sábado, 6 de agosto de 2022

CAUIM a solução brasileira para preservar biomas enaltecer as nossas culturas e ainda criar uma próspera nova economia

 
Luiz Pagano, criador do CAUIM industrial, encostado em uma samaumeira centenária na ilha de Cumbu, floresta amazônica

Existe um ativo brasileiro inexplorado, com enorme potencial econômico, escalável, capaz de se transformar num forte agente de mudanças sociais, com poder de enaltecer a cultura brasileira no exterior e ainda promover grande vantagem estratégica na preservação de aldeias indígenas brasileiras e consequentemente, nossos ameaçados biomas – O CAUIM. 


  É importante que se diga que o CAUIM, bebida 100% fermentada de mandioca é produzida em grande parte do território brasileiro, pelas mais de 305 etnias restantes e provavelmente foi produzido por centenas de outras já extintas, milênios antes da chegada dos colonizadores europeus.

 Até hoje é consumida como parte de rituais, que se diferenciam entre as nações indígenas, pertencentes de antigas tradições orais, preservadas por anciões – essa bebida e todo seu contexto cultural/religioso não deve, de forma nenhuma ser reduzida a elemento de comércio - não é disso que estamos falando aqui.

 Me refiro a uma bebida produzida comercialmente, cuja a amilase salivar, usada nas aldeias indígenas, fora substituída por processos industriais, frutos do trabalho que venho fazendo, junto a um reduzido grupo de estudiosos e que deu origem ao Cauim Tiakau.

COMO O CAUIM PODE SER ESSE AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO

 No Brasil enfrentamos uma dura realidade, a floresta amazônica, o pantanal, o cerrado, a mata atlântica e outros biomas brasileiros estão em constante risco, e se tornaram palco para disputas políticas nacionais e internacionais.

 Isentando o papel político, existem diversos agentes que corroboram para isso, tais como os garimpeiros, grileiros, madeireiros, fazendeiros predatórios e invasores em geral, que são agentes motivados, violentos e detentores de recursos financeiros, que lhes permite bancar bons advogados, lobistas, e meios corruptos para perpetuarem suas ações.

 Os povos indígenas, os grandes defensores das nossas matas, estão nua e cruamente expostos a esse pesadelo, correm risco de serem dizimados impiedosamente, numa batalha desesperadora e quase sem perspectivas de vitorias. Para piorar a situação, muitas aldeias optam pela tradição oral, de forma que essas etnias podem desaparecer sem ao menos deixar registro cultural de sua existência.
 Não se protege a floresta ou as etnias, colocando uma cúpula sobre elas, a idéia é fortalecer as chamadas células de preservação individualmente, através de capacitação intelectual e monetária.
 A ajuda externa fornecida pela FUNAI, ICMBio, ONGs e outras instituições são dignas de elogio, mas ainda assim insuficientes no atual cenário. O ideal seria ter as células de preservação robustas e eficientes, em todas as esferas sociais, sem que para isso perca sua essência - o Cauim cumpre perfeitamente essa função.

 CUSTOS DE PRODUÇÃO E VIABILIZAÇÃO

 Quanto a matéria prima, o único pré-requisito é a mandioca, matéria prima básica, seja produzida em aldeia indígena, com a mandioca plantada em meio a floresta por meio de sistema agroflorestal, sem que arvores sejam derrubadas, de forma que não se caracterize como monocultura.
 A produção pode ser bem pequena, num primeiro momento, sempre em harmonia com a natureza, sem pesticidas, de forma que sua escassez justifique preço premium, tal como acontece com bebidas produzidas na região de Champagne;
 

 A estrutura básica de uma unidade de produção não é diferente das micro cervejarias de fundo de quintal, bastante comum nos últimos anos. Para produção de 100 litros de Cauim precisa-se de panela de cocção, uma dorna de 100 litros e chiller, orçados em aproximadamente R$60.000,00;
 Garrafas de vidro deverão ser bem características e retornáveis, a logística reversa poderá ser um ponto obrigatório nas plantas de produção.

 A princípio teremos uma estrutura de negócios em São Paulo, no primeiro momento, que poderá se expandir para outras regiões do Brasi – no entanto, nada impede que o negocio cresça de forma orgânica, em região diferente, conforme dinâmica e necessidade do investidor / etnias aderentes ao projeto.

 Isso posto, gostaria que soubessem que a primeira vez que obtive sucesso com a sacarificação e fermentação da mandioca, foi num feriado de Nossa Senhora, com minhas experiências em meu estúdio. 

 Depois disso, coincidentemente obtive grandes avanços no projeto nessa mesma data nos anos seguintes, uma delas na unidade da Pernod Ricard de Rezende, próximo ao Santuário de Aparecida – Assim sendo sugiro como padroeira para esse projeto Nossa Senhora de Aparecdia.
 Se você tem interesse em viabilizar esse projeto, por favor, procure a mim, @luizpagano ou os meus parceiros nessa empreitada, Hildo Sena e Cassio Cunha.
 
T'ereîkokatu ('cheers' em Tupi Antigo).

sexta-feira, 13 de maio de 2022

TUPI o Drink com Cauim e Hidromel

  



Neste World Cocktail Day, 13 de maio - eu criei um drink 100% brasileiro, que infelizmente poucos, ou quase ninguém, pode beber(…por hora)


Receita 
-1 shot de Cauim 100% de mandioca;
-1 shot de Hidromel (Tukanaira) Seco;
- Ornado com pó de guaraná Sateré Mawé Çapó.

Taça ISO
- ….
Eu batizo o drink com o nome de TUPI.

——

Luto para que um dia esses todos nós possamos nos unir e brindar a brasilidade com o Tupi
T’ereikokatu!!!!

*Cauim é um projeto de Luiz Pagano que visa trazer para o grande público a bebida brazileira mais antiga, 100% fermentada de mandioca.

——

Barmans e mixologistas devem achar estranho o pó de guaraná em todo o copo… eu posso explicar - 

- - além do aroma maravilhoso, a taça fica parecendo uma casaca de cupuaçu! 

Reforça a experiência sensorial de brasilidade

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Igreja Católica, melhor maneira de aprender negócios internacionais Pai Nosso a melhor maneira de aprender línguas

 

A maneira como a Igreja Católica administra seus negócios para eleger um novo papa e responder a escândalos foi recentemente analisada em artigos como os escritos por Marcus Fisher para Fast Company, pelos blogueiros Shumpeter para a revista The Economist, o jornal da Wharton EUniversity - Liderança e mudança, etc. conforme visto em Lições a serem tiradas da mais antiga empresa multinacional do mundo – A Igreja Católica

 Se você está estudando Negócios Internacionais e/ou idiomas, sugiro fortemente que busque os registros dessa antiga instituição, um império multibilionário, com receita anual de US $ 182 bilhões, com 1.200 bilhões de clientes.


É especialmente bom se você estudar linguística, mais de 1 milhão de funcionários espalhados em escritórios em 179 países em todo o mundo fornecerão a você o material mais preciso sobre idiomas e cultura.

Considero a Oração do Pai Nosso a melhor ferramenta existente para aprender línguas, por vários motivos:

1- Se você é filho de católicos e sua mãe lhe ensinou a orar desde muito jovem, seu cérebro recebeu a primeira referência correta de um idioma, com sintaxe perfeita, noções de pronúncia e entonação de voz;
2- Se você aprender um novo idioma a partir do Pai Nosso, você estará repetindo um antigo aprendizado em um novo idioma, tornando-o familiar;
3- Repetindo sem parar, você estará treinando músculos da boca, que não usa no dia a dia, falando sua língua nativa ... entre outros motivos.

Primeiro a versão original

É dificil saber quais palavras Jesus usou, posto que ele não deixou seu evangelio de próprio punho, no entanto os evangelistas Mateus  (6:9-13) e Lucas (11:2-4) deixaram relatos de como seriam as palavras que jesus usou:

Em ambos os Evangelhos, o texto deixa transparecer que Jesus está ensinando um modelo de oração para que os seus discípulos podessem ter um padrão para suas devoções diárias, quer individuais, quer coletivas.

As primeiras versões desses textos nos chegaram em Grego:

Πάτερ ἡμῶν ὁ ἐν τοῖς οὐρανοῖς·
Pater hêmôn ho en toes ouranoes; 

ἁγιασθήτω τὸ ὄνομά σου·
hagiasthêtô to onoma sou; 

ἐλθέτω ἡ βασιλεία σου·
hagiasthêtô to onoma sou; 

γενηθήτω τὸ θέλημά σου,
hagiasthêtô to onoma sou; 

ὡς ἐν οὐρανῷ καὶ ἐπὶ τῆς γῆς·
hôs en ouranô, kae epi tês gês. 

τὸν ἄρτον ἡμῶν τὸν ἐπιούσιον δὸς ἡμῖν σήμερον·
ton arton hêmôn ton epiousion dos hêmin sêmeron; 

καὶ ἄφες ἡμῖν τὰ ὀφειλήματα ἡμῶν,
kae aphes hêmin ta opheilêmata hêmôn, 

ὡς καὶ ἡμεῖς ἀφίεμεν τοῖς ὀφειλέταις ἡμῶν·
hôs kae hêmeis aphiemen toes opheiletaes hêmôn; 

καὶ μὴ εἰσενέγκῃς ἡμᾶς εἰς πειρασμόν,
kae mê eisenenkês hêmas eis peirasmon,

ἀλλὰ ῥῦσαι ἡμᾶς ἀπὸ τοῦ πονηροῦ.
alla rhysae hêmas apo tou ponerou. 

