segunda-feira, 10 de maio de 2021

Nova Aculturação Indígena Sobre Anterior Aculturação Colonizatória Portuguesa no Brasil


Não é novidade que a chegada dos portugueses ao Brasil, bem como a consequente colonização, pôs fim a várias tradições ancestrais das múltiplas nações indígenas que aqui viveram, também não é novidade que tenho muito interesse em reviver parte desta perda pela devida valorização da cultura desses povos, seja pelo estudo e resgate do Tupi Antigo, língua ancestral ligada ao Nheengatu, Lingua Geral Brasileira e Paulistana, amplamente falada em praticamente todo o território brasileiro, até sua proibição em 17 de agosto de 1758, quando a língua portuguesa passou a ser a língua oficial do Brasil, por decreto do Marquês de Pombal; ou seja pelo resgate o Cauim, bebida alcoólica obtida pela sacarificação e co-fermentação simultâneas da mandioca, produzida de forma ritualística por praticamente todas as culturas indígenas brasileiras; ou seja ainda, pela mera coleta e disponibilização de informações centralizadas sobre as etnias resistentes que ainda sobrevivem hoje.


Está claro que as culturas perdidas nunca serão resgatadas exatamente como eram quando foram sobrepostas por culturas portuguesas, as perdas foram massivas inestimáveis e irreparáveis, dramaticamente dizimadas - muito se perdeu em tradições orais que nunca mais serão ouvidas nas suas línguas nativas, nem mesmo nas línguas faladas nos dias de hoje.

Outro ponto extremamente importante a ser bem observado é que o desenvolvimento do Cauim como bebida para consumo recreativo, nada tem a ver com o Cauim e a Cauinágem, promovidos e celebrados até hoje nas aldeias como parte de elaborados rituais ancestrais. A Cauinágem é realizada de forma ritualística por múltiplas etnias dentro de todo o território nacional, a bebida tem vários nomes, tais como, Caxirí, Chicha, Saki, Makaloba, etc. são produzidos principalmente a partir da sacarificação da mandioca por meio da amilase salivar, e os rituais variam enormemente de cultura para cultura, merecendo o mais profundo respeito e admiração.

Já o 'Cauim Industrial' tem esse nome por definição da língua portuguesa, com base no idioma Tupi Antigo, só é obtido por processos industriais modernos, oriundos de estudos e experiências realizados a partir do ano 2000, até hoje, parte delas concebidas por Luiz Pagano, como mero veículo cultural de resgate, em meio ao movimento artístico denominado 'Tupi-Pop'.

No evento Capivara Parade de 2016, Luiz Pagano realizou uma ação baseada no Cow Parade, com o objetivo de conscientizar a cidade de Curitiba da importância de se ter cidades em plena harmonia com a natureza - As Capivaras chegam aos poluídos rios das maiores cidades brasileiras para nos lembrar que devemos respeitar conviver com o meio ambiente

A Cauínagem e o Cauim jamais devem ser reduzidos a um mero produto recreativo denominado 'bebida alcoólica com fermentação de mandioca'.

Por outro lado, após anos de experiência trabalhando com produtores franceses de bebidas alcoólicas, velhos e tradicionais mestres na transmissão de cultura por meio de alimentos e bebidas, usando harmonizações elaboradas combinadas com incríveis storytellings, Pagano percebeu que Cauim Industrial tem o potencial de ser o perfeito embaixador das tradições indígenas ancestrais, um veículo indelével para valorizar culturas há muito desprezadas, ridicularizadas e tratadas com preconceito por grande parte dos próprios brasileiros.

Para dar continuidade a este ambicioso projeto, trago aqui algumas teorias sobre técnicas de aculturação que devem ser bem estudadas e dominadas, apresentadas pela Association For Consumer Reserarch ( https://www.acrwebsite.org/volumes/11461/volumes/e01/E -01 )

O objetivo deste artigo é focar em como os fatores ambientais culturais mediados pelo indivíduo podem influenciar sua aculturação de consumo. Ao fazer isso, usaremos a abordagem a seguir. Em primeiro lugar, são discutidos os conceitos básicos necessários para capturar o fenômeno sob investigação, ou seja, a aculturação do consumidor e os fatores que influenciam a sua ocorrência. Em seguida, desenvolve-se uma perspectiva para orientar nossa investigação enfatizando barreiras e incentivos para adaptar as atividades de consumo do indivíduo ao novo ambiente cultural, decorrentes das diferenças entre a cultura de origem e o novo contexto cultural. Em seguida, procedemos identificando elementos desses contextos culturais e discutindo como eles podem exercer influência na aculturação do consumidor formulada como proposições.

O artista conceitual Luiz Pagano criou o estilo Tupi-Pop como forma de promover a aculturação por meio da arte. Neste site, ele listou mais de 240 grupos étnicos para facilitar o estudo no ensino médio e fundamental - "nós apenas protegemos o que amamos e apenas amamos o que sabemos"

A aculturação é um fenômeno que ocorre quando diferentes culturas entram em contato direto, resultando em mudanças nos padrões culturais originais. 

Porêm existem várias outras definições, com propõe Redfield. (1936), que define da seguinte maneira:

"... aqueles fenômenos que resultam quando grupos de indivíduos com culturas diferentes entram em contato direto, com mudanças subsequentes nos padrões de cultura originais..." (p. 149).

Em seu seminário de verão em 1954, o Conselho de Pesquisa Social propôs a seguinte definição:

"... mudança cultural que é iniciada pela conjunção de dois ou mais sistemas culturais autônomos..." (SSRC 1954, p. 974)

No contexto do marketing, a aculturação pode ser vista como um poderoso recuro de aresentação e posterior aceitação de novos produtos e serviços, levando em consideração as influências culturais e adaptando-os às necessidades e preferências dos consumidores, tal como deontram Kroeber e Kluckhan (1952):

"achamos que a cultura é um produto; é histórico; inclui ideias, padrões e valores; é seletivo; é aprendido; é baseado em símbolos; e é uma abstração do comportamento e dos produtos do comportamento." Todas as culturas são, em grande parte, compostas de maneiras abertas e padronizadas de se comportar, sentir e reagir. Mas as culturas também incluem um conjunto característico de promessas não declaradas e categorias que variam muito entre as sociedades (p. 157).

Esta citação reflete as crenças de que a cultura é aprendida e compartilhada com outras pessoas, e influencia não apenas como uma pessoa se comporta, mas também como espera que a outra se comporte. A melhor maneira de compreender a cultura e de explicar o funcionamento da cultura e como mudou ao longo dos anos. Por exemplo, muitos antropólogos agora preferem o termo "decretado" (em vez de aprendido), que reconhece que as pessoas não apenas aceitam passivamente a cultura, mas a criam ativamente (cf. Keesing 1974; Swidler 1986).

Swidler (1986) em sua análise penetrante vê a cultura como moldando um repertório ou "kit de ferramentas" de hábitos, habilidades e estilos a partir dos quais as pessoas constroem "estratégias de ação" (p. 273). Para agir propositalmente, o indivíduo precisa de conhecimento procedimental e contextual, ou seja, conhecimento específico de domínio que permita a "racionalidade contextual" (março, 1978, p. 592), além de regras e procedimentos para exibir "racionalidade procedimental" (Simon 1978, p. . 8). A aquisição de um repertório de hábitos e habilidades, conforme proposto por Swidler (1986), reflete a crença de que o conhecimento relevante para exibir um comportamento intencionalmente racional pode ser aprendido ou executado em um contexto específico, e que esse conhecimento pode ser (mais ou menos) limitado pelo contexto.

O Cauim é uma bebida alcoólica obtida pela sacarificação e co-fermentação simultâneas da mandioca, que era produzida de forma ritualística por várias culturas indígenas brasileiras, nesse sentidos seu significado cultural e histórico é de extrema importância, e resgatar essa tradição por meio de uma abordagem de aculturação é essencial para sua reintrodução no contexto contemporâneo.

Um aspecto crucial da aculturação é compreender os elementos culturais originais e adaptá-los de forma respeitosa e autêntica. 

Luiz Pagano,  desempenha um papel central na introdução do Cauim, seu conhecimento sobre a cultura indígena brasileira e sua experiência trabalhando com produtores franceses de bebidas alcoólicas proporcionam uma base sólida para a adaptação do Cauim ao contexto contemporâneo. Sua visão de resgate cultural e valorização das tradições indígenas é um guia importante para o desenvolvimento e promoção do produto.

O estudo de referências como a Association for Consumer Research (ACR), com sua pesquisa sobre aculturação de consumo, oferece insights valiosos sobre os fatores ambientais e culturais que influenciam a aculturação dos consumidores. Essa abordagem científica proporciona uma base teórica sólida para entender as barreiras e incentivos que podem influenciar a adoção do Cauim pelo público contemporâneo.

Os quadrinhos são veículos perfeitos de aculturação entre os jovens - no caso, o herói Visconde Quaresma, serve Cauim (Heróis da Bruzundanga, volume 1 - Luiz Pagano) 


Aculturação

A aculturação foi conceituada de várias maneiras em pesquisas anteriores. Redfield et al. (1936), por exemplo, define este conceito como:

"... aqueles fenômenos que resultam quando grupos de indivíduos com culturas diferentes entram em contato direto, com mudanças subsequentes nos padrões de cultura originais..." (p. 149).

Em seu seminário de verão em 1954, o Conselho de Pesquisa Social propôs a seguinte definição:

"... mudança cultural que é iniciada pela conjunção de dois ou mais sistemas culturais autônomos..." (SSRC 1954, p. 974)

Um exame mais atento das duas definições revela que um pré-requisito para a aculturação é o contato entre dois (ou mais) grupos de culturas diferentes. A primeira das definições citadas afirma que o contato "de primeira mão" é necessário para que a aculturação ocorra. A definição do SSRC é mais ampla, pois afirma que

"A mudança de aculturação pode ser consequência da transmissão cultural direta; pode ser derivada de causas não culturais, como modificações ecológicas ou demográficas induzidas por uma cultura invasora;.." (p. 974)

Deve-se notar também que o termo contato cultural muitas vezes é usado no lugar de aculturação, a fim de enfatizar que o imigrante, não apenas a cultura de acolhimento, ajuda a modificá-la, ou seja, o resultado do contato cultural é uma influência bidirecional (Furnham e Bochner, 1986).

A aculturação implica em mudança(s). A cultura é um fenômeno complexo que consiste em uma variedade de elementos culturais. Vários elementos culturais são gradualmente aprendidos, adotados ou rejeitados (Berry, 1980). Isso também se reflete em pesquisas anteriores que concebem a aculturação como um processo. Uma nova cultura pode ser aprendida (e adotada) mais ou menos plenamente. Quando a nova cultura é aprendida na medida em que o recém-chegado é aceito como um membro genuíno da nova cultura, diz-se que ele é assimilado. Mesmo que a aculturação possa ocorrer entre os dois (todos) grupos com diferentes origens culturais que se encontram, o foco aqui será principalmente nos indivíduos que cruzam as fronteiras, ou seja, os recém-chegados frequentemente enfrentam a nova situação como minorias culturais.

Comportamento do consumidor

Os consumidores e seus comportamentos representam uma importante arena de investigação, que há muito atrai pesquisadores de várias disciplinas. Diversas definições de comportamento do consumidor aparecem na literatura sobre comportamento do consumidor. As definições oferecidas variam em escopo e largura [A maioria das definições enfoca o indivíduo, enfatizando o comportamento do consumidor como tomada de decisão (por exemplo, Assael, 1984), e não enfatizando o aspecto social deste comportamento (para uma exceção, ver Zaltman e Wallendorf, 1983). Além disso, não é injusto dizer que pesquisas anteriores sobre o comportamento do consumidor demonstraram um forte viés em relação ao comportamento antes da compra (cf. Arndt, 1976).]. 

No evento denominado Projeto Tembiu, realizado em São Paulo, Luiz Pagano viajou com mixologistas da Pernod Ricard Brasil para Belém e trouxe mais de 100 elementos da floresta amazônica para barmen e mixologistas de todo o Brasil

O comportamento do consumidor pode ser concebido como um processo, incluindo aquisição (ou seja, reconhecimento de problemas de compra, comportamento de busca, avaliações e execução de compras), uso e descarte de bens. Os consumidores procuram produtos e serviços para satisfazer necessidades específicas. 

Segundo Boyd e Levy (1962), os consumidores enfatizam objetivos específicos relacionados ao seu sistema de consumo. Assim, os consumidores tornam-se compradores para obter algo; ou seja, a compra  (o uso e descarte) de bens podem ser vistos como meios para atingir metas de consumo específicas, sejam elas quais forem. Atividades de consumo, incluindo metas de consumo e significado simbólico de bens (Levy, 1981), são aprendidas e moldadas em um contexto cultural. Um aspecto importante do contexto cultural é o ambiente de produto / serviço no qual o consumidor está inserido. O indivíduo está imerso em um contexto cultural ao longo de toda a vida, assim como suas atividades de consumo. Por meio da observação, imitação e interação com agentes socializadores, os indivíduos aprendem a cultura criada e são socializados como consumidores (Moschis, 1984). A aculturação do consumidor se refere ao subconjunto da aculturação relacionada às atividades de consumo.

