Sólon, Clístenes, Efialtes e Péricles comecávam a se iluminar com uma centelha de razão em meio ao caos, vivíamos em uma época cruel e retrograda na qual mulheres e escravos ainda não votavam, um grupo de arcontes epônimos composto por magistrados simplesmente percebeu que o sistema estatutário não funcionava mais e passaram a dar a ilusão de poder ao povo, mascarando o objetivo principal de conter as invasões Persas e unir Cidades-Estados sob o poder Ateniense.
Demogest e Leviathan - concorrentes no mercado de Apps de Administração Democrática de Nações
Na segunda vez que a palavra ‘Democracia’ foi empregada, durante seu ressurgimento na Revolução Gloriosa da Inglaterra de 1688 e com a revolução francesa de 1789, durou aproximadamente 330 anos, só terminando nos anos de 2030. Foi a chamada ‘Democracia Hipócrita’, que se caracterizou por legitimizar a vontade de uns poucos em detrimento da real satisfação da sociedade, salvo exceções de países com Democracia Direita, como Suíça, Suécia e Dinamarca, países que souberam tirar bom proveito e não provocaram a ira do povo nos anos de 2000 ~ 2020 quando impulsionados pela ruptura de velhas instituições em detrimento de novas tecnologias como Uber e Air B&B, passaram a exigir uma administração pública mais decente.

Os eleitores estavam cansados, pois viviam no ápice da bolha de corrupção aliada a inépcia, partidos políticos ideológicos tomavam decisões enviesadas e auto-servientes, chegou ao cumulo de se gastar mais em campanhas eleitorais do que em obras de bem estar publico.

O governo Uruguaio foi o primeiro a ter coragem de administrar as claras," disse Magel "com mais de 120 referendos e plebiscitos no primeiro ano e contas publicas efetivamente auditadas pelo povo com o uso do Aplicativo Leviathan de 1G.

Em menos de 5 anos adotamos a tecnologia 2G,  que permitia a existência de mais de 300 Grupos Partidários Lógicos, substituindo quase todos os Partidos Políticos existentes, extinguindo os chamados 'políticos profissionais' e membros impordutivos do poder legislativo no congresso,  com propostas sérias e cientificas, de benéfico real para a comunidade, acabando aos poucos com os obsoletos partidos políticos ideológicos, repletos de ideologias fantasiosas e posições ignorantemente sustentadas.

O novo Aplicativo Demogest deverá ser atualizado para a nova versão 3G ainda essa semana e terá entre outros diversos benefícios, o modulo Kardashev, que permitirá ao povo tomar decisões quanto ao uso de energia em função da produtividade de corporações com papeis formadores do índice Imebo, o mais importante da Bolsa de Valores de Montevidéu, obviamente seguindo os critérios de qualificação civilizatório, somente os cidadãos que se classificarem no exame de aptidão com notas acima de 65 pontos poderão votar – lembrando que o curso de qualificação de voto é gratuito e aberto a todos os cidadãos.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Itagenemimética a ciência e a arte de aprender com povos ancestrais

Luiz Pagano apresentando o Cauim no Bar Convent de São Paulo - Junho/2019 - 
Nos últimos anos venho dedicando minhas atividades às funções de artista e cientista, principalmente no que se refere ao CAUIM, bebida alcoólica fermentada de mandioca, consumida por mais de 270 etnias indígenas brasileiras, que eu quero trazer para o grande publico na forma de uma bebida industrial, (com garrafa bonita e tudo) produzida com processos sofisticados, com grandes similaridades ao saquê. Essa iniciativa tem o grande propósito de fazer com que sintamos orgulho de sermos brasileiros de origem Tupi - sonho com o dia em que todos nós, brasileiros e/ou estrangeiros, poderemos comer os pratos sofisticados de Alex Atala ou Tiago Castanho harmonizado com Cauim dos Yekuanas ou dos Waurás, embalados na 'Tupi Pop Culture'.

Esse trabalho me fez pesquisar a vida e modos de nossos povos ancestrais de uma maneira única, enxerguei possibilidades variadas de cultura prospera, de boa indole, feliz e completamente amiga da natureza e do planeta.

Talvez não consiga transmitir a grandeza do que sinto em relação ao assunto, mas seguramente isso não me impede de tentar.  Nós somos tão educados na cultura européia, que achamos que esse é o único "idioma cultural" do mundo, mas as coisas começam a mudar e a cultura da floresta começa a se revelar imprescindível para nossa sobrevivência no planeta.

read this article in English

Em 2015 Davi Kopenawa da etnia Ianomâmi, que tem sido chamado de ‘Dalai Lama da Floresta’, acompanhado por Fiona Watson, Diretora de Pesquisa da ONG Survival International, e especialista mundial em tribos isoladas. deram entrevistas para a imprensa americana e várias palestras em e ao redor de San Francisco, falando sobre o incansável trabalho para proteger a terra de sua tribo na Amazônia, e de como essa experiência pode se aplicar para o mundo.

Não é de hoje que a floresta amazônica tem sido reconhecida como um repositório de serviços ecológicos, não só para as tribos e as comunidades locais, mas também para o resto do mundo. É também a única floresta que nos sobra em termos de tamanho e a diversidade.

Sua continua queima e o aquecimento global se agravam, a saúde das florestas tropicais está intimamente relacionada à saúde do resto do mundo e o impacto do desmatamento na Amazônia continua a desfazer gradualmente os frágeis processos ecológicos que foram refinados ao longo de milhões de anos.

A solução para essa questão de como encontrar o equilíbrio necessário para a sobrevivência da floresta e conseqüentemente do planeta, não pode ser encontrado na ciência em si, mas sim na ciência aliada a questões filosóficas de povos locais, como os Ianomâmis.
Para os Ianomâmi o mundo é dividido em dois grupos de indivíduos, a dos YANOMAMI THËPË (seres humanos, gente) e a dos NAPË (nos, homens brancos, os inimigos os ‘ferozes’)

Os ianomâmis já foram tidos como um povo ‘feroz’ na sensacionalista e atrasada obra Yanomamö: The Fierce People (Yanomamö: O Povo Feroz), de antropólogo americano Napoleon Chagnon, que os descreve como “manhosos, agressivos, e intimidadores” e até hoje é tida como a bíblia do recém graduado de antropologia, levando o resto do mundo a idéias cada vez mais preconceituosas.