[Ὅτι σοῦ ἐστιν ἡ βασιλεία καὶ ἡ δύναμις καὶ ἡ δόξα εἰς τοὺς αἰῶνας.
ἀμήν.]
hoti sou estin hê basileia kae hê dynamis kae hê doxa eis tous aeônas; 
amên.

que logo em seguida foir traduzido para o Latim

PATER noster, 
qui es in caelis, 
sanctificetur nomen tuum. 
Adveniat regnum tuum. 
Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. 
Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, 
et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. 
Et ne nos inducas in tentationem, 
sed libera nos a malo. 
Amen.


Estudiosos tentam resgatar o idioma aramaico, falado na época de Cristo, bem como o alfabeto usado na Galileia at'é o ano 100 dC


Em Aramaico

Standard edition of Syriac text of Peshitta[b]
1. ܐܒ݂ܘܢ ܕ̇ܒ݂ܫܡܝܐ‎
(ʾăḇūn d-ḇa-šmayyā)
2. ܢܬ݂ܩܕ݁ܫ ܫܡܟ݂‎
(neṯqaddaš šmāḵ)
3. ܬ݁ܐܬ݂ܐ ܡܠܟ݁ܘܬ݂ܟ݂‎
(têṯē malkūṯāḵ)
4. ܢܗܘܐ ܨܒ݂ܝܢܟ݂ ܐܝܟ݁ܢܐ ܕ݂ܒ݂ܫܡܝܐ ܐܦ݂ ܒ݁ܐܪܥܐ‎
(nēhwē ṣeḇyānāḵ ʾaykannā ḏ-ḇa-šmayyā ʾāp̄ b-ʾarʿā)
5. ܗܒ݂ ܠܢ ܠܚܡܐ ܕ݂ܣܘܢܩܢܢ ܝܘܡܢܐ‎
(haḇ lan laḥmā ḏ-sūnqānan yawmānā)
6. ܘܫܒ݂ܘܩ ܠܢ ܚܘ̈ܒ݁ܝܢ ܐܝܟܢܐ ܕ݂ܐܦ݂ ܚܢܢ ܫܒ݂ܩܢ ܠܚܝ̈ܒ݂ܝܢ‎
(wa-šḇoq lan ḥawbayn ʾaykannā ḏ-ʾāp̄ ḥnan šḇaqn l-ḥayyāḇayn)
7. ܘܠܐ ܬ݂ܥܠܢ ܠܢܣܝܘܢܐ ܐܠܐ ܦ݂ܨܢ ܡܢ ܒ݁ܝܫܐ‎
(w-lā ṯaʿlan l-nesyōnā ʾellā p̄aṣṣān men bīšā)

Abwûn d’bwaschmâya
Nethkâdasch schmuuch
Têtê— malkuthach
Nehwê tzevjânach 
Aikâna d’bwaschmâya’f b’arha
Hawvlân lachma d’sûnkanân yao-mâna
Wasbokân chaubên 
wachtahên aikâna daf chnân schvoqan l’chaijabên
Weyla tachlân l’nesjuna ela patzân min bischa
Metul dilachie malkutha wahaila
wateschbuchta l’ahlâm almîn.
Amên
Em Hebraico

אבינו שבשמים יתקדש שמך
Avinu shebashamayim, yitkadesh shimkha,
תבוא מלכותך יעשה רצונך
Tavo malkhutkha, ye'aseh rtsonkha
כאשר בשמים: גם בארץ
kvashamayim ken ba'arets.
את לחם חוקנו: תן לנו היום
Et lekhem khukeynu ten lanu hayom,
ומחל לנו על: חובותינו כאשר מחלנו גם אנחנו לחיבנו
uslakh lanu al khateynu kfi shesolkhim gam anakhnu lakhotim lanu.
ואל תביאנו לידי נסיון
V'al tvi'eynu lidey nisayon
כי אם תחלצנו מן הרע
ki im khaltseynu min hara.
כי לך הממלכה והגבורה: אמן:
Ke lakha, hamamlakha, vehageverah, veha tiferet l’olemei ‘olamim. Amein.

Então, aqui está o "Pai Nosso" em alguns idiomas diferentes - divirta-se:

Em Português

Pai Nosso que estais no céu
Santificado seja o vosso nome
Venha nós ao vosso reino
seja feita vossa vontade assim na terra como no céu
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
E perdoais as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido
E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal
Pois teu é o reino, o poder e a glória, para todo o sempre
Amém

Japonês

天におられるわたしたちの父よ、
Ten ni orareru watashitachi no chichi yo 
 み名が聖とされますように。
Mina ga sei to saremasu you ni
  み国が来ますように。
Mikuni ga kimasu youni
  みこころが天に行われるとおり
Mikokoro ga ten ni okonawareru toori
  地にも行われますように。
chi nimo okonawaremasu youni
わたしたちの日ごとの糧を
Watashitachi no higoto no kate wo
  今日も お与えください。
kyou mo oatae kudasai
  わたしたちの罪をおゆるしください。
Watashitachi no tsumi wo yurushi kudasai
  わたしたちも人をゆるします。
Watashitachi mo hito wo yurushi masu
  わたしたちを誘惑におちいらせず、
Watashitachi wo yuuwaku ni ochiirasezu
  悪からお救いください。
Aku kara osukui kudasai

Russo

Отче наш , сущий на небесах 
Otche nash , sushchiy na nebesakh
Да святится имя Твое ; 
Da svyatitsya imya Tvoye
Да придет Царствие Твое 
Da pridet Tsarstviye Tvoye
да будет воля Твоя и на земле как на небе ; 
da budet volya Tvoya i na zemle kak na nebe
Хлеб наш насущный дай нам на сей день ; 
Khleb nash nasushchnyy day nam na sey den'
И прости нам долги наши Как и мы прощаем должникам нашим , 
I prosti nam dolgi nashi Kak i my proshchayem dolzhnikam nashim
не введи нас в искушение , Но избавь нас от лукавого . 
ne vvedi nas v iskusheniye , No izbav' nas ot lukavogo
Ибо Твое есть Царство и сила и слава во веки . Аминь .
Ibo Tvoye yest' Tsarstvo i sila i slava vo veki . Amin'

Francês

Notre Père qui es aux cieux
Que ton Nom soit sanctifié
Que ton règne vienne,
Que ta volonté soit faite sur la terre comme au ciel.
Donne-nous aujourd’hui notre pain de ce jour;
Pardonne-nous nos offenses,
Comme nous pardonnons aussi à ceux qui nous ont offensés;
Et ne nous soumets pas à la tentation,
Mais délivre-nous du Mal.
 Car c’est à toi qu’appartiennent, le règne, la puissance et la gloire, pour les siècles des siècles. 
Amen.

Alemão

Vater Unser im Himmel,
Geheiligt werde Dein Name,
Dein Reich komme,
Dein Wille geschehe,
wie im Himmel so auf Erden.
Unser tägliches Brot gib uns heute.
Und vergib uns unsere Schuld,
wie auch wir vergeben
unseren Schuldigern.
Und führe uns nicht in Versuchung,
sondern erlöse uns von dem Bösen.
Denn Dein ist das Reich und die Kraft
und die Herrlichkeit in Ewigkeit.
Amen.


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Tupi-rerekoara - a Ordem Canibal Seita Tupínica

 Orígens


Logo da Ordem Tupi-Rerekoara, com as três pirâmides do Îaraguá tatuadas na testa

Tupi-Rerekoara significa "os Protetores Tupi" em Tupi Antigo - conhecidos como "os derradeiros remanescentes de Îagoanharó" é uma crença que acompanhou a aurora do cristianismo, em paralelo à catequização performada pelos jesuítas no Brasil, uma seita ritualística autentica brasileira, secreta e antiga. Manateve-se escondida por quase 500 anos, só tendo sido revelada ao mundo em 2021 após a investigação de uma série de relatos de canibalismo ritualístico, em várias cidades brasileiras.

Muitos estudiosos equivocados a chamavam de seita canibal, pelo fato de os praticantes da seita serem adeptos da antropofagia. Exite uma grande diferença entre o canibalismo hedônico e a atropofagia ritualística, que pode ser dividida em exofagia (comer o inimigo) ou endofagia (comer membros da própria tribo ou família), que está atrelada a conceitos culturais antigos de etnias brasileiras. 

Estranhamente, nenhum membro da Ordem Tupinica Antropófaga jamais foi preso pelo ato em si, pois o canibalismo não é crime, por isso ninguém é acusado de canibalismo, matar alguém sim é crime (homicídio).

O leitor que uma hora dessas já deve estar horrorizado, saiba que trata-se de uma seita fictícia, parte das historias contidas nas histórias em quadrinhos dos Heróis da Bruzundanga. Isso posto, podemos seguir com o artigo.

Atribui-se a fundação da Seita Tupínica, Ordem dos Proterores Canibais ao guerreiro Jaguaranho, filho de Piquerobi, irmão de Tibiriçá. Diz a tradição que, inconformado com a aliança entre Tibiriçá e os Portugueses, Jagoanharo alinhou-se aos Guarulhos, Guaianás e Carijós, para permitir a traição de Tibiriçá e consequente expulsão dos portugueses da aldeia do Inhauambuçu, região atual do triângulo histórico de São Paulo, bem como a destruição do Pátio do Colégio. 

Subjugados pela superior força da aliança dos Tupi-Portuguesa, a coalizão indígena foi derrotada em 09 de julho de 1562, no chamado Cerco de Piratininga. 