Uma Perspectiva

A aculturação implica, como observado acima, mudanças, assim como a aculturação do consumidor. Vários autores notaram que tais mudanças podem ser estressantes (Padilla, 1980, Furnham e Bochner, 1986). As mudanças estão associadas a esforços e podem exigir novas habilidades para serem concluídas. Ao tomar emprestado da literatura sobre estratégia (por exemplo, Porter, 1980), os indivíduos podem ser concebidos como confrontados com várias barreiras para fazer mudanças de aculturação (cf. Zaltman e Wallendorf, 1983, p. 508), como as empresas quando tentam entrar em novos mercados. Ao ingressar em uma nova cultura, o indivíduo pode se deparar com barreiras por falta de conhecimentos e habilidades, o que pode dificultar a aculturação do consumidor. Também pode haver fatores que ajudam os imigrantes a resistir à aculturação (cf. Mehta e Belk, 1991). O tipo e a "altura" dessas barreiras, quaisquer que sejam, têm implicações sobre quais aspectos do comportamento do consumidor serão alterados, em que ordem e na velocidade das mudanças que ocorrerão ao entrar em uma nova cultura. A compreensão das barreiras enfrentadas pelo consumidor é, portanto, importante para compreender o fenômeno da aculturação do consumidor.

Pode haver várias razões para mudar o comportamento de consumo. Para ser aceito em um novo ambiente cultural, muitas vezes é necessário um comportamento adaptativo, como se reflete no velho ditado: "Quando estiver em Roma, faça como os romanos!" Portanto, o conhecimento dos incentivos à mudança é importante para entender a aculturação do consumidor. Mesmo que o mercado seja de importância crucial para o consumo, ou mais corretamente para a aquisição de bens e serviços, as atividades de consumo podem ocorrer em outros ambientes, por exemplo, em casa, sozinho, junto com a família, amigos, colegas, chefes e clientes. As expectativas de atividades de consumo próprio variam entre as arenas sociais, o mesmo acontecendo com os incentivos para mudar essas atividades. A identificação dos incentivos à aculturação e em que condições eles são eficazes é, portanto, importante para nossa compreensão da aculturação do consumidor.

A cultura inclui entre outras coisas: símbolos, valores, atitudes, conhecimento e comportamento aprendidos e compartilhados. Estar imerso numa cultura implica também estar familiarizado com um determinado ambiente de produto / serviço e instituições sociais, bem como ter relações sociais. As relações sociais são de fato importantes na medida em que informações e normas são transmitidas e aprendidas por meio dessas relações. Estabelecer relações sociais leva tempo e requer habilidades sociais. Para o indivíduo, as relações sociais são importantes e de grande valor pessoal. Segundo Coleman (1988), tais relações podem ser concebidas como "capital social" e também representam uma parte importante do capital humano. Cruzar fronteiras culturais implica que novos ambientes sociais devem ser aprendidos e novas relações sociais criadas.

É natural que os indígenas exijam reparação de tudo de ruim que a colonização portuguesa trouxe - mas a proposta da aculturação não é punir os colonizadores, mas sim promover a valorização dos ancestrais indígenas, revertendo os benefícios às atuais causas indígenas. “Nunca devemos imputar aos portugueses da nova geração a responsabilidade pelos crimes cometidos pelos seus antepassados - o respeito e a pluralidade são a base do sucesso da aculturação”

Oportunidades e situações (ver Belk, 1975) em novos cenários culturais também podem influenciar a aculturação do consumo individual. O comportamento do consumidor e a aculturação do consumidor podem ser concebidos como "totalmente culturais". As inúmeras influências culturais refletidas nos valores aprendidos, atitudes, conhecimentos, comportamentos e oportunidades expostas aoB são de extrema importância para as atividades de consumo do indivíduo. As várias barreiras e incentivos à aculturação do consumidor podem estar relacionados a duas culturas, ou seja, a cultura de origem e a nova cultura encontrada. Com base na discussão acima, a seguinte perspectiva pode ser introduzida.

A Figura 1 deve ser lida como segue. Barreiras e incentivos são construções hipotéticas. Uma variedade de fatores relacionados à cultura de origem e à nova cultura encontrada podem ser percebidos como barreiras e incentivos para o indivíduo em seu processo de aculturação de consumo, influenciando na quantidade, aspectos e velocidade de aculturação das atividades de consumo. Características do contato com a nova cultura, como duração, intensidade e qualidade, podem modificar o efeito dos diversos incentivos e barreiras.

Fatores De Influência e Proposições

Nosso próximo passo é identificar várias classes de elementos culturais relacionados [Observe a largura dos "elementos culturais" abrangendo valores culturais aprendidos, atitudes, conhecimento, comportamento, bem como o contexto, incluindo instituições, ambientes sociais e assim por diante em que o indivíduo está incorporado, onde seu aprendizado cultural é moldado.], e discuta como tais elementos mediados através do indivíduo podem ser relacionadas às construções hipotéticas e subsequente aculturação do consumidor. Também deve ser observado que são as diferenças de cultura que podem levar a mudanças em elementos de cultura aprendidos anteriormente e causar aculturação do consumidor. A seguir, procedemos considerando primeiro questões culturais mais amplas e, em seguida, enfocando aspectos mais específicos e sua relevância para a aculturação do consumidor. Os fatores a serem discutidos são agrupados da seguinte forma:

B Características culturais; ou seja, aspectos que caracterizam as culturas como um todo;

B Elementos estruturais; ou seja, aspectos mais estáveis (permanentes) do contexto cultural que influenciam o indivíduo;

B Linguagem e símbolos; ou seja, aspectos básicos da aprendizagem cultural;

B Valores culturais; isto é, crenças culturais aprendidas pelas quais o indivíduo acha que vale a pena lutar pessoal e socialmente (ver Rokeach, 1968);

B O contexto social (cultural), em que ocorre a socialização e a aprendizagem do consumidor.

B Papéis e situações que ocorrem em contextos socioculturais considerados como influenciadores das atividades de consumo e, portanto, da aculturação do consumidor;

B Alguns correlatos pessoais, presumidos como possuidores de poder descritivo e preditivo para aculturação do consumidor.

Figura 1

Perspectiva De Aculturação Do Consumidor

1. Características culturais

As culturas são caracterizadas e classificadas de várias maneiras. Não pretendemos de forma alguma fazer uma revisão desta literatura, mas nos limitaremos a considerar os seguintes aspectos: prestígio cultural (ou classificação); contexto cultural (alto vs. baixo); distância cultural; e consciência cultural.

a) Pertencer a uma cultura específica confere identidade. Quando confrontado com outras culturas, uma ordem de classificação das culturas pode ser estabelecida. Pertencer a uma cultura pode ser considerado mais atraente do que ser associado a outra. Por exemplo, na virada do século, foi observado entre os imigrantes brancos, por exemplo, da Escandinávia ao vir para a América, a terra da esperança, eles fizeram o possível para esconder sua origem cultural. Eles nunca olharam para trás e tentaram o mais rápido possível se adaptar a esse novo ambiente cultural. Assim, uma lacuna positiva na atratividade percebida entre a nova cultura e a cultura de origem pode ser considerada como uma força intensificadora da aculturação, levando à seguinte proposição:

P1: Quanto mais atraente o novo ambiente cultural for percebido (em comparação com a cultura de origem), mais rapidamente ocorrerá a aculturação e, assim, ocorrerá a aculturação das atividades de consumo.

b) Uma dimensão crucial da cultura é o contexto da comunicação (muitas vezes dicotomizado como "alto" versus "baixo", Hall, 1976). Em contextos culturais baixos, a comunicação é mais explícita, contando com a comunicação verbal explícita e os símbolos. Em contraste, os contextos culturais elevados dependem mais dos aspectos não-verbais "ocultos" da comunicação. O cruzamento de contextos culturais representa mudanças, exigindo uma enorme quantidade de novos conhecimentos para se adaptar. Nosso argumento é que a aculturação ocorrerá mais rapidamente em contextos semelhantes de comunicação do que em tais contextos. Por outro lado, acredita-se que menos tensão envolvida na mudança de um contexto cultural alto para um baixo é maior do que o contrário. Assim, é postulado que:

P2: (a) A aculturação do consumidor ocorrerá mais rapidamente dentro do que entre contextos culturais de comunicação.

(b) A aculturação do consumidor é mais provável de ocorrer quando se muda do alto para o baixo contexto cultural do que quando se muda do baixo para o alto contextos culturais.

Até onde sabemos, nenhuma pesquisa foi conduzida examinando diretamente essas proposições. Por outro lado, nos negócios, parece haver evidências consideráveis de que os empresários de alto contexto cultural se adaptam mais facilmente a ambientes culturais inferiores (por exemplo, japoneses fazendo negócios nos EUA), do que os empresários quando mudam de contextos culturais baixos para altos (por exemplo, americanos lidando com o Japão).

c) Várias tentativas foram feitas para dimensionar culturas de acordo com o grau de similaridade (ou diferença), ou seja, distância cultural (por exemplo, Hofstede, 1984). A distância cultural reflete o grau de diferença. Intuitivamente, quanto mais semelhantes, menos dramáticas são as mudanças para absorver elementos de uma nova cultura. Assim, postulamos que:

P3: Quanto menor a distância entre a nova cultura e a cultura de origem, mais provável e mais rápida será a aculturação do consumidor.

d) Visto em uma perspectiva histórica, a consciência cultural (orgulho) tem aumentado rapidamente nos últimos anos entre as minorias e imigrantes nos EUA, bem como em outros lugares ao redor do mundo. Por exemplo, um estudo realizado entre hispânicos que vivem nos Estados Unidos mostrou que 89% concordaram fortemente com a afirmação: "Devemos transmitir aos nossos filhos o sentimento de pertencer às nossas religiões e tradição nacional" (Yankelovich, Skelly e White, 1981 , p. 16).

Há muito se reconhece que as minorias aculturadas retêm elementos específicos de sua cultura de origem, o que pode ser visto como uma característica do 'cadinho' americano, "ou como recentemente afirmado por Iacocca (1984)". . . Exceto para os índios americanos, somos todos imigrantes ou filhos de imigrantes. Portanto, é importante irmos além dos estereótipos com os quais vivemos. . . . Todas as etnias trouxeram sua cultura, sua música, sua literatura. Eles derreteram na panela americana -. . . mas, de alguma forma, eles também conseguiram manter suas culturas intactas, uma vez que cada uma se esfregou na outra "(p. 356). A consciência cultural (orgulho) diz que é importante conservar elementos específicos da cultura de origem. No que diz respeito à aculturação do consumidor, nós irá propor:

P4: Quanto mais alta a consciência cultural (orgulho) estiver relacionada a atividades / elementos específicos relacionados ao consumo, maior a probabilidade de que esses elementos sejam retidos ao encontrar um novo contexto cultural.

Por exemplo, a comida é importante para o homem, e o significado simbólico atribuído ao preparo e ao consumo da comida varia entre as culturas (cf. Levi-Strauss, 1978). Em muitas culturas atribui-se grande importância à alimentação e aos eventos relacionados à alimentação, o que é facilmente observado entre os imigrantes e filhos de imigrantes, aderindo aos hábitos alimentares adquiridos em suas culturas de origem, não apenas décadas, mas gerações atrás.

2. Elementos Estruturais

Qualquer cultura contém uma variedade de elementos estruturais, influenciando o conteúdo da aprendizagem cultural. Aqui vamos nos concentrar em duas características estruturais, o ambiente de produto / serviço cultural e a estrutura dos canais de informação (mídia).
Jantar promovido pelo SENAC em Campos do Jordão, comida indígena foi harmonizada com Cauim - Proposta de aculturação de Luiz Pagano é festejar a ciência em um novo Brasil multiétnico - Na foto Hildo Sena, Criador do Método Enzimático de Cauim, o chef indígena da etnia Terena Kalymaracaya e Luiz Pagano, criador da cultura Tupi-Pop e do Método de Cauim Japonês "celebrar a cultura é melhor do que impô-la com violência"

a) Um aspecto importante de qualquer cultura é o ambiente de produto / serviço no qual o consumidor está inserido, influenciando a socialização do indivíduo como consumidor (Grunhaug e Venkatesh, 1987). Mudar para outra cultura frequentemente implica mudanças no ambiente do produto / serviço para o indivíduo. O consumidor pode ser confrontado com bens novos e desconhecidos, e muitos dos bens conhecidos não estarão lá. A falta de produtos e serviços conhecidos pode levar à busca e avaliação mais ou menos consciente de alternativas de substituição. Intuitivamente, quanto mais importantes forem os produtos e serviços não mais disponíveis e quanto mais atraentes forem percebidas as alternativas de consumo de substituição (e / ou prática de consumo), maior será a probabilidade de serem adotadas. Daí, as seguintes proposições:

P5: (a) Quanto mais importantes as alternativas de consumo específico adotadas na cultura de origem e não mais disponíveis, mais disposto o indivíduo estará em buscar, avaliar e adotar alternativas de consumo substitutas no novo ambiente cultural, e

(b) quanto mais atraentes forem as novas alternativas de consumo para o consumidor, maior será a probabilidade de essas alternativas serem adotadas. 