O bom é que isso vem mudando com o tempo, e passamos a ouvir cada vez mais a sabedoria do povo da floresta - do ponto de vista Ianomâmi o mundo é dividido em dois grupos de indivíduos, a dos YANOMAMI THËPË (seres humanos, gente) e a dos NAPË (nos, homens brancos, os inimigos os ‘ferozes’).

A floresta não se queima por si só e os rios não se auto-poluem, são os NAPË que o fazem.

A poluição de rios é reflexo de uma postura ativa dos NAPË, se deixarmos de jogar poluentes nos rios Tiete e Pinheiros no perímetro urbano, por exemplo, teríamos os rios limpos em questão de semanas. De fato, nós os NAPË somos proativos em poluir e devastar, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente.

Se perguntarmos a um índio Ianomâmi, o que ele acha do homem branco - NAPË, acabamos por ter vergonha de sua resposta.
Nadar na imensidão dos rios Amazonas e Tocantins me fez entrar em contato espiritual com a cultura YANOMAMI THËPË. O homem branco se considera único e diferente dos outros seres ao seu redor, - Os NAPË vivem sob o conceito de ‘silêncio dos espaços infinitos de Blaise Pascal’, estamos sozinhos, em um monologo. Os Ianomâmis não, eles são capazes de amar e dialogar com tudo e com todos ao seu redor.

De acordo com os índios Ianomâmis, o NAPË, não pensa em nada, não ama a terra, não ama a floresta, tem uma visão egoísta, inconseqüente e de curto prazo. Os conceitos dos Ianomâmis parecem ser muito mais elevados e muitas vezes de difícil concepção para nossa cultura, por isso resolvi classificá-los em grupos:

O conceito de ‘ser vivo’

O ‘ser vivo’ dos Ianomâmis é o que tratamos como ‘gente’, expresso como YANOMAMI THËPË.

O NAPË (homem branco) parece se importar apenas com ele mesmo e em nível secundário, com seus familiares diretos. Esse sentimento tende a diminuir com seus vizinhos e familiares distantes e são quase inexistentes para as outras pessoas do mundo, mas o lado positivo é que ele adota animais de estimação e isso parece ser um pequeno indicio de amor a outros ‘seres vivos’ que não pertença a classificação de Homo sapiens .
Os Ianomâmis são capazes de dialogar com tudo e com todos ao seu redor.

É muito comum ver índias amamentando seu bebe em um dos seios e um macaco, ou outro animal no outro, cena que causa incompreensão e repulsa ao homem branco que a presencia pela primeira vez. Para os índios esses animaizinhos também são ‘gente’ e tem direito ao leite materno, que não é da mulher mas sim da natureza.

Toy Art Yanomami


O homem branco se considera único e diferente dos outros seres ao seu redor, - Os NAPË vivem sob o conceito de ‘silêncio dos espaços infinitos de Blaise Paschoal’, estamos sozinhos, em um monologo. Os Ianomâmis não, eles são capazes de dialogar com tudo e com todos ao seu redor.

Para eles, quase tudo é ‘ser vivo’, ou ‘gente’ – o animal é gente, a planta é gente e até mesmo alguns artefatos também são tidos como gente, e essa ‘gente’ toda jamais deveria ser incomodada, e muito menos ofendida.
É muito comum ver índias amamentando seu bebe em um dos seios e um macaco, ou outro animal no outro, cena que causa incompreensão e repulsa ao homem branco que a presencia pela primeira vez. Para os índios esses animaizinhos também são ‘gente’ e tem direito ao leite materno, que não é da mulher mas sim da natureza.

Para os Ianomâmis, ninguém gosta de ser ofendido e cada vez que isso acontece, o ofendido se manifesta contra o ofensor.

Dessa forma, surgem algumas conseqüências e indagações, tais como:

- O que acontece se matamos um animal para comer? – matar um ser vivo é uma ofensa muito grave, mesmo que este tenha o titulo de YARO (animais de caça). isso não os impede de matar os YARO, mesmo conscientes de que sua morte terá conseqüências.

Eles pensam, “ao matarmos esses seres, aguarde pela reação que pode se manifestar de diversas formas, pode ser pequena indigestão, ou até mesmo na forma do ataque de outros animais do grupo, por exemplo de onças, parceiras do animal morto.

O conceito de ‘propriedade’ 

Nós não temos terra, a terra é que nos tem. A propriedade aos bens físicos é intangível posto que nossa matéria é perecível. Tais posses podem levar ao sofrimento (tal como no budismo).

- a Amazônia é importante pois dela vem o conhecimento que devemos ter para superarmos a crise civilizatória, de degradação do ambiente.

O conceito de ‘Evolução’

Os NAPË estão num estado de evolução inferior aos YANOMAMI THËPË  (os próprios ianomâmis), porem existem seres mais evoluídos, como os YAI, seres da floresta isentos de nome.

É nessa hora que o leitor fica indignado - como eles podem nos achar mais atrasados que eles?

Existem diversas formas de nos fazer ver o quão pouco evoluídos somos em comparação, por exemplo a questão do lixo.

Na natureza, o lixo de qualquer ser vivo se incorpora como utilidade para outro ser vivo (eg.  as fezes de mamíferos viram fertilizantes para plantas, o oxigênio expurgado pela arvore vira o ar que respiramos, etc.). Nós os NAPË, produzimos uma enorme quantidade de lixo que mais prejudica do que ajuda outros seres vivos.

A relação dos YAI com os YANOMAMI THËPË e com os NAPË é a mesma que nos, homens brancos, temos com as amebas.