Simbologia 

Tibiriçá, como um recente bom cristão, resolveu poupar as vidas do irmão e sobrinho, e liberá-los nas Serra da Pirucaia, sem que os portugueses soubessem - Importante que se diga que Tibiriçá era conhecido por uma pintura característica, com olhos nas nádegas, que o tornava imune às traições, pois era capaz de enxergar quem o atacava por trás (do Tupi Antigo - tebira - nádegas e esá - olho). 

Feridos, pai e filhos acharam refúgio em meio a um grupo de Tupinambá, moradores da Serra, que os salvaram da morte. Esse pequeno grupo de varias etnias nativas resolveu se juntar para guardar as tradições 'Tupi', sem jamais se deixar ceder para a cultura europeia conquistadora. 

O primeiro ato da Ordem Tupi foi a retaliação contra a invasão portuguesa nas margens do Kururipe, que ocorreu por parte dos K'aaetés em 16 de junho de 1556, quando fizeram o ritual de canibalização do Bispo Sardinha e mais outros 90 Karaíbas.


Para criar sua própria identidade, os agora chamados de Tupi-Rerekoara, adotaram a pintura do guardião das três montanhas, duas do pano terreno, como a do Jaragua, viradas para a terra, o plano dos homens, tal como o Pico do Jaraguá (Guardião do Vale), visível da aldeia, e a terceira voltada para cima, , no plano dos espíritos. Identificados com o símbolo das três pirâmides do Jaraguá.

A seita continuou suas atividades na obscuridade, alguns iniciados tatuavam as três Serras do Îaraguá em seus rostos, suas nádegas ou ainda, colocavam o símbolo na faxada de suas casas. 

Trajetória

Alem de serem guardiões das culturas ancestrais, os "Rerê", como são conhecidos entre si, combatem os males do caráter humano, detestam todas as formas de traição, principalmente a corrupção, presentes na administração pública das sociedades modernas - era muito comum encontrar políticos indígenas expondo publicamente políticos corruptos, que foram previamente julgado pela ordem, mostrando à mídia o meio de corrupção, tal como o dinheiro oferecido, devolvendo o mesmo e por fim, matando e devorando o réu.

A ordem sempre manteve ramificações na maior parte dos países americanos, asiáticos, africanos e europeus, mas o número total de membros parece nunca ter sido superior a 1200. 

Os Tupi-Rerekoara Modernos

Pouca evidência pode ser encontrada para apoiar a hipótese de que o grupo Tupi-Rerekoara tenha sobrevivido até o século XIX. Contudo, diversos grupos têm usado sua fama desde então para criar seus próprios ritos, alegando serem os Tupi-Rerekoara, incluindo a Ordo Rerekoara, Die Alten Beschützer der Indianer e a De antiquis Ordinis Tupinakyîa.


Sacerdotisa da Ordem Tupi-Rerekoara, seita de preservação da Cultura Tupi Antiga. Os rumores são de que ainda praticam a antropofagia ritualística

Existem rumores que até hoje os Rerê continuam a julgar e devorar inimigos, más como eles tem grande experiência em esconder seus feitos e seguem rigidamente as tradições orais, não há registros de seus feitos. 

Leia essa e outras histórias nas HQs Heróis da Bruzundanga de Luiz Pagano, baseadas nas obras de Lima Barreto.

- Importante reslatar que o autor condena e repudia atos de violencia, trata-se de uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.




segunda-feira, 10 de maio de 2021

Nova Aculturação Indígena Sobre Anterior Aculturação Colonizatória Portuguesa no Brasil


Não é novidade que a chegada dos portugueses ao Brasil, bem como a consequente colonização, pôs fim a várias tradições ancestrais das múltiplas nações indígenas que aqui viveram, também não é novidade que tenho muito interesse em reviver parte desta perda pela devida valorização da cultura desses povos, seja pelo estudo e resgate do Tupi Antigo, língua ancestral ligada ao Nheengatu, Lingua Geral Brasileira e Paulistana, amplamente falada em praticamente todo o território brasileiro, até sua proibição em 17 de agosto de 1758, quando a língua portuguesa passou a ser a língua oficial do Brasil, por decreto do Marquês de Pombal; ou seja pelo resgate o Cauim, bebida alcoólica obtida pela sacarificação e co-fermentação simultâneas da mandioca, produzida de forma ritualística por praticamente todas as culturas indígenas brasileiras; ou seja ainda, pela mera coleta e disponibilização de informações centralizadas sobre as etnias resistentes que ainda sobrevivem hoje.


Está claro que as culturas perdidas nunca serão resgatadas exatamente como eram quando foram sobrepostas por culturas portuguesas, as perdas foram massivas inestimáveis e irreparáveis, dramaticamente dizimadas - muito se perdeu em tradições orais que nunca mais serão ouvidas nas suas línguas nativas, nem mesmo nas línguas faladas nos dias de hoje.

Outro ponto extremamente importante a ser bem observado é que o desenvolvimento do Cauim como bebida para consumo recreativo, nada tem a ver com o Cauim e a Cauinágem, promovidos e celebrados até hoje nas aldeias como parte de elaborados rituais ancestrais. A Cauinágem é realizada de forma ritualística por múltiplas etnias dentro de todo o território nacional, a bebida tem vários nomes, tais como, Caxirí, Chicha, Saki, Makaloba, etc. são produzidos principalmente a partir da sacarificação da mandioca por meio da amilase salivar, e os rituais variam enormemente de cultura para cultura, merecendo o mais profundo respeito e admiração.

Já o 'Cauim Industrial' tem esse nome por definição da língua portuguesa, com base no idioma Tupi Antigo, só é obtido por processos industriais modernos, oriundos de estudos e experiências realizados a partir do ano 2000, até hoje, parte delas concebidas por Luiz Pagano, como mero veículo cultural de resgate, em meio ao movimento artístico denominado 'Tupi-Pop'.

No evento Capivara Parade de 2016, Luiz Pagano realizou uma ação baseada no Cow Parade, com o objetivo de conscientizar a cidade de Curitiba da importância de se ter cidades em plena harmonia com a natureza - As Capivaras chegam aos poluídos rios das maiores cidades brasileiras para nos lembrar que devemos respeitar conviver com o meio ambiente

A Cauínagem e o Cauim jamais devem ser reduzidos a um mero produto recreativo denominado 'bebida alcoólica com fermentação de mandioca'.

Por outro lado, após anos de experiência trabalhando com produtores franceses de bebidas alcoólicas, velhos e tradicionais mestres na transmissão de cultura por meio de alimentos e bebidas, usando harmonizações elaboradas combinadas com incríveis storytellings, Pagano percebeu que Cauim Industrial tem o potencial de ser o perfeito embaixador das tradições indígenas ancestrais, um veículo indelével para valorizar culturas há muito desprezadas, ridicularizadas e tratadas com preconceito por grande parte dos próprios brasileiros.

Para dar continuidade a este ambicioso projeto, trago aqui algumas teorias sobre técnicas de aculturação que devem ser bem estudadas e dominadas, apresentadas pela Association For Consumer Reserarch ( https://www.acrwebsite.org/volumes/11461/volumes/e01/E -01 )

O objetivo deste artigo é focar em como os fatores ambientais culturais mediados pelo indivíduo podem influenciar sua aculturação de consumo. Ao fazer isso, usaremos a abordagem a seguir. Em primeiro lugar, são discutidos os conceitos básicos necessários para capturar o fenômeno sob investigação, ou seja, a aculturação do consumidor e os fatores que influenciam a sua ocorrência. Em seguida, desenvolve-se uma perspectiva para orientar nossa investigação enfatizando barreiras e incentivos para adaptar as atividades de consumo do indivíduo ao novo ambiente cultural, decorrentes das diferenças entre a cultura de origem e o novo contexto cultural. Em seguida, procedemos identificando elementos desses contextos culturais e discutindo como eles podem exercer influência na aculturação do consumidor formulada como proposições.

A multidimensionalidade e a complexidade da cultura foram descritas de muitas maneiras. Kroeber e Kluckhan (1952) em seu esforço seminal para definir o conceito afirmaram que:

O artista conceitual Luiz Pagano criou o estilo Tupi-Pop como forma de promover a aculturação por meio da arte. Neste site, ele listou mais de 240 grupos étnicos para facilitar o estudo no ensino médio e fundamental - "nós apenas protegemos o que amamos e apenas amamos o que sabemos"

CC, achamos que a cultura é um produto; é histórico; inclui ideias, padrões e valores; é seletivo; é aprendido; é baseado em símbolos; e é uma abstração do comportamento e dos produtos do comportamento. CC Todas as culturas são, em grande parte, compostas de maneiras abertas e padronizadas de se comportar, sentir e reagir. Mas as culturas também incluem um conjunto característico de promessas não declaradas e categorias que variam muito entre as sociedades (p. 157).

Esta citação reflete as crenças de que a cultura é aprendida e compartilhada com outras pessoas, e influencia não apenas como uma pessoa se comporta, mas também como espera que a outra se comporte. A melhor maneira de compreender a cultura e de explicar o funcionamento da cultura mudou ao longo dos anos. Por exemplo, muitos antropólogos agora preferem o termo "decretado" (em vez de aprendido), que reconhece que as pessoas não apenas aceitam passivamente a cultura, mas a criam ativamente (cf. Keesing 1974; Swidler 1986).