O ajuste facilmente observável ao ambiente de produto / serviço americano sugere que as alternativas de consumo estão prontamente disponíveis e que as alternativas são percebidas como atraentes, muitas vezes superiores ao que os recém-chegados estão acostumados (como é frequentemente observado que mesmo quando produtos e serviços de a cultura de origem está disponível, eles são substituídos por alternativas novas para os recém-chegados).

Também deve ser notado que as alternativas de consumo podem ser adquiridas através de diferentes mercados, como "o mercado aberto" (isto é, mercados comercializados) e "mercados fechados" (por exemplo, trocas ocorrendo entre vizinhos, Gr ° nhaug e Dholakia, 1987) . As trocas de mercado aberto (provavelmente) representam uma fração maior da quantidade total de trocas feitas pelos consumidores nos países desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento. Mercados "abertos" são mais fáceis de entrar do que mercados "fechados" (mas muitas vezes outros meios de troca, ou seja, dinheiro versus serviços / produtos pessoais são necessários para operar neste mercado). Portanto, sugerimos que:

c) A aculturação do consumidor estará positivamente relacionada à relativa ocorrência de trocas de mercado aberto na nova cultura enfrentada.

Essa proposição também implica que as atividades de consumo mediadas por meio de trocas de mercado aberto no novo ambiente cultural serão adotadas mais rapidamente do que as atividades de consumo mediadas por meio de mercados não abertos.

P6: (a) Quanto mais exposição e mais acessível for a informação relevante, mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor.

A estrutura da mídia como tal será importante à medida que novas informações se espalharem mais rapidamente e para um público mais amplo por meio da mídia de massa do que por meio da comunicação pessoal. Isso implica que nas sociedades onde relevante [Por relevância significa que o recém-chegado tem acesso e é capaz de fazer uso da mídia.] A mídia de massa desempenha um papel importante, as mudanças ocorrerão mais rapidamente em comparação com as sociedades onde a mídia de massa desempenha um papel menos dominante (cf. Zaltman e Wallendorf, 1983, cap. 5). Portanto, sugerimos que:

(b) Quanto mais dominante for a comunicação da mídia de massa da comunicação total no novo ambiente cultural, mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor (visto que a mídia de massa é relevante para o recém-chegado).

Disto (P6b) também segue que:

(c) As atividades de consumo expostas na comunicação da mídia de massa serão aprendidas e adquiridas mais rapidamente do que as atividades de consumo mediadas principalmente por fontes pessoais de comunicação.

Ao voltarmos nossa atenção para a cena americana, é evidente que a maior atenção é dedicada às marcas na comunicação de marketing de mídia de massa, e menos exposição na mídia de massa é dedicada ao uso, descarte e enfatizando o significado social dos bens, que é principalmente aprendido por meio de experiências , observações e através da comunicação pessoal com outras pessoas. Assim, vamos supor que:

(d) O conhecimento da alternativa e dos atributos da marca é adquirido mais rapidamente em uma nova cultura do que o conhecimento do uso, descarte e significado simbólico de produtos e serviços.

O'Guinn et al. (1986) também fez a seguinte observação interessante:

"A aculturação do consumidor por meio da mídia de massa oferece um caminho mais seguro e menos arriscado do que o contato direto. Não é preciso se preocupar em cometer erros embaraçosos quando não se interagir." (p. 582)

A credibilidade percebida dos vários canais de informação é um fator modificador importante. Como a credibilidade percebida de várias fontes de informação pode variar, propõe-se:

(e) Quanto mais alta for a credibilidade percebida da fonte de comunicação, mais ênfase será dada a essa fonte.

Dessa proposição também segue que, quanto mais credibilidade é atribuída à mídia de massa (em culturas dominadas pela mídia de massa), mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor em tais ambientes.

3. Linguagem e símbolos

O conhecimento cultural é mediado por símbolos, como signos, letras e palavras. Aqui, vamos nos concentrar na linguagem e no significado simbólico das atividades de consumo.

a) As línguas representam o principal meio de comunicação. Compreender totalmente e ter domínio sobre um idioma é um processo de aprendizado que consome muito tempo. Mudar para outra cultura com idioma(s) diferente(s) do(s) idioma(s) usado(s) na cultura de origem representa intuitivamente uma barreira para que ocorra a aculturação. A falta de competências linguísticas no novo ambiente cultural dificulta o acesso a novas informações e a aprendizagem do novo contexto cultural, assim:

Uma vez que o mercado de Cauim exista e tenha se amadurecido por meio da correta aculturação, aldeias e reservas poderiam se beneficiar da comercialização de seu próprio Cauim Industrial - "as aldeias e reservas tem sido fortemente atacadas por grileiros, garimpeiros, madeireros e fazendeiros ilegais - com os recursos financeiros gerados pela venda do Cauim, teriam uma força a mais nessa luta, cada vez mais desigual, contratando advogados e pela própria divulgação de sua cultura, amparado pelo trabalho de sociólogos e embaixadores da própria etnia". 

P7: (a) A aculturação do consumidor ocorrerá mais rapidamente entre os recém-chegados com habilidades linguísticas relevantes do que entre os recém-chegados sem essas habilidades.

E entre os recém-chegados sem as competências linguísticas relevantes para a cultura, segue-se que:

(b) Quanto mais rapidamente as habilidades linguísticas relevantes forem adquiridas, mais rapidamente ocorrerá a aculturação do consumidor (porque a língua está institucionalmente ligada a outras atividades de aculturação).

b) Produtos e serviços transmitem significado simbólico, conforme observado por Levy (1959) em seu reconhecido artigo da Harvard Business Review três décadas atrás, "Symbols for Sale". As atividades de consumo transmitem um significado simbólico. A importância do significado simbólico de atividades e bens materiais para o indivíduo tem sido reconhecida por muito tempo, e pesquisou em disciplinas como antropologia social (por exemplo, Goffman, 1959; Mauss, 1967, 1925) e sociologia (por exemplo, Veblen, 1899), mas tem até recentemente, apenas dedicou modesta atenção à pesquisa de marketing e comportamento do consumidor (ver Wallendorf e Arnold, 1988 para uma excelente revisão dos esforços de pesquisa anteriores). O significado simbólico das atividades de consumo é aprendido em ambientes sociais e variam entre as culturas. Muito desse conhecimento é "pessoal", adquirido por meio de observações, interações e experiências pessoais que não são facilmente transmitidas a outras pessoas (cf. Polanyi, 1958). Entrar em um novo contexto cultural implica que muito do significado simbólico previamente aprendido das atividades de consumo ficará obsoleto. Devido à característica "pessoal" ("tácita") de tal aprendizagem, presume-se que:

P8: (a) O significado simbólico das atividades de consumo é mais difícil de adquirir do que o conhecimento sobre marcas e atributos de marca.

Acredita-se que a aprendizagem do significado simbólico das atividades de consumo (que é um aspecto importante da aculturação do consumidor) ocorrerá em um ritmo mais lento do que a familiarização e adoção de produtos na nova cultura. Embora essa proposição não tenha sido testada diretamente em pesquisas anteriores, diversos estudos revelam que vários grupos de minorias atribuem valores e significados diferentes às atividades de consumo, o que também se reflete na composição de seus padrões de consumo. Disto também segue que:

(b) A aprendizagem do simbolismo do consumo estará positivamente relacionada ao grau de envolvimento em ambientes de consumo social na nova cultura.

Este (P8b) é facilmente observável entre as famílias de imigrantes, onde os jovens, ou seja, os mais envolvidos socialmente na nova cultura, reconhecem mais rapidamente os aspectos simbólicos das atividades de consumo, do que os familiares mais velhos. [A socialização mais rápida entre as crianças também foi reconhecida por levar à pressão dos pais sobre a criança para ser uma "ponte" para os pais na nova cultura (Endicott, 1984); isto é, o que Reisman e Rosenborough (1955) denominaram "socialização reversa".] Deve, entretanto, ser observado como relatado por Belk et al. (1980), que a capacidade de reconhecer os aspectos sociais simbólicos das atividades de consumo é mínima entre os pré-escolares, mas quase totalmente desenvolvida na sexta série, ou seja, provavelmente a idade em que os recém-chegados interagem mais facilmente e mais em um novo contexto cultural, e quando a importância dos pares torna-se mais importante (Coleman, 1961).

4. Valores Culturais

Um aspecto importante de qualquer cultura são os valores mantidos pelos indivíduos incorporados na cultura real. Os valores são aprendidos em contextos culturais; eles são considerados mais estáveis do que as atitudes e significados. Eles podem ser alterados, mas apenas lentamente. O indivíduo possui vários (muitos) valores, todos os quais não são igualmente importantes para ela, e eles orientam o comportamento (cf. Assael, 1984). Além disso, uma quantidade considerável de pesquisas demonstrou que os valores diferem entre as culturas. Os valores de consumo são espelhados nas atividades de consumo. Por exemplo, em um estudo sobre consumo social, Fuat e Dholakia (1982) caracterizaram os valores de consumo nos países ocidentais desenvolvidos como "passivos, individualistas, privados e alienados" (p. 12), em contraste com os valores de consumo em outras culturas enfatizando "atividade , coletividade e união ". Ao retornar ao nosso ponto de partida, ou seja, as diferenças entre a cultura de origem e a nova cultura encontrada, propomos que:

P9: (a) Quanto mais diferentes forem os valores de consumo na cultura de origem e na nova cultura, menor será a probabilidade de ocorrerem mudanças nos valores do consumidor, e

(b) quanto mais importante(es) o(s) valor(es) adquirido(s) na cultura de origem é (são) para o recém-chegado, menor é a probabilidade de ocorrer aculturação do consumidor que implique mudança de valores.

O valor fortemente sustentado entre os grupos de imigrantes, "não comer carne", aparentemente leva à conseqüência de que a maioria dos imigrantes que detém esse valor não faz fila para um "Big Mac". De forma semelhante, o consumo em vão, os valores relacionados ao jejum em horários específicos e à não ingestão de álcool direcionam fortemente o comportamento de consumo dos muçulmanos, mesmo em culturas onde as bebidas alcoólicas são abundantes, socialmente aceitas e usadas de maneira quase ritualística em uma variedade de ambientes sociais .

5. O Contexto Social

Valores e normas são transmitidos no contexto sócio-cultural. Uma extensa pesquisa demonstrou a tremenda importância da família e dos pares na socialização dos indivíduos. A proximidade e a rigidez das relações sociais são importantes para a aprendizagem social, aplicação e internalização das normas. A família é considerada o principal agente de influência dos hispânicos (cf. Guernica, 1982; Hoyer e Despande, 1982) e japoneses (Shigaki, 1983) que vivem nos Estados Unidos. A importância das influências familiares é provavelmente maior nessas culturas (hispânica e japonesa) do que as influências familiares na cultura americana, indicando que as normas e valores tradicionais são mais firmemente defendidos entre mexicanos e japoneses do que entre os americanos. A importância das relações sociais para a aculturação do consumidor pode ser afirmada da seguinte forma:

P10: (a) Quanto mais rígida a estrutura social no país de origem, mais os valores, normas, expectativas e comportamento aprendidos exercerão influência sobre o indivíduo, levando à dissuasão da aculturação em conflito com valores de consumo aprendidos anteriormente, normas, expectativas e comportamento.

Freqüentemente, o recém-chegado (o imigrante) encontrará membros de sua cultura de origem na nova cultura. Por exemplo, a inspeção das estatísticas de imigração mostra que mais de 18% dos 61.000 imigrantes mexicanos legais que vieram para os EUA em 1985 se estabeleceram nas áreas metropolitanas de Los Angeles e San Diego, enquanto apenas 0,7% desses imigrantes foram para New Iorque. Em contraste, quase 49% dos imigrantes jamaicanos se estabeleceram na área de Nova York (Bureau of Census 1987, tabela 32). Conhecer pessoas da própria cultura provavelmente tornará a imigração menos estressante, mas também pode influenciar a aculturação do consumidor. A existência de uma "massa crítica" de membros da cultura de origem no novo ambiente, implica que muitos dos valores, normas e comportamentos aprendidos anteriormente ainda são válidos, assim:

(b) A existência de uma "massa crítica" de membros da cultura de origem no novo contexto cultural diminui a probabilidade de aculturação do consumidor (para atividades de consumo diferentes daquelas na cultura de origem onde estas ainda são realizadas entre os "massa crítica" na nova cultura).