O homem tem percepção de 4 dimensões, capacidade de raciocinar sobre os acontecimentos ao seu redor, lê livros, constrói pontes e observa as amebas no microscópio. As amebas por sua vez vivem num mundo muito mais limitado, tem diminuta capacidade de percepção que as possibilitam apenas comer formas vivas ao seu redor, não são capazes de ler nem, muito menos de construir pontes.

Os YAI nos observam como nós, homens observamos as amebas, sem que sequer nos demos conta. São infinitamente superiores e transitam por dimensões ainda inconcebíveis para nós.

O conceito de ‘URIHI’ - palavra Ianomâmi para floresta, ecossistema

A palavra yanomami UHIRI designa a floresta tudo que nela habita, com conexões e inter-relações infinitas, IPA URIHI, "minha terra", pode referir-se à região de nascimento ou à região de moradia atual do enunciador. URIHI pode ser, também, o nome do mundo: UHIRI A PREE, "a grande terra-floresta".
Nós os NAPË, somos a única espécie do planeta que produzimos lixo sem que esse entre em equilíbrio com o ecossistema.

A floresta amazônica é a maior região de floresta continua do planeta, corta nove países, corresponde a 60% do território brasileiro, quase 6 milhões de km2. O Rio Amazonas tem 6.800km de extensão, 105km a mais do que o Nilo de acordo com a medição de 2007, nele se encontra 20% da água doce do mundo.

Atualmente 18% da floresta já foi devastada, essa devastação aparece na forma de Pecuária extensiva e de baixa inteligência, propriedade ilegal, garimpo irregular.

Parece pouco mas 1% de área devastada, o mesmo índice de desmatamento em 1975, 60mil km2 é maior do que o estado do Rio de Janeiro ( aprox. 43.000km2).

O Brasil pode ser muito ruim no que diz respeito com o trato com os rios de suas capitais principalmente devido a corrupção e motivos eleitoreiros, mas trabalhos isolados na Amazônia chamam a atenção pela genialidade.

O conceito de Itagenemimética ou itagenemimicry 

Você sabia que os europeus aprenderam o habito de fumar ervas com os índios americanos? Talvez a industria do cigarro tenha sido a primeira a usar do conceito de Itagenemimética (a arte/ciência de aprender com povos indígenas e tradições ancestrais). É importante que se diga que o cigarro que conhecemos hoje, causador de mortes e doenças sofreu uma serie de modificações para pior desde sua adoção inicial ou melhor dizendo, foi sem duvida uma adoção de habito degradativo vinda de nossos ancestrais. Ma a grande maioria dos hábitos que adquiríamos deles no entanto, como dormir em rede, tomar banho todos os dias e beber o guaraná, tem sem mostrando muito saudáveis.

A biomimética* juntamente com a itagenemimética**, são as melhores e mais eficazes ferramentas de aprendizado que nossa civilização pode fazer uso atualmente - quanto ao Itagenemimética, creio que foi eu quem inventou essa palavra numa de minhas palestras, mas faz todo sentido (rsrsr)

O homem civilizado vem se distanciando cada vez mais de seus irmãos que vivem nas tribos, os hábitos degradativos dos civilizados parecem ser muito piores do que o dos indígenas, dispersar plástico no planeta e emitir CO2 são alguns deles.

Os indígenas que conheço dizem que os civilizados são muito burros, nos fazemos coisas que nenhum animal faz, nós defecamos na água que bebemos. É evidente que com o nosso atual nível de desenvolvimento cultural, viver em tribos e abandonar os bens materiais e conquistas que tivemos poderia ser tido como uma involução, no entanto prestamos cada vez mais atenção no que eles tem a nos dizer.

*Biomimética ou biomimética é a imitação de modelos, sistemas e elementos da natureza com o objetivo de resolver problemas humanos complexos (grego: βίος, life e μίμησις, imitação, de μιμεῖσθαι, para imitar, de μῖμος, ator).

**Itagenemimética ou itagenemimicry é a imitação de modelos, sistemas e elementos adotados por comunidades ancestrais ou povos indígenas com o objetivo de resolver problemas humanos complexos (grego: ιθαγενείς, itageneis - povos indígenas e μίμησις, imitação, de μιμεῖσθαι, para imitar , de μῖμος, ator).

Não podemos colocar uma cúpula de proteção sobre a Amazônia

A proteção ambiental só pode acontecer se não se opor as enormes forças econômicas, portanto temos que atribuir valor para floresta em pé, e não desmatada.

Tudo que temos que fazer é usar a inteligência YANOMAMI THËPË para nos guiar. Mais dia, menos dia, as arvores muito velhas caem naturalmente como parte do processo de renovação, parte do ciclo natural da floresta. Se bem monitoradas, essas arvores podem ter suas quedas administradas por agrônomos legais e sua madeira pode ser utilizada com mais inteligência.

Um tronco de uma sumaumeira centenária vale pouco mais de R$10,00 no mercado negro, enquanto que um belo artesanato feito com pouco mais de 50 cm de comprimento da mesma arvore pode chegar a valer R$ 300,00.

Este é um bom exemplo de como transformar uma atitude NAPË em YANOMAMI THËPË
Ciencia aliada a filosofia Yanomami  -  A nossa única saída para salvar o planeta. Um veiculo de baixo impacto em destruição do solo corta uma samaumeira, num processo de renovação inteligente da selva Amazônica.

Creio que o grande fato gerador dos problemas da Amazônia atual foi o PIN, Programa de Integração Nacional, programa de cunho geopolítico criado pelo governo militar brasileiro através do Decreto-Lei Nº1106, de 16 de julho de 1970, assinado pelo Presidente Médici.

Preocupados em perder o vasto território amazônico pela dificuldade de monitorar suas fronteiras, o governo militar propôs realocar as vitimas da improdutividade das regiões de seca nordestina e transformá-los em mão de obra na prospera região amazônica, dessa forma ocupar os vazios demográficos amazônicos, "integrar para não entregar" e "terra sem homens para homens sem terras" foram as palavras de ordem da época.