Swidler (1986) em sua análise penetrante vê a cultura como moldando um repertório ou "kit de ferramentas" de hábitos, habilidades e estilos a partir dos quais as pessoas constroem "estratégias de ação" (p. 273). Para agir propositalmente, o indivíduo precisa de conhecimento procedimental e contextual, ou seja, conhecimento específico de domínio que permita a "racionalidade contextual" (março, 1978, p. 592), além de regras e procedimentos para exibir "racionalidade procedimental" (Simon 1978, p. . 8). A aquisição de um repertório de hábitos e habilidades, conforme proposto por Swidler (1986), reflete a crença de que o conhecimento relevante para exibir um comportamento intencionalmente racional pode ser aprendido ou executado em um contexto específico, e que esse conhecimento pode ser (mais ou menos) limitado pelo contexto.

Os quadrinhos são veículos perfeitos de aculturação entre os jovens - no caso, o herói Visconde Quaresma, serve Cauim (Heróis da Bruzundanga, volume 1 - Luiz Pagano) 


Aculturação

A aculturação foi conceituada de várias maneiras em pesquisas anteriores. Redfield et al. (1936), por exemplo, define este conceito como:

"... aqueles fenômenos que resultam quando grupos de indivíduos com culturas diferentes entram em contato direto, com mudanças subsequentes nos padrões de cultura originais..." (p. 149).

Em seu seminário de verão em 1954, o Conselho de Pesquisa Social propôs a seguinte definição:

"... mudança cultural que é iniciada pela conjunção de dois ou mais sistemas culturais autônomos..." (SSRC 1954, p. 974)

Um exame mais atento das duas definições revela que um pré-requisito para a aculturação é o contato entre dois (ou mais) grupos de culturas diferentes. A primeira das definições citadas afirma que o contato "de primeira mão" é necessário para que a aculturação ocorra. A definição do SSRC é mais ampla, pois afirma que

"A mudança de aculturação pode ser consequência da transmissão cultural direta; pode ser derivada de causas não culturais, como modificações ecológicas ou demográficas induzidas por uma cultura invasora;.." (p. 974)

Deve-se notar também que o termo contato cultural muitas vezes é usado no lugar de aculturação, a fim de enfatizar que o imigrante, não apenas a cultura de acolhimento, ajuda a modificá-la, ou seja, o resultado do contato cultural é uma influência bidirecional (Furnham e Bochner, 1986).

A aculturação implica em mudança(s). A cultura é um fenômeno complexo que consiste em uma variedade de elementos culturais. Vários elementos culturais são gradualmente aprendidos, adotados ou rejeitados (Berry, 1980). Isso também se reflete em pesquisas anteriores que concebem a aculturação como um processo. Uma nova cultura pode ser aprendida (e adotada) mais ou menos plenamente. Quando a nova cultura é aprendida na medida em que o recém-chegado é aceito como um membro genuíno da nova cultura, diz-se que ele é assimilado. Mesmo que a aculturação possa ocorrer entre os dois (todos) grupos com diferentes origens culturais que se encontram, o foco aqui será principalmente nos indivíduos que cruzam as fronteiras, ou seja, os recém-chegados frequentemente enfrentam a nova situação como minorias culturais.

Comportamento do consumidor

Os consumidores e seus comportamentos representam uma importante arena de investigação, que há muito atrai pesquisadores de várias disciplinas. Diversas definições de comportamento do consumidor aparecem na literatura sobre comportamento do consumidor. As definições oferecidas variam em escopo e largura [A maioria das definições enfoca o indivíduo, enfatizando o comportamento do consumidor como tomada de decisão (por exemplo, Assael, 1984), e não enfatizando o aspecto social deste comportamento (para uma exceção, ver Zaltman e Wallendorf, 1983). Além disso, não é injusto dizer que pesquisas anteriores sobre o comportamento do consumidor demonstraram um forte viés em relação ao comportamento antes da compra (cf. Arndt, 1976).]. 

No evento denominado Projeto Tembiu, realizado em São Paulo, Luiz Pagano viajou com mixologistas da Pernod Ricard Brasil para Belém e trouxe mais de 100 elementos da floresta amazônica para barmen e mixologistas de todo o Brasil

O comportamento do consumidor pode ser concebido como um processo, incluindo aquisição (ou seja, reconhecimento de problemas de compra, comportamento de busca, avaliações e execução de compras), uso e descarte de bens. Os consumidores procuram produtos e serviços para satisfazer necessidades específicas. 

Segundo Boyd e Levy (1962), os consumidores enfatizam objetivos específicos relacionados ao seu sistema de consumo. Assim, os consumidores tornam-se compradores para obter algo; ou seja, a compra  (o uso e descarte) de bens podem ser vistos como meios para atingir metas de consumo específicas, sejam elas quais forem. Atividades de consumo, incluindo metas de consumo e significado simbólico de bens (Levy, 1981), são aprendidas e moldadas em um contexto cultural. Um aspecto importante do contexto cultural é o ambiente de produto / serviço no qual o consumidor está inserido. O indivíduo está imerso em um contexto cultural ao longo de toda a vida, assim como suas atividades de consumo. Por meio da observação, imitação e interação com agentes socializadores, os indivíduos aprendem a cultura criada e são socializados como consumidores (Moschis, 1984). A aculturação do consumidor se refere ao subconjunto da aculturação relacionada às atividades de consumo.

Uma Perspectiva

A aculturação implica, como observado acima, mudanças, assim como a aculturação do consumidor. Vários autores notaram que tais mudanças podem ser estressantes (Padilla, 1980, Furnham e Bochner, 1986). As mudanças estão associadas a esforços e podem exigir novas habilidades para serem concluídas. Ao tomar emprestado da literatura sobre estratégia (por exemplo, Porter, 1980), os indivíduos podem ser concebidos como confrontados com várias barreiras para fazer mudanças de aculturação (cf. Zaltman e Wallendorf, 1983, p. 508), como as empresas quando tentam entrar em novos mercados. Ao ingressar em uma nova cultura, o indivíduo pode se deparar com barreiras por falta de conhecimentos e habilidades, o que pode dificultar a aculturação do consumidor. Também pode haver fatores que ajudam os imigrantes a resistir à aculturação (cf. Mehta e Belk, 1991). O tipo e a "altura" dessas barreiras, quaisquer que sejam, têm implicações sobre quais aspectos do comportamento do consumidor serão alterados, em que ordem e na velocidade das mudanças que ocorrerão ao entrar em uma nova cultura. A compreensão das barreiras enfrentadas pelo consumidor é, portanto, importante para compreender o fenômeno da aculturação do consumidor.

Pode haver várias razões para mudar o comportamento de consumo. Para ser aceito em um novo ambiente cultural, muitas vezes é necessário um comportamento adaptativo, como se reflete no velho ditado: "Quando estiver em Roma, faça como os romanos!" Portanto, o conhecimento dos incentivos à mudança é importante para entender a aculturação do consumidor. Mesmo que o mercado seja de importância crucial para o consumo, ou mais corretamente para a aquisição de bens e serviços, as atividades de consumo podem ocorrer em outros ambientes, por exemplo, em casa, sozinho, junto com a família, amigos, colegas, chefes e clientes. As expectativas de atividades de consumo próprio variam entre as arenas sociais, o mesmo acontecendo com os incentivos para mudar essas atividades. A identificação dos incentivos à aculturação e em que condições eles são eficazes é, portanto, importante para nossa compreensão da aculturação do consumidor.

A cultura inclui entre outras coisas: símbolos, valores, atitudes, conhecimento e comportamento aprendidos e compartilhados. Estar imerso numa cultura implica também estar familiarizado com um determinado ambiente de produto / serviço e instituições sociais, bem como ter relações sociais. As relações sociais são de fato importantes na medida em que informações e normas são transmitidas e aprendidas por meio dessas relações. Estabelecer relações sociais leva tempo e requer habilidades sociais. Para o indivíduo, as relações sociais são importantes e de grande valor pessoal. Segundo Coleman (1988), tais relações podem ser concebidas como "capital social" e também representam uma parte importante do capital humano. Cruzar fronteiras culturais implica que novos ambientes sociais devem ser aprendidos e novas relações sociais criadas.

É natural que os indígenas exijam reparação de tudo de ruim que a colonização portuguesa trouxe - mas a proposta da aculturação não é punir os colonizadores, mas sim promover a valorização dos ancestrais indígenas, revertendo os benefícios às atuais causas indígenas. “Nunca devemos imputar aos portugueses da nova geração a responsabilidade pelos crimes cometidos pelos seus antepassados - o respeito e a pluralidade são a base do sucesso da aculturação”

Oportunidades e situações (ver Belk, 1975) em novos cenários culturais também podem influenciar a aculturação do consumo individual. O comportamento do consumidor e a aculturação do consumidor podem ser concebidos como "totalmente culturais". As inúmeras influências culturais refletidas nos valores aprendidos, atitudes, conhecimentos, comportamentos e oportunidades expostas aoB são de extrema importância para as atividades de consumo do indivíduo. As várias barreiras e incentivos à aculturação do consumidor podem estar relacionados a duas culturas, ou seja, a cultura de origem e a nova cultura encontrada. Com base na discussão acima, a seguinte perspectiva pode ser introduzida.

A Figura 1 deve ser lida como segue. Barreiras e incentivos são construções hipotéticas. Uma variedade de fatores relacionados à cultura de origem e à nova cultura encontrada podem ser percebidos como barreiras e incentivos para o indivíduo em seu processo de aculturação de consumo, influenciando na quantidade, aspectos e velocidade de aculturação das atividades de consumo. Características do contato com a nova cultura, como duração, intensidade e qualidade, podem modificar o efeito dos diversos incentivos e barreiras.