A existência de comunidades de imigrantes nos EUA, como Chinatown (em várias cidades) e Little Italy, onde as línguas dos imigrantes são faladas e a vida é vivida da mesma forma que em sua terra natal, claramente corrobora essa proposição. O trecho a seguir ilustra esse ponto:

"Muitas das crianças latinas tendem a se falar em espanhol, enquanto as crianças asiáticas falam inglês entre si com a mesma frequência de sua língua nativa. Isso porque todas as crianças hispânicas, sejam do México, Peru, Honduras ou de qualquer outro lugar, podem falam aquele mesmo idioma, o espanhol ", explicou Blazey." Mas as crianças asiáticas podem vir do Vietnã, do Camboja ou de outro país, e cada um desses países tem um idioma diferente. Elas precisam falar inglês para se comunicarem. (Los Angeles Times, 17 de julho de 1989, p.7)

6. Funções e situações

a) O indivíduo desempenha uma variedade de papéis na vida cotidiana (cf. Goffman, 1959). A representação de papéis (como no palco) está relacionada às expectativas e ao desempenho das atividades. Ao entrar em uma nova cultura, novos papéis precisam ser aprendidos, e o indivíduo também pode atender a novas demandas de papéis aprendidos anteriormente. O aprendizado de novos papéis e demandas de papéis frequentemente terá implicações para a aculturação do consumidor. Por exemplo, conseguir um emprego na nova cultura pode exigir uma nova maneira de se vestir, comer em horários diferentes e assim por diante. Propomos que:

P11: (a) Novos papéis e demandas de papéis envolvendo atividades de consumo irão forçar a aculturação do consumidor (relacionado a esses papéis); e

(b) quanto mais central (a) essa (s) função (ões) é (são) para o recém-chegado, mais rapidamente ocorrerá a aculturação das atividades de consumo relevantes para o papel.

b) A importância das influências situacionais no comportamento do consumidor há muito é reconhecida na pesquisa do consumidor (por exemplo, Belk, 1975). As situações de consumo são múltiplas e podem ser classificadas de várias maneiras. Aspectos situacionais importantes para a aculturação do consumidor estão relacionados à extensão em que ocorrem na presença de membros da nova cultura e à pressão social para se comportar como esperado nessas situações (cf. Asch, 1953). Daqui se segue:

P12: (a) Situações envolvendo atividades de consumo na presença de membros da nova cultura, irão forçar a adoção (aculturação) de atividades de consumo em tais situações, e

(b) tal aculturação situacional do consumidor será positivamente relacionada à importância percebida da situação e à importância percebida de se conformar.

O seguinte trecho de uma entrevista com um gerente japonês ilustra elementos das proposições acima:

"... Ele aprendeu rapidamente como superar a lacuna desconfortável entre a sociedade japonesa e americana ... Katashiba atende por Ken e decora sua casa no estilo ocidental. Em casa, sua família fala apenas japonês e come principalmente arroz e peixe. . " (USA Today, 15 de julho de 1988, p. 2B).

7. Alguns correlatos pessoais

Vários fatores pessoais foram examinados em pesquisas anteriores sobre aculturação (cf. Padilla, 1980; Berry, 1980) e socialização do consumidor (ver Moschis, 1986 para uma visão geral das descobertas). Aqui vamos nos concentrar na motivação, aprendizagem (estoque de conhecimento), educação, idade e sexo.

a) Motivação refere-se ao processo de fatores (motivos) que influenciam as pessoas a agirem. Existem várias teorias de motivação. A teoria de McClelland (1970) das necessidades sociais aprendidas para realização sugere, por exemplo;

P13: Quanto maiores as necessidades de realização e afiliação, maior a probabilidade de que a aculturação das atividades de consumo ocorra em novos contextos culturais e mais rapidamente essa aculturação ocorrerá.

Esta proposição é consistente com a observação de que imigrantes com objetivos específicos em mente, por exemplo, obter uma educação ou fazer carreira em negócios, adquirem mais rapidamente habilidades relevantes, como língua e modos de negócios, do que os outros.

b) A capacidade de aprendizagem do indivíduo é importante para a aculturação do consumidor. Um aspecto importante da aprendizagem é o estoque de conhecimento possuído pelo indivíduo. Pesquisas anteriores demonstraram que o estoque de conhecimento dos imigrantes e os comportamentos culturais aprendidos com a socialização anterior afetam a aculturação do consumidor, por ex. quais bens e em que prioridade eles são adotados, conforme refletido em seus padrões de gastos (Reid, 1986). Uma explicação é que o conhecimento prévio serve como uma referência de acordo com a qual o novo ambiente de consumo é comparado, e que as mudanças (ou seja, aculturação) ocorrerão de acordo com as barreiras percebidas (custo da mudança) e incentivos para mudar conforme enfatizado acima (cf. Figura 1).

c) A educação foi considerada o principal determinante da aculturação em pesquisas anteriores (cf. Padilla, 1980; Berry, 1980). O'Guinn e Meyer (1983/84) também observaram que os imigrantes hispânicos que preferiam o rádio e a TV em espanhol e que falavam espanhol em casa tinham menos escolaridade em comparação com aqueles (hispânicos) que preferiam a mídia e o idioma inglês. A educação, por si só, implica treinamento formal enfatizando a representação simbólica e a resolução de problemas. O próprio processo educacional também representa uma importante fonte de socialização, enfatizando a abertura, novos conceitos e mudanças. Assim, o treinamento educacional torna o indivíduo mais capaz e motivado para a mudança, conforme repetidamente demonstrado na literatura sobre a adoção de inovações (ver Rogers, 1983). Assim, sugerimos que:

P14: A quantidade e a velocidade da aculturação do consumidor serão positivamente correlacionadas com o nível de educação formal.

d) Estudos anteriores sobre aculturação mostraram que os jovens se adaptam mais rapidamente aos novos ambientes culturais (cf. Padilla, 1980; Berry, 1980). O motivo disso pode ser explicado de várias maneiras. A idade cronológica está relacionada à quantidade e ao conteúdo da aprendizagem anterior. Em muitas sociedades, a idade está negativamente relacionada à educação (ao considerar segmentos maiores da população, devido ao aumento da taxa de educação nas últimas décadas), mas também pode estar negativamente relacionada às oportunidades de aprender novas culturas e positivamente relacionada à quantidade de contato com os membros cultura de origem. A idade pode, portanto, ser concebida como um indicador de vários fatores que podem estar relacionados à aculturação que ocorre em novos contextos culturais.

e) O sexo como um fator no processo de aculturação foi, até certo ponto, enfocado em pesquisas anteriores (ver Padilla, 1980). Um grande corpo de pesquisas demonstrou que mulheres e homens são socializados em diferentes funções; e que as expectativas dos papéis sexuais e o aprendizado de tais papéis variam entre as culturas (e classes sociais). Assim, as expectativas de papel e aprendizagem anteriores (que também podem incluir educação formal, visto que a educação é considerada menos apropriada para mulheres do que homens em muitas culturas) e, portanto, expectativas e oportunidades na nova cultura, podem ser atribuídas a diferenças na aculturação cultural entre os sexos.

Apêndice

A introdução de um novo produto/categoria no mercado muitas vezes parece depender mais da intuição do que da ciência. No entanto, neste artigo, meu objetivo é fornecer uma ferramenta numérica simples e eficiente para quantificar o sucesso e a aceitação desses lançamentos.

Em vez de depender apenas de impressões subjetivas, essa abordagem baseia-se em uma fórmula matemática abrangente, proporcionando uma análise determinista dos estágios evolutivos do produto no mercado.

Exemplificando, a Red Bull recebeu nota máxima (9.9), Veuve Clicquot obteve 7.8, Löwenbräu 6.2 e Russk'ìi Razmer 4.2. Utilizando essa fórmula, atribuí notas às introduções em que participei, ampliando minha compreensão dos esforços e resultados empreendidos.

Vamos explorar juntos como essa metodologia pode trazer clareza e precisão para avaliações muitas vezes permeadas por interpretações subjetivas.

Espero que, com as ferramentas propostas, você consiga desenvolver o método de avaliação mais adequado às suas necessidades.

Quão Bem-sucedida está sendo sua Introdução de Produto/Categoria no Mercado


Avaliação Determinista de Introdução no Mercado: Desenvolvimento de um Índice de Aceitação para Novas Bebidas

Em 1995, ao encarar o desafio de lançar o Flash Power, inspiramo-nos no sucesso inicial da Red Bull em 1987. Com um orçamento de $500.000, venderam um milhão de latas no primeiro ano. Esses dados delinearam uma fórmula para passos iniciais de sucesso, guiando nossos esforços na introdução de novos produtos.

Este estudo aprofunda a compreensão da introdução de novos produtos no mercado, destacando nossa especialização em lançamentos. Inspirados pelo impacto global da Red Bull, buscamos extrair lições valiosas para quantificar a maturidade de produtos, considerando especialmente o papel crucial da competição nos estágios iniciais.

Além da relação investimento versus venda, reconhecemos que outros indicadores são vitais para avaliar a aceitação de um novo produto no mercado:

Feedback do Cliente:
Avaliação detalhada das opiniões e feedback dos consumidores é fundamental. Isso inclui a análise de revisões online, pesquisas de satisfação e interações nas redes sociais. Identificar pontos fortes e áreas de melhoria proporciona insights valiosos para ajustes contínuos e aprimoramentos no produto.

Índice de Recompra:
Mais do que uma simples transação inicial, conquistar recompras é crucial. O índice de recompra revela a fidelização do cliente e a consolidação do hábito de consumo. A conquista de clientes que compram o produto pela segunda ou terceira vez indica um nível mais profundo de aceitação e satisfação.

Crescimento da Base de Clientes:
Observar o aumento contínuo na adoção do produto ao longo do tempo é um indicador vital. A expansão da base de clientes não apenas reflete o alcance inicial, mas também sinaliza a capacidade do produto de atrair novos consumidores e manter uma trajetória de crescimento sustentável.

Participação de Mercado:
Reconhecendo a competição como um fator-chave, a participação de mercado é uma métrica crítica. Não apenas a entrada no mercado, mas a capacidade de consolidar uma posição em meio à concorrência é fundamental. A análise do impacto da oferta de produtos concorrentes na aceitação do consumidor é crucial.

Consciência da Marca:
Aumentar a consciência da marca é essencial para o sucesso contínuo. Estratégias de marketing, publicidade e branding são elementos fundamentais para garantir que o produto seja reconhecido e lembrado pelos consumidores, contribuindo para a construção de uma identidade sólida no mercado.

CAC (Custo de Aquisição de Cliente):
A avaliação do CAC oferece insights sobre a eficiência dos esforços de aquisição de clientes. Compreender o custo para adquirir cada novo cliente em relação ao valor que esse cliente gera é crucial para otimizar estratégias de marketing e garantir uma abordagem sustentável para expandir a base de consumidores.

Retenção de Clientes:
Além das recompras, a capacidade de manter clientes ao longo do tempo é essencial. A análise da retenção de clientes inclui o acompanhamento do engajamento contínuo, feedback pós-compra e estratégias de fidelização para garantir que os consumidores permaneçam leais ao produto.

Inovação Contínua:
Adaptar o produto às mudanças nas preferências do mercado é crucial para manter a relevância. A inovação contínua, baseada no feedback contínuo do cliente, permite ajustes e melhorias que mantêm o produto alinhado com as expectativas em evolução dos consumidores. Este processo dinâmico contribui para o sucesso a longo prazo no mercado.

Importância da Concorrência na Introdução de uma Nova Categoria: O Caso do Hidromel

A introdução de uma nova categoria no mercado é intrinsecamente ligada à dinâmica competitiva, desempenhando um papel crucial no sucesso do produto. Tomemos como exemplo o caso do hidromel, uma bebida fermentada à base de mel e água, com raízes na história medieval.

Ao analisar a introdução do hidromel em um cenário fictício, onde apenas uma marca, hidroméis domina o mercado, percebemos desafios distintos. Suponhamos que um consumidor, intrigado pela proposta de uma bebida medieval, experimente o hidromel da marca “A” e não aprecie totalmente o sabor. Nesse caso, a ausência de opções concorrentes poderia levar o consumidor a abandonar o hidromel por completo, optando por alternativas mais familiares, como cerveja.

A introdução de múltiplas marcas de hidromel, como "A", "B" e "C", cria um ambiente competitivo saudável. Se um consumidor não se identificar com a marca "A", ele ainda tem a opção de experimentar as marcas "B" e "C". Essa diversidade de escolhas não apenas aumenta a probabilidade de encontrar um hidromel de preferência, mas também estabelece um cenário onde a aceitação da nova categoria é mais ampla.

Além disso, a competição impulsiona a inovação. Cada marca de hidromel se esforça para diferenciar-se, seja na formulação, embalagem ou estratégias de marketing. Isso não apenas enriquece a experiência do consumidor, mas também eleva o padrão da categoria como um todo. A variedade resultante atende a uma gama mais ampla de preferências, estimulando o crescimento do mercado de hidromel.

Portanto, este exemplo fictício destaca a importância da concorrência na introdução de uma nova categoria, não apenas para oferecer escolhas aos consumidores, mas também para impulsionar a inovação e consolidar o sucesso da categoria no mercado.

Comparação de Categorias:
Ao abordar a introdução de novas categorias, como o Cauim Contemporâneo, que está sendo pesquisado por Luiz Pagano desde 2010 e desenvolvido por Luiz Pagano e Hildo Sena desde 2016, ainda é uma categoria inexistente no mercado. Em contraste com o gin, estabelecido como uma 'modinha' de mercado, torna-se evidente a necessidade de estratégias distintas de avaliação e medição.

Enquanto um gin de qualidade, com uma embalagem atraente, ao preço de R$ 20,00, seguramente tem espaço praticamente garantido no mercado, com vendas recorrentes, sem necessidade mesmo de uma equipe comercial visitando o cliente regularmente, o Cauim Contemporâneo, uma categoria ainda inexistente no mercado, demanda um esforço inicial forte e constante, um 'trabalho de formiguinha'. Muito treinamento e eventos marcantes extraordinários são fundamentais, onde o cliente é visitado regularmente, o monitoramento da introdução é feito de perto pela equipe comercial, avaliando desvios e corrigindo em tempo hábil, e um trabalho consecutivo de esforço para concretizar a categoria e marca na mente do consumidor. Isso visa criar consumidores iniciais, multiplicadores e eventualmente estabelecer hábitos de consumo.