O PIN teve o maravilhoso mérito de mobilizar o sentimento nacionalista, independentemente de visão política e promover a colonização da Amazônia.

A rodovia Transamazônica foi a ferramenta escolhida por Médici como via de acesso à floresta. Com 4 223 km de comprimento, ligando a cidade de Cabedelo, na Paraíba à Lábrea, no Amazonas, a estrada corta sete estados brasileiros: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas.
Num futuro próximo o sistema agro-florestal poderá ter a ajuda de drones coletores para promover agricultura de baixo impacto ambiental. No sistema agrícola de hoje nós desmatamos as florestas para depois plantar, com o propósito de limpar o terreno e assim, facilitar a entrada das nossas antiquadas maquinas agrícolas - com o advento dos drones coletores não precisaremos mais levar a cabo um processo tão pouco inteligente. 

Ao lado da estrada algumas rotas surgiram, e dessas outras ruas pequenas, ligando as fazendas, comunidades e casas - a chamada espinha de peixe, é a causa para a ocupação irregular e o consequente desmatamento.

O homem do nordeste, em sua grande maioria, junto com outros de outras regiões do Brasil e do mundo, que lá chegaram encontraram grande facilidade em ter cabeças de gado, posto que para se obter a posse da terra eles somente tinham que transformar 50% de suas terras em pastagem.
Um sistema de inteligencia artificial avalia as frutas e hortaliças por meio de sensores bem mais sofisticados que nossos olhos, braços robóticos colhem as frutas e as colocam numa cesta circular, a bordo de um drone coletor.

Hoje existem 60.000.000 cabeças de gado na Amazônia, uma relação de 3 bois para cada habitante da região.

Como mudar a filosofia NAPË em YANOMAMI THËPË?

Nós NAPË olhávamos a floresta como mato não como fazenda, se quisermos plantar algo ali, temos que desmatar para depois plantar, mas índios locais inspiraram um grupo de japoneses a criar os chamados SISTEMAS AGRO-FLORESTAIS.
Hajime Yamada chegou em Tomé-Açú no dia 22 de setembro de 1929, aprendeu com os indígenas a tecnologia do sistema agro-florestal, nós sempre olhamos a floresta como mato não como fazenda (foto: documentário Amazônia Eterna) - nt na caligrafia 永遠のアマゾン - Amazonia Eterna

Um grupo de imigrantes japoneses chegou ao município de Tomé-Açu, no Pará, no fim da década de 1920 com proposta de plantar da pimenta-do-reino, Nos anos 70 com a queda dos preços e epidemias nos pimentais fez com que repensassem seu negocio.

Baseado em antigo conhecimento indígena, eles passaram a cultivar a pimenta-do-reino no mesmo espaço do cacau, bem como com o cupuaçu, mamão, açaí, coco, maracujá, castanha-do-pará, borracha natural e paricá. A praga dos pimentais foi combatida por predadores locais, trazidas pelas outras plantas, em equilíbrio com a natureza.

De lá para cá, o sistema foi aperfeiçoado na base da tentativa e do erro para a escolha das melhores combinações de espécies. Hoje, Tomé-Açu é referência nesse tipo de plantio e a cooperativa acumula diversos prêmios relacionados a empreendedorismo e sustentabilidade.

Além disso, a CAMTA promove e orienta a adoção dos sistemas agro-florestais para agricultura familiar em municípios vizinhos e realiza a comercialização dessa produção, um projeto que atende cerca de mil famílias da região.
Robos de extração de látex funcionam de forma autonoma, abastecidos com a luz do sol. As 'estradas de seringa' (os riscos feitos na casaca das seringueiras) são precisos, pois contam com sofisticados sensores que fazem cálculos precisos para melhor aproveitar a extração. 

A idéia básica desse sistema agro-florestal é realizar o plantio integrado de diferentes espécies vegetais, de tamanho variado, juntas em uma mesma área, formando diversos 'andares' – o processo recebe justamente o nome de agricultura em andares.

O sistema agro-florestal, conhecido dos povos indígenas já a muito tempo, oferece uma série de vantagens como:

- Como gera grande quantidade de matéria orgânica no solo proveniente de diversas culturas, há menos necessidade de adubos e agrotóxicos;

- Essa variedade de nutrientes gera alimentos mais saudáveis;

- A cobertura vegetal abundante também retém a umidade da terra, protege as plantações do Sol e proporciona um ambiente mais agradável para o trabalho no campo;

- O plantio de diversas culturas ao mesmo tempo permite a produção continuada e gera renda durante o ano todo.
Parte importante da filosofia YANOMAMI THËPË é que 'lixo não existe', não podemos jogar nada fora (fora de onde? do planeta?). Isso posto, todos os equipamentos são 100% reciclados para produção de novos equipamentos, substancias que não podem ser utilizadas em outros equipamentos são reintegradas na natureza por compostagem. Todas instalações tem imensas claraboias pois 80% dos equipamentos funcionam com energia solar.

Depois de tanto tempo catequizando nossos índios de acordo com heranças culturais européias, agora  chegou a hora de nos catequizarmos nos moldes do povo da floresta, quem sabe assim poderemos salvar nossas almas e nossas vidas.

domingo, 7 de abril de 2019

Cauim Tiakau o primeiro cauim 100% de mandioca do mercado de bebidas alcoólicas

Garrafa do CAUIM TIAKAU de 330ml.

A última vez que um brasileiro, não pertencente a uma tribo indígena tomou o CAUIM, como bebida cotidiana, provavelmente foi na época dos bandeirantes, o velho diabo 'Anhanguera' no ano de 1682, ou o velho Raposo Tavares em meados de 1650… Nunca saberemos. Desde então, uma ou outra dose é servida a turistas ou visitantes convidados de alguma tribo indígena. mas essa historia mudou no dia 29 de novembro de 2018, quando o Café da Casa, um charmoso café localizado na Rua José Maria Lisboa, 838, no bairro dos Jardins em São Paulo, passou a servir a garrafa do CAUIM TIAKAU, o primeiro CAUIM produzido em processo semi-industrializado a chegar no mercado.