Fatores De Influência e Proposições

Nosso próximo passo é identificar várias classes de elementos culturais relacionados [Observe a largura dos "elementos culturais" abrangendo valores culturais aprendidos, atitudes, conhecimento, comportamento, bem como o contexto, incluindo instituições, ambientes sociais e assim por diante em que o indivíduo está incorporado, onde seu aprendizado cultural é moldado.], e discuta como tais elementos mediados através do indivíduo podem ser relacionadas às construções hipotéticas e subsequente aculturação do consumidor. Também deve ser observado que são as diferenças de cultura que podem levar a mudanças em elementos de cultura aprendidos anteriormente e causar aculturação do consumidor. A seguir, procedemos considerando primeiro questões culturais mais amplas e, em seguida, enfocando aspectos mais específicos e sua relevância para a aculturação do consumidor. Os fatores a serem discutidos são agrupados da seguinte forma:

B Características culturais; ou seja, aspectos que caracterizam as culturas como um todo;

B Elementos estruturais; ou seja, aspectos mais estáveis (permanentes) do contexto cultural que influenciam o indivíduo;

B Linguagem e símbolos; ou seja, aspectos básicos da aprendizagem cultural;

B Valores culturais; isto é, crenças culturais aprendidas pelas quais o indivíduo acha que vale a pena lutar pessoal e socialmente (ver Rokeach, 1968);

B O contexto social (cultural), em que ocorre a socialização e a aprendizagem do consumidor.

B Papéis e situações que ocorrem em contextos socioculturais considerados como influenciadores das atividades de consumo e, portanto, da aculturação do consumidor;

B Alguns correlatos pessoais, presumidos como possuidores de poder descritivo e preditivo para aculturação do consumidor.

Figura 1

Perspectiva De Aculturação Do Consumidor

1. Características culturais

As culturas são caracterizadas e classificadas de várias maneiras. Não pretendemos de forma alguma fazer uma revisão desta literatura, mas nos limitaremos a considerar os seguintes aspectos: prestígio cultural (ou classificação); contexto cultural (alto vs. baixo); distância cultural; e consciência cultural.

a) Pertencer a uma cultura específica confere identidade. Quando confrontado com outras culturas, uma ordem de classificação das culturas pode ser estabelecida. Pertencer a uma cultura pode ser considerado mais atraente do que ser associado a outra. Por exemplo, na virada do século, foi observado entre os imigrantes brancos, por exemplo, da Escandinávia ao vir para a América, a terra da esperança, eles fizeram o possível para esconder sua origem cultural. Eles nunca olharam para trás e tentaram o mais rápido possível se adaptar a esse novo ambiente cultural. Assim, uma lacuna positiva na atratividade percebida entre a nova cultura e a cultura de origem pode ser considerada como uma força intensificadora da aculturação, levando à seguinte proposição:

P1: Quanto mais atraente o novo ambiente cultural for percebido (em comparação com a cultura de origem), mais rapidamente ocorrerá a aculturação e, assim, ocorrerá a aculturação das atividades de consumo.

b) Uma dimensão crucial da cultura é o contexto da comunicação (muitas vezes dicotomizado como "alto" versus "baixo", Hall, 1976). Em contextos culturais baixos, a comunicação é mais explícita, contando com a comunicação verbal explícita e os símbolos. Em contraste, os contextos culturais elevados dependem mais dos aspectos não-verbais "ocultos" da comunicação. O cruzamento de contextos culturais representa mudanças, exigindo uma enorme quantidade de novos conhecimentos para se adaptar. Nosso argumento é que a aculturação ocorrerá mais rapidamente em contextos semelhantes de comunicação do que em tais contextos. Por outro lado, acredita-se que menos tensão envolvida na mudança de um contexto cultural alto para um baixo é maior do que o contrário. Assim, é postulado que:

P2: (a) A aculturação do consumidor ocorrerá mais rapidamente dentro do que entre contextos culturais de comunicação.

(b) A aculturação do consumidor é mais provável de ocorrer quando se muda do alto para o baixo contexto cultural do que quando se muda do baixo para o alto contextos culturais.

Até onde sabemos, nenhuma pesquisa foi conduzida examinando diretamente essas proposições. Por outro lado, nos negócios, parece haver evidências consideráveis de que os empresários de alto contexto cultural se adaptam mais facilmente a ambientes culturais inferiores (por exemplo, japoneses fazendo negócios nos EUA), do que os empresários quando mudam de contextos culturais baixos para altos (por exemplo, americanos lidando com o Japão).

c) Várias tentativas foram feitas para dimensionar culturas de acordo com o grau de similaridade (ou diferença), ou seja, distância cultural (por exemplo, Hofstede, 1984). A distância cultural reflete o grau de diferença. Intuitivamente, quanto mais semelhantes, menos dramáticas são as mudanças para absorver elementos de uma nova cultura. Assim, postulamos que:

P3: Quanto menor a distância entre a nova cultura e a cultura de origem, mais provável e mais rápida será a aculturação do consumidor.

d) Visto em uma perspectiva histórica, a consciência cultural (orgulho) tem aumentado rapidamente nos últimos anos entre as minorias e imigrantes nos EUA, bem como em outros lugares ao redor do mundo. Por exemplo, um estudo realizado entre hispânicos que vivem nos Estados Unidos mostrou que 89% concordaram fortemente com a afirmação: "Devemos transmitir aos nossos filhos o sentimento de pertencer às nossas religiões e tradição nacional" (Yankelovich, Skelly e White, 1981 , p. 16).

Há muito se reconhece que as minorias aculturadas retêm elementos específicos de sua cultura de origem, o que pode ser visto como uma característica do 'cadinho' americano, "ou como recentemente afirmado por Iacocca (1984)". . . Exceto para os índios americanos, somos todos imigrantes ou filhos de imigrantes. Portanto, é importante irmos além dos estereótipos com os quais vivemos. . . . Todas as etnias trouxeram sua cultura, sua música, sua literatura. Eles derreteram na panela americana -. . . mas, de alguma forma, eles também conseguiram manter suas culturas intactas, uma vez que cada uma se esfregou na outra "(p. 356). A consciência cultural (orgulho) diz que é importante conservar elementos específicos da cultura de origem. No que diz respeito à aculturação do consumidor, nós irá propor:

P4: Quanto mais alta a consciência cultural (orgulho) estiver relacionada a atividades / elementos específicos relacionados ao consumo, maior a probabilidade de que esses elementos sejam retidos ao encontrar um novo contexto cultural.

Por exemplo, a comida é importante para o homem, e o significado simbólico atribuído ao preparo e ao consumo da comida varia entre as culturas (cf. Levi-Strauss, 1978). Em muitas culturas atribui-se grande importância à alimentação e aos eventos relacionados à alimentação, o que é facilmente observado entre os imigrantes e filhos de imigrantes, aderindo aos hábitos alimentares adquiridos em suas culturas de origem, não apenas décadas, mas gerações atrás.

2. Elementos Estruturais

Qualquer cultura contém uma variedade de elementos estruturais, influenciando o conteúdo da aprendizagem cultural. Aqui vamos nos concentrar em duas características estruturais, o ambiente de produto / serviço cultural e a estrutura dos canais de informação (mídia).
Jantar promovido pelo SENAC em Campos do Jordão, comida indígena foi harmonizada com Cauim - Proposta de aculturação de Luiz Pagano é festejar a ciência em um novo Brasil multiétnico - Na foto Hildo Sena, Criador do Método Enzimático de Cauim, o chef indígena da etnia Terena Kalymaracaya e Luiz Pagano, criador da cultura Tupi-Pop e do Método de Cauim Japonês "celebrar a cultura é melhor do que impô-la com violência"

a) Um aspecto importante de qualquer cultura é o ambiente de produto / serviço no qual o consumidor está inserido, influenciando a socialização do indivíduo como consumidor (Grunhaug e Venkatesh, 1987). Mudar para outra cultura frequentemente implica mudanças no ambiente do produto / serviço para o indivíduo. O consumidor pode ser confrontado com bens novos e desconhecidos, e muitos dos bens conhecidos não estarão lá. A falta de produtos e serviços conhecidos pode levar à busca e avaliação mais ou menos consciente de alternativas de substituição. Intuitivamente, quanto mais importantes forem os produtos e serviços não mais disponíveis e quanto mais atraentes forem percebidas as alternativas de consumo de substituição (e / ou prática de consumo), maior será a probabilidade de serem adotadas. Daí, as seguintes proposições:

P5: (a) Quanto mais importantes as alternativas de consumo específico adotadas na cultura de origem e não mais disponíveis, mais disposto o indivíduo estará em buscar, avaliar e adotar alternativas de consumo substitutas no novo ambiente cultural, e

(b) quanto mais atraentes forem as novas alternativas de consumo para o consumidor, maior será a probabilidade de essas alternativas serem adotadas. 

O ajuste facilmente observável ao ambiente de produto / serviço americano sugere que as alternativas de consumo estão prontamente disponíveis e que as alternativas são percebidas como atraentes, muitas vezes superiores ao que os recém-chegados estão acostumados (como é frequentemente observado que mesmo quando produtos e serviços de a cultura de origem está disponível, eles são substituídos por alternativas novas para os recém-chegados).

Também deve ser notado que as alternativas de consumo podem ser adquiridas através de diferentes mercados, como "o mercado aberto" (isto é, mercados comercializados) e "mercados fechados" (por exemplo, trocas ocorrendo entre vizinhos, Gr ° nhaug e Dholakia, 1987) . As trocas de mercado aberto (provavelmente) representam uma fração maior da quantidade total de trocas feitas pelos consumidores nos países desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento. Mercados "abertos" são mais fáceis de entrar do que mercados "fechados" (mas muitas vezes outros meios de troca, ou seja, dinheiro versus serviços / produtos pessoais são necessários para operar neste mercado). Portanto, sugerimos que:

c) A aculturação do consumidor estará positivamente relacionada à relativa ocorrência de trocas de mercado aberto na nova cultura enfrentada.