Motivadores de Aceitação:
A fórmula proposta leva em consideração a interação complexa entre diversos fatores que impulsionam a aceitação de mercado. Investimentos iniciais substanciais podem acelerar a adoção, mas o envolvimento do cliente e a criação de uma narrativa convincente são fundamentais, especialmente para categorias inovadoras. Analisar o desempenho de vendas ao longo do tempo e calcular o retorno sobre o investimento oferece insights críticos sobre a eficácia das estratégias adotadas.

1- Relação Investimento x Vendas:

Aplicabilidade Prática:

Demonstramos a aplicação prática dessa metodologia ao traçar a jornada desde a introdução até a maturidade de produtos específicos. Esta abordagem busca não apenas medir, mas compreender os estágios evolutivos das bebidas no mercado, proporcionando aos stakeholders uma visão mais holística e embasada para tomadas de decisão.

Em resumo, ao estabelecer parâmetros quantificáveis, a fórmula proposta contribui para uma abordagem mais estruturada, permitindo uma avaliação precisa e objetiva do sucesso e aceitação de novas bebidas, antes suscetíveis a análises subjetivas.

A fórmula proposta visa quantificar o nível de aceitação de mercado de uma nova bebida, levando em consideração várias métricas e condições. O índice evolui ao longo do tempo à medida que o produto progride por diferentes estágios, refletindo sua jornada desde a introdução até a maturidade.

Componentes da Fórmula:

O índice inicia em 0 e aumenta para 1 após o início dos esforços de marketing e vendas, coincidindo com a primeira venda. Nenhum produto poderá ter valores de 0. Uma pontuação na faixa de 7.0 e 9.9 indica que o produto já está maduro no mercado, e o produto jamais atingirá nota 10, pois não existe produto que não demande esforços de vendas. A nota será proporcional ao grau de investimento, utilizando como modelo de sucesso o primeiro ano da Red Bull.

Objetivo Clarificado:

Estabelecemos claramente o objetivo da fórmula: criar um índice que quantifique a aceitação de uma bebida no mercado, desde a introdução até a maturidade.

Identificação de Fatores Chave:

Identificamos fatores críticos como investimentos iniciais, engajamento do cliente, volume de vendas e retorno sobre o investimento.

Definição de Critérios de Pontuação:

Associamos critérios específicos de pontuação a cada fator identificado, proporcionando uma base objetiva.

Inclusão de Dinamismo Temporal:

Reconhecemos a evolução temporal do sucesso de um produto, incorporando dinâmicas relacionadas ao tempo de mercado e ao desempenho de vendas.

Consideração de Retorno sobre Investimento:

Incluímos o critério de retorno sobre o investimento (95.5% maior que o orçamento) para refletir a importância financeira na determinação da maturidade do produto.

Teste e Ajuste:

Conduzimos testes específicos, como o exemplo da Red Bull, e implementamos ajustes para garantir precisão nos resultados.

Versatilidade e Aplicação Global:

Projetamos a fórmula para ser adaptável globalmente, considerando variações em práticas de mercado, comportamento do consumidor e tendências regionais.

Documentação e Comunicação:

Documentamos claramente todo o processo para garantir uma comunicação eficaz da fórmula e seus fundamentos.


No Excel ficaria

=MAX(1,MIN(9.9,-1*(9-8/LOG(50)*LOG((V/(I/500))+1))))

Sendo:
 
V - Vendas
I - Investimentos
N - Nota de Aceitação para Novas Bebidas

O Caso determinante: Red Bull (1987-1988):

Utilizando o exemplo da Red Bull, que obteve um investimento inicial de ATS 500.000 e vendeu um milhão de latas no primeiro ano ao preço de 7,50 xelins austríacos, totalizando ATS 10.320.000, consideramos que, nesse caso, a Red Bull alcançou uma nota de 9.9 no primeiro ano, evidenciando a eficácia da fórmula na avaliação do sucesso na introdução de uma nova categoria de bebidas.

Como disse no inicio do texto, uso o caso da Red Bull como exemplo de introdução de categoria mais bem sucedida de mercado, no qual com um investimento inicial de ATS 500.000 (xelim austríaco) no primeiro ano, vendeu um milhão de latas vendidas ao preço estimado de 7,50 xelins austríacos, resultando num total de ATS 10.320.000,00.

Considero que nesse caso, a Red Bull, por exemplo, de 1987 para 1988, no seu primeiro ano obteve nota 9.9

2- Relação Investimento x Vendas: O Exemplo da Palinka

Ao analisar a introdução da bebida Palinka, uma novidade recente no cenário brasileiro, evidenciamos um investimento inicial de R$60.000,00 e vendas no primeiro ano atingindo R$97.254,00 Embora a relação investimento x venda tenha demonstrado uma performance inicial sólida, é crucial considerar a natureza recente da categoria no Brasil.

Para esse exemplos a fórmula nos dá um N=4.69894.

Essa posição consideravelmente boa para tão pouco investimento se deve à uma presença marcante de descendentes Húngaros e eslavos em regiões próximas a São Paulo, praça dos esforços de introdução. 

Dada a natureza ainda incipiente da categoria de Palinka, é perceptível que a adoção generalizada e a conquista de uma pontuação significativa podem demandar um período mais longo. Estimamos que, com a atual taxa de crescimento, a categoria de Palinka poderá levar de 8 a 10 anos para atingir pontuações superiores a 6 na nossa fórmula de avaliação.

Esta projeção destaca a necessidade de uma abordagem estratégica cuidadosa, envolvendo adaptações nas estratégias de marketing, compreensão aprofundada do público-alvo e consideração atenta à dinâmica competitiva. A paciência e a persistência serão cruciais para consolidar a categoria de Palinka no mercado brasileiro e alcançar níveis mais elevados de aceitação.

Ampliação do Texto: A Liberdade na Avaliação e o Uso Prático em Planilhas Excel

É imperativo ressaltar que a intenção deste documento não é estabelecer regras rígidas, mas sim fornecer uma estrutura flexível para avaliação tendo como base uma métrica que dimensione a relação investimento x vendas. A liberdade é concedida ao leitor para interpretar e aplicar notas, considerando elementos como recorrência de venda e impacto do produto no mercado.

Uma abordagem prática para utilização dessas informações seria a aplicação de uma média simples através de planilhas Excel ou ferramentas similares. Essa metodologia simples permite ao leitor traduzir as análises discutidas neste documento em números tangíveis.

Ao finalizar este trabalho, o objetivo é proporcionar ao leitor números palpáveis e uma base sólida para guiar decisões na introdução de bebidas no mercado. A flexibilidade e adaptabilidade dessa abordagem visam empoderar gestores e empreendedores, permitindo que ajustem a metodologia conforme a realidade específica de cada introdução de produto, proporcionando uma condução mais segura e fundamentada.

Conclusão do Apêndide:

A fórmula apresentada fornece um framework abrangente para avaliar a aceitação de mercado de novas bebidas. Sua incorporação de variáveis dinâmicas possibilita uma avaliação refinada da jornada de um produto, desde a concepção até a maturidade de mercado. À medida que os negócios continuam a evoluir, aprimorar e personalizar essa fórmula pode melhorar sua aplicabilidade em cenários de mercado diversos.


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quarta-feira, 10 de março de 2021

Cauim, Anjo Ismael e a alma coletiva do Brasil

Cachoeira Dourada do Anjo Ismael - desenho de Luiz Pagano - Paulo Wassu Cocal

 “O CAUIM é a bebida da formação da alma coletiva do povo brasileiro, ela já existe no plano astral e você só tem a importante incumbência de trazê-la para o plano dos homens” disse Paulo Wassu Cocal numa consulta espiritual sobre o CAUIM.

Não tenho duvida que o CAUIM tenha um forte aspecto espiritual para o Brasil, comparável ao vinho da eucaristia cristã e o saquê do Xintoísmo Japonês. Más como saber qual papel o CAUIM terá na espiritualidade brasileira? De que forma será usado no rituais? Para qual religião servirá? – Perguntei a ele.

Um privilégio que não poderia se encerrar em mim, precisei mostrar para outros brasileiros, para outras muitas pessoas a riqueza q se esconde nas florestas. Surgiu primeiro no plano espiritual, através da arte. Inspiração da espiritualidade ancestral e sincrética, que mesclou as origens pré Beringia, Ásia e Japão, o estudo do TUPI-ANTIGO, textos de Anchieta, múltiplas viagens, pesquisa com mais de 250 etnias, a criação de arte é até uma caligrafia específica, depois disso, transformar amido em açúcares, a fermentação e por fim, a criação do sabor - tudo pré determinado por espíritos ancestrais.

Segundo Paulo, não preciso ter essas preocupações no momento, pois “o anjo tutelar do Brasil já resolveu todas essas questões no plano astral, muito antes da chegada dos portugueses, e tudo acontecerá em seu próprio bom tempo”. 

Ouvi palavras muito similares em outras consultas com pajés de mais duas outras etnias e em seções espiritas em minha busca. Más quem será esse ‘Anjo Tutelar do Brasil’?

Para responder a essa questão, recorri a literatura e conversas com amigos espiritualizados, bem como membros de algumas aldeias do Brasil. 

Existe no Brasil uma infinidade de cosmologias e entidades, que diferem de etnia para etnia, de aldeia para aldeia, más para minha surpresa, parece haver convergências de idéias e conceitos entre elas. Diferentes doutrinas brasileiras compartilham entidades, como o ‘Pai Tupã’, por exemplo, presente nas tradições indígenas, cristãs de catequização, e até mesmo no kardexismo, no candomblé e na umbanda. Uma outra entidade com essa característica é o Anjo Ismael.

Contos Tupiniquim e Tupinambá antigos parecem mencionar o Anjo Ismael sob o nome de Sumiê, também associado a São Tomé em alguns relatos jesuíticos, um deus de pele branca e cabelos vermelhos (ruivo ou loiro) responsável por levar o conhecimento civilizatório às  tribos de etnias Tupi e cuidar de sua proteção. Sumié também é mencionado em outras etnias, Kupe-ki-kambleg entre os Apinagés, Mairatá, entre os Tapi do Maranhão e Maré entre os Aimorés, sempre descrito como um homem branco, que apareceu a muito tempo atrás, portador de cabelos claros e que veio com importante papel no desenvolvimento civilizatório.

O nome Ismael aparece pela primeira vez como o guardião do Brasil no ano de 1873, numa reunião do grupo de Estudos Espíriticos Confúcio, dirigido por Antônio da Silva Neto e por Francisco Leite de Bittencourt Sampaio. Lá a entidade se revelou dizendo-se guia espiritual do país, com o nome de Ismael e pediu que a doutrina espírita deveria ser abordada com prioridade nos aspectos religiosos, tendo como base os quatro evangelhos.

Caligrafia Tupi-Pop de Luiz Pagano

Carlos Campetti, em sua entrevista na FEB TV dá as primeiras explicações sobre o anjo Ismael, sua importância no Brasil e traça sua origem no livro do Gêneses, capítulo 16. 

Na bíblia Ismael surge como sendo o filho de Abraão com a escrava Hagar, concebido por ordem de Saraí, sua esposa, por ser infértil. Anos mais tarde, Saraí inesperadamente concebe outro filho, Isaac, deteriorando fortemente sua relação com a escrava e seu filho. 

Saraí pede desesperadamente então a Abraão que se livre de Hagar e Ismael, que abatido com o dilema, resolve ter uma conversa com Deus, que por sua vez, o tranquiliza, revelando a ele que Ismael viria a se tornar o líder de uma grande nação estrangeira (o Brasil).

O Ismael bíblico é considerado por estudiosos espíritas como o mesmo descrito pelo espírito Humberto de Campos no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. O anjo teria evoluído espiritualmente e perdido as falhas morais e psicológicas adquiridas a milênios atrás, como é a destinação natural dos espíritos segundo a doutrina. Humberto Campos relata ainda que ele é, atualmente, um dos mais comprometidos trabalhadores do Cristo, consciente do seu papel, que na verdade se iniciara desde sua última encarnação no plano terrestre.

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Quadro do Anjo Ismael na Casa de Chico Xavier - Luiz Pagano e Eurípedes - Dez 2011

Ao final dessa pesquisa, lembrei-me que havia visto uma foto do anjo Ismael na casa de Chico Xavier, numa visita que havia feito ao centro Espirita Prece, em dezembro de 2011. Ao buscar a imagem no aplicativo de fotos, me dei conta de uma incrível ‘coincidência’ – visitei a casa de Chico Xavier no dia 08 de dezembro de 2011 e logo após 3 dias, no dia 11 de dezembro foi quando tive meu primeiro contato com o CAUIM numa aldeia indígena, num episódio que ascendeu minha curiosidade em níveis sem precedentes.

Anjo Ismael e a Família Real, quadro de Alexandra Herman na casa de Chico Xavier


Nessa época, trabalhava na Pernod Ricard e fazia treinamentos por todo o Brasil, aproveitei minha estada em Uberaba para conhecer a casa do homem santo, e lá trabalhei por uma noite como voluntário no refeitório, ajudando Eurípedes, filho adotivo de Chico Xavier a cozinhar e servir para os necessitados. 