Assista o video CAUIM DAS TRIBOS PARA TODOS OS BRASILEIROS

Foi um evento simples, intimista, sem nenhuma divulgação, mas de enorme importância cultural - Imagine que pudéssemos relatar com precisão o dia e as circunstancias em que o vinho foi servido pela primeira vez numa igreja, simbolizando o sangue de cristo, ou descrevermos em detalhes a data e horário da primeira purificação xintoísta feita com saquê…

Para chegar até esse dia, um reduzido grupo de pessoas se esforçou "mais do que prometia a força humana", comprometendo orçamentos familiares, fazendo experiências em seus quintais e manifestando amor por nossa gente, nossa pátria e historia - Quem relata os eventos é Luiz Pagano.

O CAUIM é uma bebida alcoólica produzida a partir da mandioca fermentada, por praticamente todas as mais de 305 etnias brasileiras, nossos ancestrais indígenas. Nossa proposta foi a de recriar a bebida, em reedição semi-industrial, respeitando a tradição ancestral, em processo que, por assim dizer, foi baseado no de produção do SAKÊ.

CAUIM TIAKAU servido no Café da Casa do Museu do Xingu e escritórios do Ponto Solidário
Em resumo, trouxemos a bebida ritualística tomada exclusivamente por indivíduos de tribos indígenas para ser consumida por todos nós brasileiros, como forma de reaproximação de nossas raízes mais essenciais, certamente respeitando nossa gente e a espiritualidade de nossa cultura fundamental - A cultura Tupi Antiga.

Como resultado dos esforços de um seleto grupo de profissionais do mercado de bebidas alcoólicas, líderes tribais e profissionais ligados aos estudos de nossas etnias, eu incluso, surge o CAUIM, a bebida alcoólica ainda mais brasileira do que a própria cachaça.
O controle das temperaturas é fundamental para se produzir um bom CAUIM

O CAUIM, bebida ritualística xamânica surge agora resignificanda, apta a ser consumida comercialmente - Trata-se de uma inédita categoria de bebidas, no seu mais absoluto começo.

É importante que se diga que ainda não existe a categoria de bebidas CAUIM - 100% FERMENTADO DE MANDIOCA legalmente, o produto que aos pouco botamos nos bares e prateleiras ainda entra no mercado enquadrado legalmente como BEBIDA MISTA por falta de leis específicas, em produção bem limitada, numa operação experimental, aguardando por investidores inovadores e outras oportunidades de crescimento.  O esforço para regulamentar a bebida está em andamento, demos a entrada em dois dos três métodos de produção do CAUIM no DIRPA - Instituto Nacional de Propriedade Industrial no dia 23 de junho de 2017, so quando for criada a categoria, poderemos registrar a marca e logo. Como bem sabemos, o processo para incubação de empresas e invenções de produtos no Brasil é burocrático, lento e desgastante - infelizmente :(.

Como disse anteriormente, existem tres Métodos para se produzir o CAUIM:

1-MÉTODO ÉTNICO
Processo ritualístico NÃO PODE SER USADO NA INDÚSTRIA;

2-MÉTODO ‘PAGANO’ - JAPONÊS
Processo no qual a dulcificação do amido é promovida pela ação do KOJI;

3-MÉTODO ‘SENA’ - ENZIMÁTICO
Processo no qual a dulcificação do amido é promovida pela ação direta de enzimas.
Professor Hido Sena e Luiz Pagano - parceria para resgatar a bebida mais emblemática e ancestral da cultura brasileira,
o CAUIM - O MÉTODO criado por Sena e seus alunos é sem duvida o melhor resultado já obtido.

Os povos indígenas no Brasil usavam enzimas presentes na saliva das Kunhã Makú (belas virgens das tribos), para quebrar amido da mandioca em açúcar, e posteriormente poder fermentá-lo. No Japão antigo fazia-se a mesma coisa com o arroz pelas chamadas virgens bijinshu (美人酒 - as belas mulheres do saquê), esse é o chamado Método Étnico.

Para poder produzir o saquê de forma mais segura, a aproximadamente 1000 anos atrás, adotou-se o KOJI ( 麹 菌 Koji-kin) nome dado ao microorganismo Aspergillus oryzae para promover a promover essa quebra de amido, esse processo também é usado para se produzir o CAUIM. Vale lembrar que nós, entusiastas do Tupi Antigo (falo um pouco mais sobre isso um pouco mais abaixo) nos sentimos compelidos a descrever os passos do processo de produção de CAUIM em Tupi Antigo, para reforçar o elo cultural histórico de nossos antepassados, igualando a importância do CAUIM à do saquê em rituais xintoístas e a do vinho eucarístico, fundamental no cristianismo, o CAUIM é alma ancestral religiosa de nossas etnias e culturas ancestrais.
Colocação de KOJI sobre as pérolas de Mandioca

No segundo Metodo, criado por mim (Luiz Pagano), a princípio faz-se o Mbeîu apó, ou o preparo do beiju,  (ou Mbeîu moakyma), sendo o beiju 100% feito de mandioca perolizada é embebida em água quente.

A seguir, segue o Sabẽ nonga (Colocação dos esporos) processo no qual o KOJI é colocado para atuar no beiju quebrando açucares, lipídios e protídeos para que a fermentação possa ocorrer. 

quando o 'Sabẽ mbeîu moe’ẽ' ( o esporo torna o beiju sápido) após os esporos crescem por 48 horas, teremos a matéria prima para fazer a fermentação alcoólica, chamada de Haguino.

O  Hauguino acontece de 30~35 dias em temperaturas baixas, (5ºC ~ 14ºC) num processo de Fermentação Múltipla Paralela, ao mesmo tempo que o açúcar se converte em álcool por meio de leveduras, o mosto residual continua a se converter em mais açucares, também havendo a quebra de lipídios e protídeos.
Instalações de fermentação usada para produzir as brassagens experimentais de CAUIM

Por fim fazemos o Mbeîu mogûaba (coar/peneirar o beiju) aqui nós separamos o CAUIM fresco do bolo de mandioca num ecológico, colocado em sacos de algodão, de 8 litros e e submetê-lo a uma leve prensa, tal qual se faz com o saquê.