Essa proposição também implica que as atividades de consumo mediadas por meio de trocas de mercado aberto no novo ambiente cultural serão adotadas mais rapidamente do que as atividades de consumo mediadas por meio de mercados não abertos.

P6: (a) Quanto mais exposição e mais acessível for a informação relevante, mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor.

A estrutura da mídia como tal será importante à medida que novas informações se espalharem mais rapidamente e para um público mais amplo por meio da mídia de massa do que por meio da comunicação pessoal. Isso implica que nas sociedades onde relevante [Por relevância significa que o recém-chegado tem acesso e é capaz de fazer uso da mídia.] A mídia de massa desempenha um papel importante, as mudanças ocorrerão mais rapidamente em comparação com as sociedades onde a mídia de massa desempenha um papel menos dominante (cf. Zaltman e Wallendorf, 1983, cap. 5). Portanto, sugerimos que:

(b) Quanto mais dominante for a comunicação da mídia de massa da comunicação total no novo ambiente cultural, mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor (visto que a mídia de massa é relevante para o recém-chegado).

Disto (P6b) também segue que:

(c) As atividades de consumo expostas na comunicação da mídia de massa serão aprendidas e adquiridas mais rapidamente do que as atividades de consumo mediadas principalmente por fontes pessoais de comunicação.

Ao voltarmos nossa atenção para a cena americana, é evidente que a maior atenção é dedicada às marcas na comunicação de marketing de mídia de massa, e menos exposição na mídia de massa é dedicada ao uso, descarte e enfatizando o significado social dos bens, que é principalmente aprendido por meio de experiências , observações e através da comunicação pessoal com outras pessoas. Assim, vamos supor que:

(d) O conhecimento da alternativa e dos atributos da marca é adquirido mais rapidamente em uma nova cultura do que o conhecimento do uso, descarte e significado simbólico de produtos e serviços.

O'Guinn et al. (1986) também fez a seguinte observação interessante:

"A aculturação do consumidor por meio da mídia de massa oferece um caminho mais seguro e menos arriscado do que o contato direto. Não é preciso se preocupar em cometer erros embaraçosos quando não se interagir." (p. 582)

A credibilidade percebida dos vários canais de informação é um fator modificador importante. Como a credibilidade percebida de várias fontes de informação pode variar, propõe-se:

(e) Quanto mais alta for a credibilidade percebida da fonte de comunicação, mais ênfase será dada a essa fonte.

Dessa proposição também segue que, quanto mais credibilidade é atribuída à mídia de massa (em culturas dominadas pela mídia de massa), mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor em tais ambientes.

3. Linguagem e símbolos

O conhecimento cultural é mediado por símbolos, como signos, letras e palavras. Aqui, vamos nos concentrar na linguagem e no significado simbólico das atividades de consumo.

a) As línguas representam o principal meio de comunicação. Compreender totalmente e ter domínio sobre um idioma é um processo de aprendizado que consome muito tempo. Mudar para outra cultura com idioma(s) diferente(s) do(s) idioma(s) usado(s) na cultura de origem representa intuitivamente uma barreira para que ocorra a aculturação. A falta de competências linguísticas no novo ambiente cultural dificulta o acesso a novas informações e a aprendizagem do novo contexto cultural, assim:

Uma vez que o mercado de Cauim exista e tenha se amadurecido por meio da correta aculturação, aldeias e reservas poderiam se beneficiar da comercialização de seu próprio Cauim Industrial - "as aldeias e reservas tem sido fortemente atacadas por grileiros, garimpeiros, madeireros e fazendeiros ilegais - com os recursos financeiros gerados pela venda do Cauim, teriam uma força a mais nessa luta, cada vez mais desigual, contratando advogados e pela própria divulgação de sua cultura, amparado pelo trabalho de sociólogos e embaixadores da própria etnia". 

P7: (a) A aculturação do consumidor ocorrerá mais rapidamente entre os recém-chegados com habilidades linguísticas relevantes do que entre os recém-chegados sem essas habilidades.

E entre os recém-chegados sem as competências linguísticas relevantes para a cultura, segue-se que:

(b) Quanto mais rapidamente as habilidades linguísticas relevantes forem adquiridas, mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor (porque a língua está institucionalmente ligada a outras atividades de aculturação).

b) Produtos e serviços transmitem significado simbólico, conforme observado por Levy (1959) em seu reconhecido artigo da Harvard Business Review três décadas atrás, "Symbols for Sale". As atividades de consumo transmitem um significado simbólico. A importância do significado simbólico de atividades e bens materiais para o indivíduo tem sido reconhecida por muito tempo, e pesquisou em disciplinas como antropologia social (por exemplo, Goffman, 1959; Mauss, 1967, 1925) e sociologia (por exemplo, Veblen, 1899), mas tem até recentemente, apenas dedicou modesta atenção à pesquisa de marketing e comportamento do consumidor (ver Wallendorf e Arnold, 1988 para uma excelente revisão dos esforços de pesquisa anteriores). O significado simbólico das atividades de consumo é aprendido em ambientes sociais e variam entre as culturas. Muito desse conhecimento é "pessoal", adquirido por meio de observações, interações e experiências pessoais que não são facilmente transmitidas a outras pessoas (cf. Polanyi, 1958). Entrar em um novo contexto cultural implica que muito do significado simbólico previamente aprendido das atividades de consumo ficará obsoleto. Devido à característica "pessoal" ("tácita") de tal aprendizagem, presume-se que:

P8: (a) O significado simbólico das atividades de consumo é mais difícil de adquirir do que o conhecimento sobre marcas e atributos de marca.

Acredita-se que a aprendizagem do significado simbólico das atividades de consumo (que é um aspecto importante da aculturação do consumidor) ocorrerá em um ritmo mais lento do que a familiarização e adoção de produtos na nova cultura. Embora essa proposição não tenha sido testada diretamente em pesquisas anteriores, diversos estudos revelam que vários grupos de minorias atribuem valores e significados diferentes às atividades de consumo, o que também se reflete na composição de seus padrões de consumo. Disto também segue que:

(b) A aprendizagem do simbolismo do consumo estará positivamente relacionada ao grau de envolvimento em ambientes de consumo social na nova cultura.

Este (P8b) é facilmente observável entre as famílias de imigrantes, onde os jovens, ou seja, os mais envolvidos socialmente na nova cultura, reconhecem mais rapidamente os aspectos simbólicos das atividades de consumo, do que os familiares mais velhos. [A socialização mais rápida entre as crianças também foi reconhecida por levar à pressão dos pais sobre a criança para ser uma "ponte" para os pais na nova cultura (Endicott, 1984); isto é, o que Reisman e Rosenborough (1955) denominaram "socialização reversa".] Deve, entretanto, ser observado como relatado por Belk et al. (1980), que a capacidade de reconhecer os aspectos sociais simbólicos das atividades de consumo é mínima entre os pré-escolares, mas quase totalmente desenvolvida na sexta série, ou seja, provavelmente a idade em que os recém-chegados interagem mais facilmente e mais em um novo contexto cultural, e quando a importância dos pares torna-se mais importante (Coleman, 1961).

4. Valores Culturais

Um aspecto importante de qualquer cultura são os valores mantidos pelos indivíduos incorporados na cultura real. Os valores são aprendidos em contextos culturais; eles são considerados mais estáveis do que as atitudes e significados. Eles podem ser alterados, mas apenas lentamente. O indivíduo possui vários (muitos) valores, todos os quais não são igualmente importantes para ela, e eles orientam o comportamento (cf. Assael, 1984). Além disso, uma quantidade considerável de pesquisas demonstrou que os valores diferem entre as culturas. Os valores de consumo são espelhados nas atividades de consumo. Por exemplo, em um estudo sobre consumo social, Fuat e Dholakia (1982) caracterizaram os valores de consumo nos países ocidentais desenvolvidos como "passivos, individualistas, privados e alienados" (p. 12), em contraste com os valores de consumo em outras culturas enfatizando "atividade , coletividade e união ". Ao retornar ao nosso ponto de partida, ou seja, as diferenças entre a cultura de origem e a nova cultura encontrada, propomos que:

P9: (a) Quanto mais diferentes forem os valores de consumo na cultura de origem e na nova cultura, menor será a probabilidade de ocorrerem mudanças nos valores do consumidor, e

(b) quanto mais importante(es) o(s) valor(es) adquirido(s) na cultura de origem é (são) para o recém-chegado, menor é a probabilidade de ocorrer aculturação do consumidor que implique mudança de valores.

O valor fortemente sustentado entre os grupos de imigrantes, "não comer carne", aparentemente leva à conseqüência de que a maioria dos imigrantes que detém esse valor não faz fila para um "Big Mac". De forma semelhante, o consumo em vão, os valores relacionados ao jejum em horários específicos e à não ingestão de álcool direcionam fortemente o comportamento de consumo dos muçulmanos, mesmo em culturas onde as bebidas alcoólicas são abundantes, socialmente aceitas e usadas de maneira quase ritualística em uma variedade de ambientes sociais .