Luiz Pagano e Jane na Aldeia Rio Silveiras - Dez 2011

Três dias depois, num domingo, passeava com minha esposa no litoral norte quando resolvemos visitar a reserva indígena Rio Silveiras, dos Guaranis M’byas. Lá compramos artesanato, conversamos com as crianças e eu fiquei super curioso ao saber que estavam fazendo um ritual, ao qual obviamente não fora convidado, numa oca fechada – vi pelas frestas da entrada que tomavam uma bebida, perguntei se podia ver de perto e fui impedido – somente vim a participar de uma cauinágem dois anos depois, e hoje, quase dez anos depois, estou aqui, pronto a lançar o primeiro CAUIM comercial.

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Jornada de Proteção do Anjo Ismael em Tupi Antigo - Texto traduzido por alunos do Professor Eduardo Navarro

Ismael karaibebegûasu ’ytuberápe aîasuk, gûiîepoxy’oka.
Brasil rupikatu, ’ara rupikatu bé aîeekomonhang
Maria abá bykagûere’yma o asoîaboby pupé xe aso’i,
Opá mba’e rasy suí, opá ’angekoaipaba suí bé xe pysyrõmo
Îesu morombo’esara irũnamo tetamaŷsó rupi agûatá,
Tupã opakatu mba’e tetiruã monhanga e’ikatuba’e robaîtîamo ko’yté.

Tradução

Na cachoeira brilhante de Ismael, o grande anjo, eu me banho, tirando minha imundície (me banho e me purifico).
Muito em conformidade com o Brasil, muito em conformidade ao mundo
(me coloco em harmonia com o Brasil é com o mundo,)

A Virgem Maria me cobre com seu manto azul, me protegendo de todas dores e aflições;

Com Jesus, aquele que instrui pessoas, por terras formosas eu caminho, finalmente encontrando D'us, aquele que todas e quaisquer coisas consegue criar.


A Cachoeira Dourada do Anjo Ismael por Luiz Pagano, abaixo os dizeres "Ismael karaibebegûasu ’ytuberápe aîasuk, gûiîepoxy’oka" em Tupi Antigo com caligrafia própria - tradução 'Na cachoeira dourada do Anjo Ismael, me banho e me purifico"

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Fecho esse artigo com a importante mensagem mediúnica que reafirma Ismael na liderança do projeto,  psicografada pelo espírito de Manoel Miranda para mim:

“...o Cauim ratifica a missão específica de Ismael para com o Brasil, assinalada por Jesus, de implementar em nosso país o seu Evangelho e espalhá-lo daqui para o mundo. 

Imerso nesse processo evolutivo, iniciado no momento de sua formação, primeiramente por indígenas, que nos brindaram com o conhecimento da terra, revelado pelo espírito da Mãe Mani Fértil, alimento de dois planos, a posteriori por africanos, povos sedentos da justiça divina, a expressão evoluída das aflições ao conceder o grande perdão e celebrar a grande amizade, e por fim pelo homem das múltiplas pátrias, que ora fez sofrer, por caminhos tortuosos e hora trouxe avanços do ciência, em meio a escravidão e a exploração desmedida.

Reserva Indígena Rio Silveiras Boraceia - SP

Juntos, esses bravos povos se redimem, se unem e revelam a alma da terra, como semelhantes trabalham, cuidam da fauna, da flora e da própria luz natural, no árduo processo de labuta e autoavaliação, rumo a evolução de uma grande nação.

O Cauim surge nesse plano como importante instrumento evolutivo, para formação da alma coletiva do nosso povo, isento de diferenças – É a concretização do caminho espiritual planejado para o Brasil em seu primeiro estágio, pátria do Evangelho, onde o Ser Humano, em constante processo evolutivo, aprenderá pouco-a pouco, a respeitar o meio ambiente, em trabalho harmônico, também a dirimir diferenças. 

O Cauim é a luz do coração, que brilha na essência do ser, que promove as mudanças do tesouro alvo da terra, da mente de D’us na alma dos homens...”. 

quinta-feira, 4 de março de 2021

Dia do Anhangá no Anahngabaú 17 de Julho

 

Celebrações ao deus Anhangá, no Vale do Anhangabaú 
Culturas antigas dos colonizados foram obliteradas pelos colonizadores, mas não foram totalmente esquecidas, é muito comum ver num provo que decide se reinventar e se re-amar, acordar suas crenças e até mesmo o seu idioma, como aconteceu com a língua hebraica, que após ter sido usada por mais de 1700 anos, essencialmente como veículo de expressão literária escrita e de orações,  foi revitalizada e integrada de forma viva e em uso com o restabelecimento do Estado judeu.
Em celebração a nossa cultura original brasileira, caracterização antropomórfica do Deus Anhangá na forma da bela jovem albina de olhos de fogo.

Tendemos a gostar do Halloween e da cultura americana, mas nós temos nossas próprias bruxas para cultuar, por exemplo o Saci…há quem defenda, "o halloween é uma festa antiga, é comemorada há mais de 2.500 anos e surgiu entre os celtas, que acreditavam que no último dia do verão (do hemisfério norte), 31 de outubro, os espíritos dos mortos saiam dos cemitérios para tomar os corpos dos vivos". O costume teria sido levado pelos imigrantes irlandeses para os EUA e incorporado ao All Hallows Even (véspera do Dia de Todos os Santos), dando origem ao Halloween.

São Paulo é a maior e mais prospera capital da America do Sul nos dias de hoje, assim como São Paulo de Piratininga foi centro da Américas antigas, com trilhas que levavam a toda parte do continente, verdadeiras auto estradas para o caminhante que ao ira além do Pico do Jaraguá, os protetores do vale, podiam chegar às lendárias terras do eldorado do Perú, como a mítica trilha do Peabirú.
Tibiriçá e João Ramalho discutem o futuro da Vila de São Paulo de Piratininga sob a magia das estrelas com a montanha sagrada do Inhapuambuçu ao fundo c.1556 - Com a chegada das Ordens Beneditinas, Carmelitas e Franciscanas as tradições ancestrais dos Tupiniquim desaparecem - a  remoção da icônica pedra do Inhapumabuçu representa o esforço de apagar a religião antiga da memória para dr inicio às novas.

No lugar onde hoje temos o Páteo do Collégio, próximo ao povoamento de Tibiriçá,  uma montanha sagrada que dava nome a aldeia, Inhapuambuçu (do Tupi-Antigo i(nh)apu'ãm-busú o grande cume ou y(nh)apu'ãm-busú o grande ponto do rio) mas com a chegada das Ordens Beneditinas, Carmelitas e Franciscanas as tradições ancestrais dos Tupiniquim desapareceram - a  remoção da icônica pedra do Inhapumabuçu representa o esforço de apagar a religião antiga da memória para dr inicio às novas.

No delta de dois importantes rios, o Anhangabaú e o Tamanduateí, temos o que hoje chamamos de triângulo histórico, mas que época era conhecido como o triângulo sagrado. Os nomes em Tupi-Antigo de lugares nessa localidade mostram um pouco de como a cidade era naquele tempo - O próprio nome da cidade, Piratininga que em Tupi significa "peixe seco", revela que os rios eram vivos e tinham muitos peixes, muitos deles morriam nos alagadiços do Carmo (onde é hoje o largo Dom Pedro) secavam ao sol e eram devorados pelas já famosas formigas do Brasil, que por sua vez atraia os belos tamanduás bandeira, daí o nome Tamanduateí ( do Tupi-Antigo tamanduá te y - rio do Tamanduá).

O outro rio ficava num vale que era alimentado pelo córrego do Itororó, que descia da maravilhosa floresta do Ka'a Guatá (hoje conhecida como Avenida Paulista), esse rio que descia por onde é hoje a Avenida 23 de Maio, desembocava no córrego do Anhangabaú, que também tinha uma linda vegetação protegida pelo Anhangá, o deus Tupi das Caças e da natureza.
Tupiniquins de Piratininga observam o lindo e poderosos Deus Anhangá

O Anhangá é comumente retratado como um veado branco, de tamanho atroz, com olhos vermelhos da cor de fogo. Ele é o protetor da natureza e persegue todos aqueles que caçam de forma indiscriminada, desrespeitam a natureza e pune quem caça filhotes ou matrizes que estão nutrindo suas crias e poluem suas águas.

O vale do rio Anhangabaú era sagrado, os habitantes de Piratininga faziam cultos e festas para deixar o deus mais feliz e menos vingativo. Hoje nós não só afogamos o rio do Anhangá, como também nos esquecemos do espírito mor de nossa cidade. Desprezarmos nossas tradições tupiniquins dessa forma é imperdoável!
Essa seria a vista da Praça do Mosteiro de São Bento se a montanha sagrada do Inhapuambuçu ainda existisse. Historiadores discutem a hipótese de que os Franciscanos, Carmelitas e Jesuítas decidiram aterrar esse importante marco religioso da aldeia de Tibiriçá no Triângulo de Piratininga para apagar todo e qualquer vestígio da religião ancestral indígena.

De outubro em diante começa a temporada das chuvas em SP e o D’us Anhangá certamente virá vingar-se daqueles que esconderam seu riu com concreto e asfalto, alagando nossas ruas, derrubando nossas árvores nos carros e casas. Se adotássemos a cultura #TUPIPOP , teríamos comemorações em celebração ao ANHANGÁ no dia do meio ambiente, talvez com uma parada no vale do Anhangabaú.

Xe Anhangá [gué/îu]!
Aîkugûabeté kó temi'u
Aîkugûabeté xe/oré remi'u

FAÇO AQUI UMA CONVOCAÇÃO A TODOS!!

Que tal celebrarmos o dia do Anhangá no DIA 17 DE JULHO, DIA DO PROTETOR DA MATA.

Vamos ao Vale do Anhangabaú em procissão, beber muito Cauim, para acordar e celebrar aquele deus que adormeceu debaixo do asfalto, literalmente coberto pela cultura dos outros, dos colonizadores portugueses.

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TEXTO COMPLEMENTAR

O Curupira, também conhecido como Caipora, Caiçara, Caapora, Anhanga ou Pai-do-mato, todos esses nomes identificam uma entidade da mitologia tupi-guarani, um protetor das matas e dos animais silvestres.é legalmente reconhecido como protetor das nossas matas

Foi através do projeto de lei 558 de 1968, apresentado pela deputada Dulce Salles Cunha Braga, que se propôs o Curupira como símbolo estadual de guardião e protetor das florestas e dos animais que nela vivem. O projeto de lei determinava ainda que o símbolo do Curupira seria difundido nas escolas de graus primário e médio e que a Secretaria da Agricultura e da Educação deveriam tomar as providências no sentido de difundir o Curupira como protetor da flora e fauna. Em 9 de julho de 1970 Dulce reapresentou o projeto de lei, agora com número 40.
Estátua do Curupira no Horto Florestal de São Paulo

Em agosto daquele ano, o deputado Solon Borges dos Reis recomendou que o projeto fosse aprovado pela casa. Entre as justificativas, escreveu que “diariamente nos jornais temos notícias de atos criminosos no sentido de devastar a nossa flora e a fauna, apesar da proteção que o estado oferece. É importante, a fim de pôr paradeiro a esses atos criminosos, educar as nossas crianças, mostrando-lhes os aspectos positivos da preservação forçosa da natureza e da fauna, tão necessárias à vida do homem”.

Em primeiro de setembro de 1970, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou o projeto de lei, que foi promulgada em 11 de setembro de 1970 pelo Governador Roberto Costa de Abreu Sodré instituiu o Curupira com o Símbolo Estadual de Guardião e Protetor das Florestas e dos animais.

A primeira imagem do Curupira no Horto 

Em 21 de setembro de 1970, foi inaugurado pelo governador o monumento ao Curupira no Horto Florestal de São Paulo, atualmente designado Parque Estadual Alberto Löfgren. A estatueta foi doada pelo prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Duarte Nogueira, feita a partir de uma estátua do Curupira existente no bosque Fábio Barreto, naquele município.

domingo, 16 de agosto de 2020

Decisões vs Repercussões - Será que conseguimos curar o mundo do coronavirus sem deixar o planeta ainda mais doente?

Decisões vs Repercussões - Será que conseguimos curar o coronavirus sem deixar o planeta ainda mais doente?
Tente se lembrar de como você aprendeu a jogar xadrez, se você fez como eu fiz, começou criando estratégias particulares para tentar tomar o rei do adversário, bem como proteger suas peças durante o jogo. Pode até ser que esse aprendiz faça um ou outro movimento brilhante, mas a grande maioria deles refletirão sua inexperiência em movimentos ruins e inconsequentes.

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Neste momento, estamos diante de uma crise sem precedentes que exige um modelo de tomada de decisões sem precedentes, assim como o aprendiz de xadrez acima, o mundo inteiro tenta se proteger da contaminação do coronavírus até que se encontre uma cura e/ou vacina, uma das melhores formas de fazer isso é usar máscaras ou outro EPI (equipamento de proteção individual) de plástico. No que diz respeito às máscaras, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, houve um aumento na produção e nas vendas até o momento, que chega a espantosos 20.000%.