Para o terceiro Método, 'Sena' enzimático, desenvolvido por Hildo Sena e seus alunos na FATEC DE ARAÇATUBA, o processo é bem mais simples, rápido e é o de mais baixo custo para se produzir. Nele o CAUIM é produzido usando-se apenas enzimas especiais em substituição ao KOJI, o que permite maior controle qualitativo de todo o processo, garantindo um perfeito CAUIM.
Para resgatar a cultura ancestral brasileira recorri ao ímpeto de preservação de tradições e tecnologias japonesas, me associei a uma Sommelière de Saquê, Hikaru Sakunaga (作永ひかる), contei com um grupo de estudantes de Tupi Antigo, alem de profissionais de fermentação ingleses e brasileiros. Acima um exemplo desse 'melting pot', um gráfico de progresso do KOJI, que ilustra muito bem a mistura de todas essas culturas -
Todos nossos materiais estão escritos em Japonês, romaji, Tupi-antigo, português e inglês :)

Com uma hidratação mais eficiente no inicio do processo, o método Sena dispensa a filtração final.

NOTAS DE DEGUSTAÇÃO DO CAUIM

Muitos nesse ponto se perguntam: 'Muito bem, qual é o gosto do CAUIM?' - ai vai…


———

ASPECTO VISUAL
Tons amarelo palha, com brilhos esverdeados vivos;

NO NARIZ
Aromas de mandioca fresca se mesclam a lances de abacaxi, pêra verde e uva Chardonnay;

NA BOCA
Notas de banana verde e amêndoas, evolui para raízes frescas e terrosas, corpo leve e equilibrado com baixa alcolicidade;

HARMONIZA 
Com peixes da Amazônia grelhados, filhote na manteiga de garrafa, torteletes de palmito.  
Quando você for ao Café da Casa, peça uma dose de CAUIM TIAKAU com Pastelina de Palmito -
A harmonização é perfeita
———


A MARCA TIAKAU

A marca TIAKAU, surgiu num bate papo de um grupo de 65 estudantes de Tupi Antigo, discípulos do professor Eduardo Navarro. Aconteceu num dia quando eu estava muito feliz por finalmente termos chegado ao CAUIM final, quando lancei o desafio de bolarem um bom nome para a marca, de preferencia em Tupi Antigo - Todos calaram-se e nenhum nome surgiu. 

Em meio toda aquela duvida alguém se levantou e disse "Ere'u-potarype amõ mani? T'ÎAKA'U !!!" que significa "Querem beber um pouco de mani (gíria tupi para CAUIM) - e no final exclamou "T'ÎAKA'U !!!" - que significa literalmente "vamos CAUINAR',  'vamos à CAUINAGEM','vamos tomar o CAIUIM', dito no espirito de quem diz, "nós viemos aqui para beber, ou para conversar?".  Pronto, naquele momento o nome já havia sido dado,  T'ÎAKA'U !!!

Alguns críticos sempre me alertam, "você não tem medo de fazer tanto alarde de um produto que ainda não tem registro e nem patente", minha resposta é "Não, pelo contrario, o alarde é necessário!

Quanto mais gente conhecer esse projeto, melhor é!  Se o CAUIM não cair na graça do grande publico, provavelmente a iniciativa de se produzir o CAUIM semi-industrial se perca para sempre - se eu morrer hoje, talvez o CAUIM morra comigo e D'us lá sabe quando poderá ser renascido novamente".

É evidente que pretendemos patentear o produto e comercializarmos, para recompensar financeiramente nosso grupo desenvolvedor, para que no mínimo possamos recuperamos todo o investimento de trabalho, viagens que inclui varias internacionais, incluindo as caras viagens ao Japão, bem como todo nosso esforço dedicado, mas a recompensa final acaba sendo da cultura brasileira, com o legado de mais uma bebida nacional que lindamente representa nossa essência.
O encontro das duas mentes mais inventivas do mundo no começo do século passado .

Lembro de um artigo de Herbert Wallace escrito em 1902, relatando o encontro de Santos=Dumont e Thomas Edison, no qual eles conversavam sobre seus inventos, o consenso foi que Dumont fazia seus inventos pensando no bem mundial, com uma certa leitura “Wiki”,  inspirando os próximos inventores a usarem suas idéias livres de patentes (a humanidade precisou de quase 100 anos para entender o conceito de inventos sem patente e softwares abertos como fonte de prosperidade) enquanto que Thomas Edison tinha grande interesse comercial em seus inventos e não dedicava seu tempo a nada que não pudesse ser patenteado com propósito de imediato ou futuro resultado financeiro.  
Luiz Pagano brindando com amigo - T'reikokatu!!! (saúde em Tupi Antigo)

Eu e o grupo de entusiastas não inventamos o CAUIM, nós somente o trouxemos de volta ao cenário cultural, nosso interesse é fazer com que num futuro próximo, inspiremos a surgirem CAUIMs de diversas culturas, que possa existir nas prateleiras das lojas de bebidas lindas garrafas do Masato dos Ashaninkas, ou Tarubá em lata, produzido por etnias de Santarem-PA, ou, até quem sabe, o caro Caxiri dos Waiãpis da Amazonia, todas elas variações do mesmo fermentado de mandioca, vendidas ao grande publico e até mesmo sendo exportadas, com métodos industriais modernos, preservando sua essência religiosa ancestral, sem perder o aspecto tradicional, e ainda gerando recursos para tribos, muitas delas em vias de extinção de forma sustentável e consciente.