5. O Contexto Social

Valores e normas são transmitidos no contexto sócio-cultural. Uma extensa pesquisa demonstrou a tremenda importância da família e dos pares na socialização dos indivíduos. A proximidade e a rigidez das relações sociais são importantes para a aprendizagem social, aplicação e internalização das normas. A família é considerada o principal agente de influência dos hispânicos (cf. Guernica, 1982; Hoyer e Despande, 1982) e japoneses (Shigaki, 1983) que vivem nos Estados Unidos. A importância das influências familiares é provavelmente maior nessas culturas (hispânica e japonesa) do que as influências familiares na cultura americana, indicando que as normas e valores tradicionais são mais firmemente defendidos entre mexicanos e japoneses do que entre os americanos. A importância das relações sociais para a aculturação do consumidor pode ser afirmada da seguinte forma:

P10: (a) Quanto mais rígida a estrutura social no país de origem, mais os valores, normas, expectativas e comportamento aprendidos exercerão influência sobre o indivíduo, levando à dissuasão da aculturação em conflito com valores de consumo aprendidos anteriormente, normas, expectativas e comportamento.

Freqüentemente, o recém-chegado (o imigrante) encontrará membros de sua cultura de origem na nova cultura. Por exemplo, a inspeção das estatísticas de imigração mostra que mais de 18% dos 61.000 imigrantes mexicanos legais que vieram para os EUA em 1985 se estabeleceram nas áreas metropolitanas de Los Angeles e San Diego, enquanto apenas 0,7% desses imigrantes foram para New Iorque. Em contraste, quase 49% dos imigrantes jamaicanos se estabeleceram na área de Nova York (Bureau of Census 1987, tabela 32). Conhecer pessoas da própria cultura provavelmente tornará a imigração menos estressante, mas também pode influenciar a aculturação do consumidor. A existência de uma "massa crítica" de membros da cultura de origem no novo ambiente, implica que muitos dos valores, normas e comportamentos aprendidos anteriormente ainda são válidos, assim:

(b) A existência de uma "massa crítica" de membros da cultura de origem no novo contexto cultural diminui a probabilidade de aculturação do consumidor (para atividades de consumo diferentes daquelas na cultura de origem onde estas ainda são realizadas entre os "massa crítica" na nova cultura).

A existência de comunidades de imigrantes nos EUA, como Chinatown (em várias cidades) e Little Italy, onde as línguas dos imigrantes são faladas e a vida é vivida da mesma forma que em sua terra natal, claramente corrobora essa proposição. O trecho a seguir ilustra esse ponto:

"Muitas das crianças latinas tendem a se falar em espanhol, enquanto as crianças asiáticas falam inglês entre si com a mesma frequência de sua língua nativa. Isso porque todas as crianças hispânicas, sejam do México, Peru, Honduras ou de qualquer outro lugar, podem falam aquele mesmo idioma, o espanhol ", explicou Blazey." Mas as crianças asiáticas podem vir do Vietnã, do Camboja ou de outro país, e cada um desses países tem um idioma diferente. Elas precisam falar inglês para se comunicarem. (Los Angeles Times, 17 de julho de 1989, p.7)

6. Funções e situações

a) O indivíduo desempenha uma variedade de papéis na vida cotidiana (cf. Goffman, 1959). A representação de papéis (como no palco) está relacionada às expectativas e ao desempenho das atividades. Ao entrar em uma nova cultura, novos papéis precisam ser aprendidos, e o indivíduo também pode atender a novas demandas de papéis aprendidos anteriormente. O aprendizado de novos papéis e demandas de papéis frequentemente terá implicações para a aculturação do consumidor. Por exemplo, conseguir um emprego na nova cultura pode exigir uma nova maneira de se vestir, comer em horários diferentes e assim por diante. Propomos que:

P11: (a) Novos papéis e demandas de papéis envolvendo atividades de consumo irão forçar a aculturação do consumidor (relacionado a esses papéis); e

(b) quanto mais central (a) essa (s) função (ões) é (são) para o recém-chegado, mais rapidamente ocorrerá a aculturação das atividades de consumo relevantes para o papel.

b) A importância das influências situacionais no comportamento do consumidor há muito é reconhecida na pesquisa do consumidor (por exemplo, Belk, 1975). As situações de consumo são múltiplas e podem ser classificadas de várias maneiras. Aspectos situacionais importantes para a aculturação do consumidor estão relacionados à extensão em que ocorrem na presença de membros da nova cultura e à pressão social para se comportar como esperado nessas situações (cf. Asch, 1953). Daqui se segue:

P12: (a) Situações envolvendo atividades de consumo na presença de membros da nova cultura, irão forçar a adoção (aculturação) de atividades de consumo em tais situações, e

(b) tal aculturação situacional do consumidor será positivamente relacionada à importância percebida da situação e à importância percebida de se conformar.

O seguinte trecho de uma entrevista com um gerente japonês ilustra elementos das proposições acima:

"... Ele aprendeu rapidamente como superar a lacuna desconfortável entre a sociedade japonesa e americana ... Katashiba atende por Ken e decora sua casa no estilo ocidental. Em casa, sua família fala apenas japonês e come principalmente arroz e peixe. . " (USA Today, 15 de julho de 1988, p. 2B).

7. Alguns correlatos pessoais

Vários fatores pessoais foram examinados em pesquisas anteriores sobre aculturação (cf. Padilla, 1980; Berry, 1980) e socialização do consumidor (ver Moschis, 1986 para uma visão geral das descobertas). Aqui vamos nos concentrar na motivação, aprendizagem (estoque de conhecimento), educação, idade e sexo.

a) Motivação refere-se ao processo de fatores (motivos) que influenciam as pessoas a agirem. Existem várias teorias de motivação. A teoria de McClelland (1970) das necessidades sociais aprendidas para realização sugere, por exemplo;

P13: Quanto maiores as necessidades de realização e afiliação, maior a probabilidade de que a aculturação das atividades de consumo ocorra em novos contextos culturais e mais rapidamente essa aculturação ocorrerá.

Esta proposição é consistente com a observação de que imigrantes com objetivos específicos em mente, por exemplo, obter uma educação ou fazer carreira em negócios, adquirem mais rapidamente habilidades relevantes, como língua e modos de negócios, do que os outros.

b) A capacidade de aprendizagem do indivíduo é importante para a aculturação do consumidor. Um aspecto importante da aprendizagem é o estoque de conhecimento possuído pelo indivíduo. Pesquisas anteriores demonstraram que o estoque de conhecimento dos imigrantes e os comportamentos culturais aprendidos com a socialização anterior afetam a aculturação do consumidor, por ex. quais bens e em que prioridade eles são adotados, conforme refletido em seus padrões de gastos (Reid, 1986). Uma explicação é que o conhecimento prévio serve como uma referência de acordo com a qual o novo ambiente de consumo é comparado, e que as mudanças (ou seja, aculturação) ocorrerão de acordo com as barreiras percebidas (custo da mudança) e incentivos para mudar conforme enfatizado acima (cf. Figura 1).

c) A educação foi considerada o principal determinante da aculturação em pesquisas anteriores (cf. Padilla, 1980; Berry, 1980). O'Guinn e Meyer (1983/84) também observaram que os imigrantes hispânicos que preferiam o rádio e a TV em espanhol e que falavam espanhol em casa tinham menos escolaridade em comparação com aqueles (hispânicos) que preferiam a mídia e o idioma inglês. A educação, por si só, implica treinamento formal enfatizando a representação simbólica e a resolução de problemas. O próprio processo educacional também representa uma importante fonte de socialização, enfatizando a abertura, novos conceitos e mudanças. Assim, o treinamento educacional torna o indivíduo mais capaz e motivado para a mudança, conforme repetidamente demonstrado na literatura sobre a adoção de inovações (ver Rogers, 1983). Assim, sugerimos que:

P14: A quantidade e a velocidade da aculturação do consumidor serão positivamente correlacionadas com o nível de educação formal.

d) Estudos anteriores sobre aculturação mostraram que os jovens se adaptam mais rapidamente aos novos ambientes culturais (cf. Padilla, 1980; Berry, 1980). O motivo disso pode ser explicado de várias maneiras. A idade cronológica está relacionada à quantidade e ao conteúdo da aprendizagem anterior. Em muitas sociedades, a idade está negativamente relacionada à educação (ao considerar segmentos maiores da população, devido ao aumento da taxa de educação nas últimas décadas), mas também pode estar negativamente relacionada às oportunidades de aprender novas culturas e positivamente relacionada à quantidade de contato com os membros cultura de origem. A idade pode, portanto, ser concebida como um indicador de vários fatores que podem estar relacionados à aculturação que ocorre em novos contextos culturais.

e) O sexo como um fator no processo de aculturação foi, até certo ponto, enfocado em pesquisas anteriores (ver Padilla, 1980). Um grande corpo de pesquisas demonstrou que mulheres e homens são socializados em diferentes funções; e que as expectativas dos papéis sexuais e o aprendizado de tais papéis variam entre as culturas (e classes sociais). Assim, as expectativas de papel e aprendizagem anteriores (que também podem incluir educação formal, visto que a educação é considerada menos apropriada para mulheres do que homens em muitas culturas) e, portanto, expectativas e oportunidades na nova cultura, podem ser atribuídas a diferenças na aculturação cultural entre os sexos.

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quarta-feira, 10 de março de 2021

Cauim, Anjo Ismael e a alma coletiva do Brasil

Cachoeira Dourada do Anjo Ismael - desenho de Luiz Pagano - Paulo Wassu Cocal

 “O CAUIM é a bebida da formação da alma coletiva do povo brasileiro, ela já existe no plano astral e você só tem a importante incumbência de trazê-la para o plano dos homens” disse Paulo Wassu Cocal numa consulta espiritual sobre o CAUIM.