É curioso que, diante de um problema sério e sem precedentes, pareçamos negligenciar as repercussões de uma decisão. A solução encontrada no momento parece ser o melhor curso de ação, mas depois mostra-se fraca, com apenas um passo de alcance repercussivo, com consequências mal ou totalmente antecipadas e no final, nos dá pouca ou nenhuma margem para correções de efeitos colaterais.

Por que isso acontece?

O cérebro humano processa 11 milhões de bits de informações sensoriais a cada segundo, mas apenas 40 a 120 delas sobem à mente consciente para serem avaliados e racionalizadas. Nosso cérebro opera com uma quantidade limitada de energia, como qualquer outra entidade na natureza, adotando o curso de ação mais rápido e eficiente, programamos em nossas mentes a antecipação de acontecimentos, a fim de estarmos preparados para eles.

Quando crianças e saíamos de casa, nossas mães falavam: "Leva o agasalho!", mesmo sabendo que eu vivia em um país tropical eu ouvia muito isso. Esse tipo de advertência pode vir da repercussão de várias gerações de mães anteriores à minha, que possivelmente perderam seus filhos inadvertidamente para a hipotermia.

Isso tem suas vantagens, imagine entrar em uma selva e ser forçado a avaliar cada fóton de luz recebido, tentando discernir se existe perigo por trás de cada uma das 20.500 folhas da árvore ao redor como rãs ou insetos venenosos, sem falar em cobras, grandes felinos e outros predadores. Levaria dias antes de darmos nosso primeiro passo e seriamos facilmente devorados por eles.

Quando entramos na tal floresta, nossas mentes optam por avaliar os riscos que podem realmente nos prejudicar, resultantes de informações que podem ter vindo de relatos de sobreviventes ou aprendizagem pessoal de visitas anteriores a essa floresta, reduzindo as dezenas de milhares de avaliações de perigo pertinentes para apenas as 20 mais perigosas deles - como abelhas, cobras e onças (você pode até ser atingido por um meteorito em uma floresta, mas as chances de isso acontecer são tão baixas que não faz parte do 'plano de prevenção de risco mental projetado para essa floresta específica ').

Isso pode ter nos ajudado muito nos tempos pré-históricos, mas com o grande volume de decisões que o mundo moderno nos expõe, essa primitiva tomada de decisão tem se mostrado insuficiente.
Numa escala de 01 à infinito, podemos medir o quanto uma decisão tomada pode repercutir no futuro, onde nível 01, é totalmente inconsequente, gerando toda sorte de acontecimentos indesejados, aumentando exponencialmente para nível 10, uma decisão com certo grau de ponderação, sem grandes efeitos colaterais futuros e uma racionalização determinista (hipotética) na qual todas as contingências foram antecipadas, restando somente efeitos bem desenhados e prosperos, precisamente calculados.

Foram necessários 4,5 bilhões para o homem se destacar dos demais seres vivos graças às recém-adquiridas habilidades lingüísticas, racionais e de planejamento, para ter o papel de protagonista no planeta, porém, ainda nos comportamos como o aprendiz de xadrez citado acima, ainda cometemos erros ingênuos e atrapalhados, que se não forem bem observados, pode levar a sérias repercussões no equilíbrio da vida na Terra.

Às vezes uma ou outra pessoa com percepção acima da média antecipa um ou mais graus de repercussões na tomada de decisão, o que pode nos afastar do cenário de total inconseqüência avançando para sonhado estagio de determinismo integral, (situação hipotética em que todas as contingências são antecipadas, criando perfeitas tomadas de decisão). Infelizmente, nem sempre, essas pessoas estão no circuito oficial dos tomadores de decisão, ou quando estão, não são fortes o suficiente para serem ouvidos, revelando-nos um outro defeito do ser humano que é muito prejudicial na tomada de decisões, as dificuldades psicológicas de lidar com os sentimentos como ego, medo, insegurança no trabalho e arrogância.

Como devemos tomar nossas próximas decisões?

É evidente que já temos algumas ferramentas que nos ajudam a tomar decisões frente a situações complexas e inusitadas. No caso da administração pública, por exemplo, escolhemos o expediente de adotar partidos políticos e criar antecipações de direita, esquerda e centro - isso ajudou muito os políticos de direita identificarem riscos para a hierarquia social, família e a pátria, enquanto os políticos de esquerda a reagem mais eficazmente aos riscos e violações dos direitos dos desfavorecidos na sociedade.

Esse modelo pode ter funcionado no passado, mas como no aforismo do elefante na sala, tomar decisões considerando parte do todo como verdadeira é retrógrado e muito simplista. Precisamos de um modelo mais amplo, democrático e menos auto-serviente do que o atual.

Se combinarmos várias ciências aprendidas até o momento destinadas a um propósito definido, digamos ... administração pública, talvez possamos criar um sistema de avaliação e tomada de decisão mais consistente com o mundo atual:

- Podemos usar as redes sociais e APPs para incluir uma vasta gama de especialistas, com o propósito formular soluções possíveis, abrangendo múltiplos pontos de vista, de especialistas de vários setores, com opiniões de pessoas qualificadas, criando um 'ambiente de ampla participação - wiki', aumentando estatisticamente o número e a qualidade de soluções finais possíveis;

- Sistemas de inteligência artificial combinados com um banco de dados histórico de tomadas de decisão anteriores, somados às múltiplas soluções obtidas na proposição acima, poderiam testar alternativas em milissegundos e nos dar resultados de eventos em vários níveis, antecipando não apenas dois ou três, mas múltiplos previsões de repercussões;

- Os psicólogos poderiam avaliar e monitorar os tomadores de decisão final, criando um painel mais abrangente e menos contaminado com o vies do gosto pessoal, para que tomem decisões que efetivamente melhorem a comunidade;

Se agirmos rapidamente, e usarmos um pouco mais de nossas capacidades civilizatórias, ainda podemos ter tempo para encontrar uma solução plausível para o desequilíbrio causado pelos resíduos plásticos no planeta, curar a humanidade do coronavírus e ainda gerar um inesperado benefício extra para a vida na Terra.

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sábado, 15 de agosto de 2020

SÃO PAULO - A CAPITAL MUNDIAL DA CALÇADA FEIA

SÃO PAULO - A CAPITAL MUNDIAL DA CALÇADA FEIA

Imagine uma vila que não tivesse uma liderança centralizada, sem prefeito ou alcaide! Agora imagine que essa vila vive nos primórdios da chegada das lâmpadas elétricas, todos ficam entusiasmados com a revolução e decidem colocar luminárias voltadas para a rua, pois assim, todos enxergariam as ruas durante a noite.

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Teríamos um problema aqui e ali, pois sempre tem aqueles que querem se beneficiar da luz sem colocar a mão no bolso, ou aquele outro que, por diversão, gosta de jogar uma pedra para quebrar a lâmpada, são os chamados vândalos, más são casos isolados.

Nesse cenário se justifica então pagar um IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) para a prefeitura, uma administração centralizada, nos dispor esse serviço básico e especifico, descrito por David Hume em 1734 para explicar que, uma vez arrecadado, a prefeitura, deve ser totalmente responsável pelo mobiliário urbano de uso coletivo – No entanto, aqui em São Paulo, nenhum prefeito ou eleitor desde os anos 50 ouviu falar dele...

Não estamos cogitando nem a hipótese de trocar as calçadas e as luminárias existentes, somente a mera manutenção bastaria, será que é tão caro assim?

Em 1927, a São Paulo Tramway, Light and Power Company Ltda, simplesmente chamada de LIGHT pelos paulistanos, assinou um contrato com a prefeitura e o governo estadual para reforma da rede de iluminação pública da cidade e belos postes de luz no estilo inglês foram implantados.
Lindos postes da Light tipo 16 

Esses postes da LIGHT, junto com as lindas calçadas com pisos que formam o contorno fronteiriço do estado de São Paulo, logo se transformaram em ícones da cidade.

As lindas luminárias da LIGHT estão se deteriorando em ritmo acelerado e a pergunta que todo mundo que passa por essas ruas faz é "é verdade que a cidade não tem dinheiro para manter esse ponto básico de toda a teoria da arrecadação de impostos?", a resposta é "Sim, mas muito se perde na corrupção e na inépcia".

Esses postes da LIGHT, junto com os belos pavimentos com azulejos que formam o contorno da divisa com o estado de São Paulo, logo se tornaram ícones da cidade. Porém, uma lei inusitada determina que os moradores sejam responsáveis por suas calçadas, causando péssimas repercussões.

Os moradores decidem individualmente como cada calçada deve ser, transformando a cidade em uma feia colcha de retalhos. E como se não bastasse, a manutenção não é feita, os buracos e elevações provocados pelas raízes de árvores e plantas fazem os caóticos mosaicos de fendas e fendas. destroços, Pedregulho.

A ordem e a beleza dos postes, calçadas e outros elementos urbanos têm um papel que vai além de sua finalidade funcional principal; devemos sentir o orgulho de nossos símbolos urbanos. Mas, no caso de São Paulo, representam a falta de cuidado e a ausência da administração pública. Quando um poste de luz ou uma calçada são danificados, o cidadão sente pena de sua própria cidade, isso é ruim de mais.

É a chamada teoria das janelas quebradas "broken windows theory" , um modelo norte-americano de política de segurança pública no combate ao crime, tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, se não forem reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem, inevitavelmente, a condutas criminosas mais graves, em vista do descaso estatal em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se necessária, então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a microcriminalidade ou a macrocriminalidade.

Ao ver uma calçada bem preservada, você se sente apoiado e protegido por sua cidade, inspira cidadania e respeito. Alguém de bom senso e civilidade nunca jogaria papel, bituca de cigarro ou chiclete nessa calçada  - pelo menos a probabilidade estatística de isso acontecer seria muito pequena. Se nos casarmos com uma política de multas e pequenas punições, a situação melhoraria muito.
Não seria melhor ter uma calçada assim? a resposta é SIM - mas aqui em São Paulo os gestores públicos ainda estão em dúvida
Em 24 de janeiro de 2019, o prefeito Bruno Covas promulgou o Decreto nº 58.611, que visa uniformizar as calçadas de São Paulo, essa iniciativa está no caminho certo, mas continuar a responsabilizar total ou parcialmente o morador pela sua manutenção ainda é um dos piores erros que a cidade vem comentando - transferir responsabilidade só porque não tem dinheiro não justifica a violação da principal teoria de arrecadação de imposto municipal x manutenção e benfeitorias urbanas, postulada em 1735.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Itagenemimética a ciência e a arte de aprender com povos ancestrais

Luiz Pagano apresentando o Cauim no Bar Convent de São Paulo - Junho/2019 - 
Nos últimos anos venho dedicando minhas atividades às funções de artista e cientista, principalmente no que se refere ao CAUIM, bebida alcoólica fermentada de mandioca, consumida por mais de 270 etnias indígenas brasileiras, que eu quero trazer para o grande publico na forma de uma bebida industrial, (com garrafa bonita e tudo) produzida com processos sofisticados, com grandes similaridades ao saquê. Essa iniciativa tem o grande propósito de fazer com que sintamos orgulho de sermos brasileiros de origem Tupi - sonho com o dia em que todos nós, brasileiros e/ou estrangeiros, poderemos comer os pratos sofisticados de Alex Atala ou Tiago Castanho harmonizado com Cauim dos Yekuanas ou dos Waurás, embalados na 'Tupi Pop Culture'.

Esse trabalho me fez pesquisar a vida e modos de nossos povos ancestrais de uma maneira única, enxerguei possibilidades variadas de cultura prospera, de boa indole, feliz e completamente amiga da natureza e do planeta.

Talvez não consiga transmitir a grandeza do que sinto em relação ao assunto, mas seguramente isso não me impede de tentar.  Nós somos tão educados na cultura européia, que achamos que esse é o único "idioma cultural" do mundo, mas as coisas começam a mudar e a cultura da floresta começa a se revelar imprescindível para nossa sobrevivência no planeta.

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Em 2015 Davi Kopenawa da etnia Ianomâmi, que tem sido chamado de ‘Dalai Lama da Floresta’, acompanhado por Fiona Watson, Diretora de Pesquisa da ONG Survival International, e especialista mundial em tribos isoladas. deram entrevistas para a imprensa americana e várias palestras em e ao redor de San Francisco, falando sobre o incansável trabalho para proteger a terra de sua tribo na Amazônia, e de como essa experiência pode se aplicar para o mundo.

Não é de hoje que a floresta amazônica tem sido reconhecida como um repositório de serviços ecológicos, não só para as tribos e as comunidades locais, mas também para o resto do mundo. É também a única floresta que nos sobra em termos de tamanho e a diversidade.

Sua continua queima e o aquecimento global se agravam, a saúde das florestas tropicais está intimamente relacionada à saúde do resto do mundo e o impacto do desmatamento na Amazônia continua a desfazer gradualmente os frágeis processos ecológicos que foram refinados ao longo de milhões de anos.

A solução para essa questão de como encontrar o equilíbrio necessário para a sobrevivência da floresta e conseqüentemente do planeta, não pode ser encontrado na ciência em si, mas sim na ciência aliada a questões filosóficas de povos locais, como os Ianomâmis.
Para os Ianomâmi o mundo é dividido em dois grupos de indivíduos, a dos YANOMAMI THËPË (seres humanos, gente) e a dos NAPË (nos, homens brancos, os inimigos os ‘ferozes’)

Os ianomâmis já foram tidos como um povo ‘feroz’ na sensacionalista e atrasada obra Yanomamö: The Fierce People (Yanomamö: O Povo Feroz), de antropólogo americano Napoleon Chagnon, que os descreve como “manhosos, agressivos, e intimidadores” e até hoje é tida como a bíblia do recém graduado de antropologia, levando o resto do mundo a idéias cada vez mais preconceituosas.