Temos que aprender e a respeitar nossas tradições e concilia-las à modernidade, tal como fez o Imperador Meiji e suas medidas politico-económicas, proporcionando a cultura milenar japonesa uma elegante forma de chegar prosperamente aos séculos vindouros. Nós também podemos começar mudar a nossa cultura, talvez atreva da bebida alcoólica, podemos ter diversas marcas e tipos de CAUIM e suas variantes, assim como já acontece com as mais de 50.000 marcas de Saquê no Japão.
Luiz Pagano recebe a bênção do 'Morubixaba'(Cacique) Paulo da etnia Wassu Cocal do Alagoas - Nós temos o papel de promover uma ponte entre os dois mundos, o rico ancestral indígena e o cosmopolita urbano brasileiro. 

Nesse sentido um dos trabalhos mais importantes do projeto CAUIM TIAKAU é o do grupo de estudos de lingua e tradição ancestral brasileiros, com a ajuda do professor Farias Betio, Emerson Costa e outros estudantes do Tupi Antigo, Nheengatu e línguas gerais diversas, discípulos do professor Eduardo Navarro da USP, com mais de 80 eruditos e entusiastas que tentam resgatar o Tupi Antigo, e traze-lo como idioma chave para as mais de 305 etnias ancestrais que habitam o território brasileiro.

Assim sendo, o primeiro passo dado assim que tivemos a bebida pronta, foi levar para a aprovação e benção da espiritualidade ancestral indígena. É sabido que muitos indígenas cobram para abençoar projetos, sejam eles quais forem, é evidente que nós não queríamos ter essa "prestação de serviço remunerada", a liderança espiritual indígena teria que aprovar nosso projeto pelo que ele é, não pelo mero pagamento.
Festa do CAUIM TIAKAU - a esquerda abaixo, professor farias com Maximo Wassú, acima professor Farias com Iradzu da etnia Kariri Xocó, à direita acima 'APPUH', recinto onde o cacique performou a benção ao CAUIM TIAKAU e ao fundo, Morubixaba Paulo da etnia Wassu Cocal segurando uma garrafa do CAUIM TIAKAU.

Luiz Pagano relata sua experiência com o mundo ancestral - "No começo parecia impossível ter esse passo fundamental, a benção do plano espiritual - as tribos são distantes e inacessíveis e sua cultura muito fechada, restrita ao povo com sangue indígena. Certa vez, numa de minhas viagens pelo Brasil, encontrei um integrante da tribo Gajajara e comentei com ele sobre o projeto do CAUIM e minhas dificuldades, ele me disse que as coisas tem hora certa para acontecer, o trabalho se desenvolve primeiro no plano espiritual e o que aparece na terra é somente o reflexo do plano superior, tal como o broto esconde suas raízes na terra, disse ainda que as manchas de vitiligo que tenho nos antebraços e mãos (condição da qual sou portador) são maculas da mandioca que já venho trabalhando no mundo espiritual junto a Mani, deusa albina que da mãe mandioca e que não forçasse nenhum encontro, pois tudo aconteceria de forma natural e fluida em seu tempo certo, é de fato foi assim que ocorreu.

Certa vez visitando um Shopping Center em Osasco a convite do professor Farias, que queria encontrar seus amigos indígenas, passamos muito bons momentos ao lado de Máximo Wassu, Morubixaba Paulo da etnia Wassu Cocal, Iradzu da etnia Kariri Xocó, Pedro Pankararé, e eu levei o cauim para que eles experimentasse. O Cacique Paulo da etnia Wassu Cocal do Alagoas logo se prontificou a abençoar o CAUIM TIAKAU, dizendo que esse projeto é muito importante por se tratar da ponte fundamental entre os dois mundos (povos indígenas ancestrais e o povo brasileiro em geral), a bebida alcoólica mescla cultura e espiritualidade, unido mundo material com mundo espiritual. O cacique também está empenhado nessa obra de unir as culturas, ele luta por constituir uma reserva multiétnica em Guarulhos, e está se dedicando à igreja Anglicana, entidade da qual pretende ser o primeiro pastor de ascendência indígena, sem deixar que a cultura ancestral da floresta seja subjugada aos padrões religiosos anglicanos, como aconteceu no nosso passado histórico, no qual jesuítas obliteraram suas próprias crenças para forçadamente adotarem a liturgia jesuíta.

---

Como disse no começo, nossa operação de produção e comercialização do cauim ainda é embrionária, não se pode registrar uma marca de um produto sem categoria, e dessa forma, tudo que nos impede de termos o produto em pleno mercado, são as dificuldades burocráticas e limitações de investimento, pois no que depender de qualidade, vontade e sabor, o produto é incrivelmente viável e prazeiroso.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Heróis da Bruzundanga a Primeira HQ Tupi Pop

Luiz Pagano no lançamento da revista 'Os Heróis da Bruzundanga', no ultimo dia 17 de dezembro, na livraria Monkix da Vila Madalena
A cultura Tupi-Pop sai do campo virtual e passa a ser prototipada nesta primeira edição da História em Quadrinhos 'Os Heróis da Bruzundanga', na qual heróis brasileiros, baseados nas obras de Lima Barreto combatem o crime na turbulenta terra da Bruzundanga. A trama se passa no ano de 2093, numa linha do tempo alternava na qual Policarpo Quaresma não morreu e o presidente Floriano Peixoto adotou as reformas por ele apresentadas duzentos anos atrás, o Brasil é uma terra de muita prosperidade cuja cultura é cultuada no mundo todo.

read this article in English

O lançamento da HQ ocorreu no ultimo dia 17 de dezembro, na livraria Monkix da Vila Madalena.

Não foi a toa que as obras de Lima Barreto servem de pano de fundo aos Heróis da Bruzundanga, a genialidade de Barreto é atemporal em mostrar o amor pelas coisas do Brasil, com seu bom povo de coração humilde e atitude pacifica, que mal se vê capaz de empenhar sua força no conflito contra impunes vilões, de caráter retorcido, presentes em nossa vida cotidiana.
Tarde de autografos na livraria Monkix. a direita, Hot Toys articulados do cangaceiro Assum Preto, a india Mani e descendente de Policarpo, o Visconde Quaresma.