Não tenho duvida que o CAUIM tenha um forte aspecto espiritual para o Brasil, comparável ao vinho da eucaristia cristã e o saquê do Xintoísmo Japonês. Más como saber qual papel o CAUIM terá na espiritualidade brasileira? De que forma será usado no rituais? Para qual religião servirá? – Perguntei a ele.

Um privilégio que não poderia se encerrar em mim, precisei mostrar para outros brasileiros, para outras muitas pessoas a riqueza q se esconde nas florestas. Surgiu primeiro no plano espiritual, através da arte. Inspiração da espiritualidade ancestral e sincrética, que mesclou as origens pré Beringia, Ásia e Japão, o estudo do TUPI-ANTIGO, textos de Anchieta, múltiplas viagens, pesquisa com mais de 250 etnias, a criação de arte é até uma caligrafia específica, depois disso, transformar amido em açúcares, a fermentação e por fim, a criação do sabor - tudo pré determinado por espíritos ancestrais.

Segundo Paulo, não preciso ter essas preocupações no momento, pois “o anjo tutelar do Brasil já resolveu todas essas questões no plano astral, muito antes da chegada dos portugueses, e tudo acontecerá em seu próprio bom tempo”. 

Ouvi palavras muito similares em outras consultas com pajés de mais duas outras etnias e em seções espiritas em minha busca. Más quem será esse ‘Anjo Tutelar do Brasil’?

Para responder a essa questão, recorri a literatura e conversas com amigos espiritualizados, bem como membros de algumas aldeias do Brasil. 

Existe no Brasil uma infinidade de cosmologias e entidades, que diferem de etnia para etnia, de aldeia para aldeia, más para minha surpresa, parece haver convergências de idéias e conceitos entre elas. Diferentes doutrinas brasileiras compartilham entidades, como o ‘Pai Tupã’, por exemplo, presente nas tradições indígenas, cristãs de catequização, e até mesmo no kardexismo, no candomblé e na umbanda. Uma outra entidade com essa característica é o Anjo Ismael.

Contos Tupiniquim e Tupinambá antigos parecem mencionar o Anjo Ismael sob o nome de Sumiê, também associado a São Tomé em alguns relatos jesuíticos, um deus de pele branca e cabelos vermelhos (ruivo ou loiro) responsável por levar o conhecimento civilizatório às  tribos de etnias Tupi e cuidar de sua proteção. Sumié também é mencionado em outras etnias, Kupe-ki-kambleg entre os Apinagés, Mairatá, entre os Tapi do Maranhão e Maré entre os Aimorés, sempre descrito como um homem branco, que apareceu a muito tempo atrás, portador de cabelos claros e que veio com importante papel no desenvolvimento civilizatório.

O nome Ismael aparece pela primeira vez como o guardião do Brasil no ano de 1873, numa reunião do grupo de Estudos Espíriticos Confúcio, dirigido por Antônio da Silva Neto e por Francisco Leite de Bittencourt Sampaio. Lá a entidade se revelou dizendo-se guia espiritual do país, com o nome de Ismael e pediu que a doutrina espírita deveria ser abordada com prioridade nos aspectos religiosos, tendo como base os quatro evangelhos.

Caligrafia Tupi-Pop de Luiz Pagano

Carlos Campetti, em sua entrevista na FEB TV dá as primeiras explicações sobre o anjo Ismael, sua importância no Brasil e traça sua origem no livro do Gêneses, capítulo 16. 

Na bíblia Ismael surge como sendo o filho de Abraão com a escrava Hagar, concebido por ordem de Saraí, sua esposa, por ser infértil. Anos mais tarde, Saraí inesperadamente concebe outro filho, Isaac, deteriorando fortemente sua relação com a escrava e seu filho. 

Saraí pede desesperadamente então a Abraão que se livre de Hagar e Ismael, que abatido com o dilema, resolve ter uma conversa com Deus, que por sua vez, o tranquiliza, revelando a ele que Ismael viria a se tornar o líder de uma grande nação estrangeira (o Brasil).

O Ismael bíblico é considerado por estudiosos espíritas como o mesmo descrito pelo espírito Humberto de Campos no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. O anjo teria evoluído espiritualmente e perdido as falhas morais e psicológicas adquiridas a milênios atrás, como é a destinação natural dos espíritos segundo a doutrina. Humberto Campos relata ainda que ele é, atualmente, um dos mais comprometidos trabalhadores do Cristo, consciente do seu papel, que na verdade se iniciara desde sua última encarnação no plano terrestre.

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Quadro do Anjo Ismael na Casa de Chico Xavier - Luiz Pagano e Eurípedes - Dez 2011

Ao final dessa pesquisa, lembrei-me que havia visto uma foto do anjo Ismael na casa de Chico Xavier, numa visita que havia feito ao centro Espirita Prece, em dezembro de 2011. Ao buscar a imagem no aplicativo de fotos, me dei conta de uma incrível ‘coincidência’ – visitei a casa de Chico Xavier no dia 08 de dezembro de 2011 e logo após 3 dias, no dia 11 de dezembro foi quando tive meu primeiro contato com o CAUIM numa aldeia indígena, num episódio que ascendeu minha curiosidade em níveis sem precedentes.

Anjo Ismael e a Família Real, quadro de Alexandra Herman na casa de Chico Xavier


Nessa época, trabalhava na Pernod Ricard e fazia treinamentos por todo o Brasil, aproveitei minha estada em Uberaba para conhecer a casa do homem santo, e lá trabalhei por uma noite como voluntário no refeitório, ajudando Eurípedes, filho adotivo de Chico Xavier a cozinhar e servir para os necessitados. 

Luiz Pagano e Jane na Aldeia Rio Silveiras - Dez 2011

Três dias depois, num domingo, passeava com minha esposa no litoral norte quando resolvemos visitar a reserva indígena Rio Silveiras, dos Guaranis M’byas. Lá compramos artesanato, conversamos com as crianças e eu fiquei super curioso ao saber que estavam fazendo um ritual, ao qual obviamente não fora convidado, numa oca fechada – vi pelas frestas da entrada que tomavam uma bebida, perguntei se podia ver de perto e fui impedido – somente vim a participar de uma cauinágem dois anos depois, e hoje, quase dez anos depois, estou aqui, pronto a lançar o primeiro CAUIM comercial.

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Jornada de Proteção do Anjo Ismael em Tupi Antigo - Texto traduzido por alunos do Professor Eduardo Navarro

Ismael karaibebegûasu ’ytuberápe aîasuk, gûiîepoxy’oka.
Brasil rupikatu, ’ara rupikatu bé aîeekomonhang
Maria abá bykagûere’yma o asoîaboby pupé xe aso’i,
Opá mba’e rasy suí, opá ’angekoaipaba suí bé xe pysyrõmo
Îesu morombo’esara irũnamo tetamaŷsó rupi agûatá,
Tupã opakatu mba’e tetiruã monhanga e’ikatuba’e robaîtîamo ko’yté.

Tradução

Na cachoeira brilhante de Ismael, o grande anjo, eu me banho, tirando minha imundície (me banho e me purifico).
Muito em conformidade com o Brasil, muito em conformidade ao mundo
(me coloco em harmonia com o Brasil é com o mundo,)

A Virgem Maria me cobre com seu manto azul, me protegendo de todas dores e aflições;

Com Jesus, aquele que instrui pessoas, por terras formosas eu caminho, finalmente encontrando D'us, aquele que todas e quaisquer coisas consegue criar.


A Cachoeira Dourada do Anjo Ismael por Luiz Pagano, abaixo os dizeres "Ismael karaibebegûasu ’ytuberápe aîasuk, gûiîepoxy’oka" em Tupi Antigo com caligrafia própria - tradução 'Na cachoeira dourada do Anjo Ismael, me banho e me purifico"

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Fecho esse artigo com a importante mensagem mediúnica que reafirma Ismael na liderança do projeto,  psicografada pelo espírito de Manoel Miranda para mim:

“...o Cauim ratifica a missão específica de Ismael para com o Brasil, assinalada por Jesus, de implementar em nosso país o seu Evangelho e espalhá-lo daqui para o mundo. 

Imerso nesse processo evolutivo, iniciado no momento de sua formação, primeiramente por indígenas, que nos brindaram com o conhecimento da terra, revelado pelo espírito da Mãe Mani Fértil, alimento de dois planos, a posteriori por africanos, povos sedentos da justiça divina, a expressão evoluída das aflições ao conceder o grande perdão e celebrar a grande amizade, e por fim pelo homem das múltiplas pátrias, que ora fez sofrer, por caminhos tortuosos e hora trouxe avanços do ciência, em meio a escravidão e a exploração desmedida.

Reserva Indígena Rio Silveiras Boraceia - SP

Juntos, esses bravos povos se redimem, se unem e revelam a alma da terra, como semelhantes trabalham, cuidam da fauna, da flora e da própria luz natural, no árduo processo de labuta e autoavaliação, rumo a evolução de uma grande nação.

O Cauim surge nesse plano como importante instrumento evolutivo, para formação da alma coletiva do nosso povo, isento de diferenças – É a concretização do caminho espiritual planejado para o Brasil em seu primeiro estágio, pátria do Evangelho, onde o Ser Humano, em constante processo evolutivo, aprenderá pouco-a pouco, a respeitar o meio ambiente, em trabalho harmônico, também a dirimir diferenças. 

O Cauim é a luz do coração, que brilha na essência do ser, que promove as mudanças do tesouro alvo da terra, da mente de D’us na alma dos homens...”. 

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