 Os Heróis da Bruzundanga surgem no já extenso panteão de deidades do mundo comics, trazendo a inusitada e quase impossível tarefa de resgatar a dignidade de sua gente. Tal qual no livro Os Bruzundangas de 1923, Lima Barreto pinta o Brasil como o país perfeito, de economia invejável e infra estrutura copiada pelas principais nações do mundo, muito diferente da sofrida Bruzundanga, com suas graves mazelas - este sim claramente baseado no Brasil real.

 Ocasionalmente vemos romances nacionais transformados em HQs, mas é muito raro vermos uma HQ que tome como base para criação de seus heróis, historias da literatura e da tradição oral dos mais de 300 povos brasileiros, traduzidos em situações de perder o fôlego, por este incansável estudioso dos temas brasileiros. Pagano narra com estilo próprio a saga de heróis improváveis e charmosos, vilões poderosos e misteriosos, vivamente mal-intencionados e de poderes praticante insuperáveis. O traço acadêmico, que Pagano domina com maestria, aparece aqui na forma de traços de mão solta, simples e trêmulos, como mero expediente refinado de um grande contador de historias.

Alem da Monkix, a obra ainda pode ser encontrada nas livrarias geeks da cidade de São Paulo, bem como na loja virtual PopUp Draw

Divirta-se

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Antropogistonia pode ser tão perigosa quanto um holocausto nuclear

Antropogistonia é a paralisia das pessoas no planeta Terra, uma lacuna entre a ação e a ideação,
 que poderia nos levar a aniquilação total
Todos nos sabemos a importância de reciclar o lixo, de combater a dispersão indiscriminada de CO2 na atmosfera e o quanto a vida nesse nosso pequeno planeta é frágil, e ainda assim, nos mal começamos a desenhar políticas que garantam a qualidade de vida para as nossas futuras gerações.

read this article in English

A devastação que os antigos Maias provocaram em suas terras, junto com a derrubada indiscriminada de arvores para construção de seus templos, provocaram uma seca centenária, que os fizeram responsáveis diretos pela degradação de sua micro região, cuja o preço foi a extinção de sua própria civilização. Os Rapa Nui da ilha de Páscoa e os povos da mesopotâmia, também cometeram o mesmo erro.  Diferentemente desses povos, nos temos a exata consciência dos riscos de nossas atitudes e ainda assim, continuamos no curso da autodestruição.

A pergunta que se faz é “Por que não paramos agora com atitudes autodestrutivas e criamos regras e estratégias serias, com o propósito de garantir o bem estar de nossas gerações futuras, para por exemplo, daqui a 500 anos?

A biomimética nos dá a resposta, trata-se da Antropogistonia (do grego - οι άνθρωποι της Γης; povo da Terra, e do latim ‘tonus’ do Latin; tensão) termo usado pelo blog Blemya, para descrever a paralisia das pessoas do planeta Terra, devido a tensão causada pelo pânico, que as impossibilita de ter atitudes mediante a um problema evidente.
Um sarué se fingindo de morto - Playing possum

Playing possum (fingir-se de morto tal qual um sarué), ou a imobilidade tônica (em inglês; Tonic immobility - TI) é um comportamento o qual alguns animais se tornam temporariamente paralisados e sem resposta a estímulos externos. Na maioria dos casos, isso ocorre em resposta a uma ameaça extrema, como a de ser capturado por um suposto predador. Esta morte aparente pode ser utilizada como um mecanismo de defesa ou como uma forma de mimetismo de ultimo recurso, ocorrendo naturalmente numa grande variedade de animais. Tal comportamento ficou popular depois de aparecer num episodio da serie de TV Mythbusters, no qual uma cabra miotônica, condição também conhecida como o bode ‘desmaio-de-cabra’, congela os músculos por cerca de 3 segundos quando o animal se sente pânico, e como resultado o animal entra em colapso, e caia de lado com as patas rígidas.

Outra possibilidade é a de que temos um vão entre ação e ideação, causado pela nossa falta de capacidade de aplicarmos a inteligência em seu âmbito mais completo.  De acordo com Neil deGrasse Tyson, divulgador cientifico da serie COSMOS, levando em consideração o tempo em que surgiu a vida na terra, nossa inteligência é extremamente recente e não faz parte ativa de nossos reflexos de sobrevivência. Ainda não sabemos bem como lidar com ela, um bom exemplo é a forma que a inteligência de milhões de pessoas foram e ainda é ingenuamente manipulada por lideres políticos e/ou religiosos, para os mais diversos fins.

Um predador ao avistar sua presa, instintivamente fica contra o vento, se esconde na relva e cria estratégias de caça bem formuladas por reflexo. No nosso caso, esse vão entre o que sabemos ser o certo por raciocínio, e a efetiva colocação dessas estratégias em pratica nos torna estáticos.

A alegação recorrente é que a profilaxia é cara. Bom então espere para ver o preço dos remédios – medidas de controle ecológico como a despoluição e manutenção de vida nos rios, a responsabilidade das empresas reciclarem suas próprias embalagens apos o uso do consumidor (extended producer responsibility - EPR), entre outras, realmente podem ter custos adicionais que afetem o resultado final das empresas, mas acredite, o remédio pode ser exponencialmente mais caro conforme o tempo passa.

Nos estamos confortáveis em um sistema econômico que surgiu quando o ar, os rios e os mares pareciam ser recursos ilimitados e que jamais seriam alvo de algum dano causado por nós. Seguimos nosso curso míope, com fins evidentemente fatais, esperando que alguém mude as regras do jogo. A triste conclusão que nossa civilização antropogistônica talvez chegue é que talvez isso nunca possa acontecer.

A cura para antropogistonia pode ser encontrada também com a ajuda de estudos biomiméticos, mas nós já estamos conscientes sobre a nossa doença, pelo que podemos ter a chance de curar-nos inserindo-nos, cada um de nós no processo de cura individual da natureza.

Blemia Powered by Google

Google