O bom é que isso vem mudando com o tempo, e passamos a ouvir cada vez mais a sabedoria do povo da floresta - do ponto de vista Ianomâmi o mundo é dividido em dois grupos de indivíduos, a dos YANOMAMI THËPË (seres humanos, gente) e a dos NAPË (nos, homens brancos, os inimigos os ‘ferozes’).

A floresta não se queima por si só e os rios não se auto-poluem, são os NAPË que o fazem.

A poluição de rios é reflexo de uma postura ativa dos NAPË, se deixarmos de jogar poluentes nos rios Tiete e Pinheiros no perímetro urbano, por exemplo, teríamos os rios limpos em questão de semanas. De fato, nós os NAPË somos proativos em poluir e devastar, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente.

Se perguntarmos a um índio Ianomâmi, o que ele acha do homem branco - NAPË, acabamos por ter vergonha de sua resposta.
Nadar na imensidão dos rios Amazonas e Tocantins me fez entrar em contato espiritual com a cultura YANOMAMI THËPË. O homem branco se considera único e diferente dos outros seres ao seu redor, - Os NAPË vivem sob o conceito de ‘silêncio dos espaços infinitos de Blaise Pascal’, estamos sozinhos, em um monologo. Os Ianomâmis não, eles são capazes de amar e dialogar com tudo e com todos ao seu redor.

De acordo com os índios Ianomâmis, o NAPË, não pensa em nada, não ama a terra, não ama a floresta, tem uma visão egoísta, inconseqüente e de curto prazo. Os conceitos dos Ianomâmis parecem ser muito mais elevados e muitas vezes de difícil concepção para nossa cultura, por isso resolvi classificá-los em grupos:

O conceito de ‘ser vivo’

O ‘ser vivo’ dos Ianomâmis é o que tratamos como ‘gente’, expresso como YANOMAMI THËPË.

O NAPË (homem branco) parece se importar apenas com ele mesmo e em nível secundário, com seus familiares diretos. Esse sentimento tende a diminuir com seus vizinhos e familiares distantes e são quase inexistentes para as outras pessoas do mundo, mas o lado positivo é que ele adota animais de estimação e isso parece ser um pequeno indicio de amor a outros ‘seres vivos’ que não pertença a classificação de Homo sapiens .
Os Ianomâmis são capazes de dialogar com tudo e com todos ao seu redor.

É muito comum ver índias amamentando seu bebe em um dos seios e um macaco, ou outro animal no outro, cena que causa incompreensão e repulsa ao homem branco que a presencia pela primeira vez. Para os índios esses animaizinhos também são ‘gente’ e tem direito ao leite materno, que não é da mulher mas sim da natureza.

Toy Art Yanomami


O homem branco se considera único e diferente dos outros seres ao seu redor, - Os NAPË vivem sob o conceito de ‘silêncio dos espaços infinitos de Blaise Paschoal’, estamos sozinhos, em um monologo. Os Ianomâmis não, eles são capazes de dialogar com tudo e com todos ao seu redor.

Para eles, quase tudo é ‘ser vivo’, ou ‘gente’ – o animal é gente, a planta é gente e até mesmo alguns artefatos também são tidos como gente, e essa ‘gente’ toda jamais deveria ser incomodada, e muito menos ofendida.
É muito comum ver índias amamentando seu bebe em um dos seios e um macaco, ou outro animal no outro, cena que causa incompreensão e repulsa ao homem branco que a presencia pela primeira vez. Para os índios esses animaizinhos também são ‘gente’ e tem direito ao leite materno, que não é da mulher mas sim da natureza.

Para os Ianomâmis, ninguém gosta de ser ofendido e cada vez que isso acontece, o ofendido se manifesta contra o ofensor.

Dessa forma, surgem algumas conseqüências e indagações, tais como:

- O que acontece se matamos um animal para comer? – matar um ser vivo é uma ofensa muito grave, mesmo que este tenha o titulo de YARO (animais de caça). isso não os impede de matar os YARO, mesmo conscientes de que sua morte terá conseqüências.

Eles pensam, “ao matarmos esses seres, aguarde pela reação que pode se manifestar de diversas formas, pode ser pequena indigestão, ou até mesmo na forma do ataque de outros animais do grupo, por exemplo de onças, parceiras do animal morto.

O conceito de ‘propriedade’ 

Nós não temos terra, a terra é que nos tem. A propriedade aos bens físicos é intangível posto que nossa matéria é perecível. Tais posses podem levar ao sofrimento (tal como no budismo).

- a Amazônia é importante pois dela vem o conhecimento que devemos ter para superarmos a crise civilizatória, de degradação do ambiente.

O conceito de ‘Evolução’

Os NAPË estão num estado de evolução inferior aos YANOMAMI THËPË  (os próprios ianomâmis), porem existem seres mais evoluídos, como os YAI, seres da floresta isentos de nome.

É nessa hora que o leitor fica indignado - como eles podem nos achar mais atrasados que eles?

Existem diversas formas de nos fazer ver o quão pouco evoluídos somos em comparação, por exemplo a questão do lixo.

Na natureza, o lixo de qualquer ser vivo se incorpora como utilidade para outro ser vivo (eg.  as fezes de mamíferos viram fertilizantes para plantas, o oxigênio expurgado pela arvore vira o ar que respiramos, etc.). Nós os NAPË, produzimos uma enorme quantidade de lixo que mais prejudica do que ajuda outros seres vivos.

A relação dos YAI com os YANOMAMI THËPË e com os NAPË é a mesma que nos, homens brancos, temos com as amebas.

O homem tem percepção de 4 dimensões, capacidade de raciocinar sobre os acontecimentos ao seu redor, lê livros, constrói pontes e observa as amebas no microscópio. As amebas por sua vez vivem num mundo muito mais limitado, tem diminuta capacidade de percepção que as possibilitam apenas comer formas vivas ao seu redor, não são capazes de ler nem, muito menos de construir pontes.

Os YAI nos observam como nós, homens observamos as amebas, sem que sequer nos demos conta. São infinitamente superiores e transitam por dimensões ainda inconcebíveis para nós.

O conceito de ‘URIHI’ - palavra Ianomâmi para floresta, ecossistema

A palavra yanomami UHIRI designa a floresta tudo que nela habita, com conexões e inter-relações infinitas, IPA URIHI, "minha terra", pode referir-se à região de nascimento ou à região de moradia atual do enunciador. URIHI pode ser, também, o nome do mundo: UHIRI A PREE, "a grande terra-floresta".
Nós os NAPË, somos a única espécie do planeta que produzimos lixo sem que esse entre em equilíbrio com o ecossistema.

A floresta amazônica é a maior região de floresta continua do planeta, corta nove países, corresponde a 60% do território brasileiro, quase 6 milhões de km2. O Rio Amazonas tem 6.800km de extensão, 105km a mais do que o Nilo de acordo com a medição de 2007, nele se encontra 20% da água doce do mundo.

Atualmente 18% da floresta já foi devastada, essa devastação aparece na forma de Pecuária extensiva e de baixa inteligência, propriedade ilegal, garimpo irregular.

Parece pouco mas 1% de área devastada, o mesmo índice de desmatamento em 1975, 60mil km2 é maior do que o estado do Rio de Janeiro ( aprox. 43.000km2).

O Brasil pode ser muito ruim no que diz respeito com o trato com os rios de suas capitais principalmente devido a corrupção e motivos eleitoreiros, mas trabalhos isolados na Amazônia chamam a atenção pela genialidade.

O conceito de Itagenemimética ou itagenemimicry 

Você sabia que os europeus aprenderam o habito de fumar ervas com os índios americanos? Talvez a industria do cigarro tenha sido a primeira a usar do conceito de Itagenemimética (a arte/ciência de aprender com povos indígenas e tradições ancestrais). É importante que se diga que o cigarro que conhecemos hoje, causador de mortes e doenças sofreu uma serie de modificações para pior desde sua adoção inicial ou melhor dizendo, foi sem duvida uma adoção de habito degradativo vinda de nossos ancestrais. Ma a grande maioria dos hábitos que adquiríamos deles no entanto, como dormir em rede, tomar banho todos os dias e beber o guaraná, tem sem mostrando muito saudáveis.

A biomimética* juntamente com a itagenemimética**, são as melhores e mais eficazes ferramentas de aprendizado que nossa civilização pode fazer uso atualmente - quanto ao Itagenemimética, creio que foi eu quem inventou essa palavra numa de minhas palestras, mas faz todo sentido (rsrsr)

O homem civilizado vem se distanciando cada vez mais de seus irmãos que vivem nas tribos, os hábitos degradativos dos civilizados parecem ser muito piores do que o dos indígenas, dispersar plástico no planeta e emitir CO2 são alguns deles.

Os indígenas que conheço dizem que os civilizados são muito burros, nos fazemos coisas que nenhum animal faz, nós defecamos na água que bebemos. É evidente que com o nosso atual nível de desenvolvimento cultural, viver em tribos e abandonar os bens materiais e conquistas que tivemos poderia ser tido como uma involução, no entanto prestamos cada vez mais atenção no que eles tem a nos dizer.

*Biomimética ou biomimética é a imitação de modelos, sistemas e elementos da natureza com o objetivo de resolver problemas humanos complexos (grego: βίος, life e μίμησις, imitação, de μιμεῖσθαι, para imitar, de μῖμος, ator).

**Itagenemimética ou itagenemimicry é a imitação de modelos, sistemas e elementos adotados por comunidades ancestrais ou povos indígenas com o objetivo de resolver problemas humanos complexos (grego: ιθαγενείς, itageneis - povos indígenas e μίμησις, imitação, de μιμεῖσθαι, para imitar , de μῖμος, ator).

Não podemos colocar uma cúpula de proteção sobre a Amazônia

A proteção ambiental só pode acontecer se não se opor as enormes forças econômicas, portanto temos que atribuir valor para floresta em pé, e não desmatada.

Tudo que temos que fazer é usar a inteligência YANOMAMI THËPË para nos guiar. Mais dia, menos dia, as arvores muito velhas caem naturalmente como parte do processo de renovação, parte do ciclo natural da floresta. Se bem monitoradas, essas arvores podem ter suas quedas administradas por agrônomos legais e sua madeira pode ser utilizada com mais inteligência.

Um tronco de uma sumaumeira centenária vale pouco mais de R$10,00 no mercado negro, enquanto que um belo artesanato feito com pouco mais de 50 cm de comprimento da mesma arvore pode chegar a valer R$ 300,00.

Este é um bom exemplo de como transformar uma atitude NAPË em YANOMAMI THËPË
Ciencia aliada a filosofia Yanomami  -  A nossa única saída para salvar o planeta. Um veiculo de baixo impacto em destruição do solo corta uma samaumeira, num processo de renovação inteligente da selva Amazônica.

Creio que o grande fato gerador dos problemas da Amazônia atual foi o PIN, Programa de Integração Nacional, programa de cunho geopolítico criado pelo governo militar brasileiro através do Decreto-Lei Nº1106, de 16 de julho de 1970, assinado pelo Presidente Médici.

Preocupados em perder o vasto território amazônico pela dificuldade de monitorar suas fronteiras, o governo militar propôs realocar as vitimas da improdutividade das regiões de seca nordestina e transformá-los em mão de obra na prospera região amazônica, dessa forma ocupar os vazios demográficos amazônicos, "integrar para não entregar" e "terra sem homens para homens sem terras" foram as palavras de ordem da época.

O PIN teve o maravilhoso mérito de mobilizar o sentimento nacionalista, independentemente de visão política e promover a colonização da Amazônia.

A rodovia Transamazônica foi a ferramenta escolhida por Médici como via de acesso à floresta. Com 4 223 km de comprimento, ligando a cidade de Cabedelo, na Paraíba à Lábrea, no Amazonas, a estrada corta sete estados brasileiros: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas.
Num futuro próximo o sistema agro-florestal poderá ter a ajuda de drones coletores para promover agricultura de baixo impacto ambiental. No sistema agrícola de hoje nós desmatamos as florestas para depois plantar, com o propósito de limpar o terreno e assim, facilitar a entrada das nossas antiquadas maquinas agrícolas - com o advento dos drones coletores não precisaremos mais levar a cabo um processo tão pouco inteligente. 

Ao lado da estrada algumas rotas surgiram, e dessas outras ruas pequenas, ligando as fazendas, comunidades e casas - a chamada espinha de peixe, é a causa para a ocupação irregular e o consequente desmatamento.

O homem do nordeste, em sua grande maioria, junto com outros de outras regiões do Brasil e do mundo, que lá chegaram encontraram grande facilidade em ter cabeças de gado, posto que para se obter a posse da terra eles somente tinham que transformar 50% de suas terras em pastagem.
Um sistema de inteligencia artificial avalia as frutas e hortaliças por meio de sensores bem mais sofisticados que nossos olhos, braços robóticos colhem as frutas e as colocam numa cesta circular, a bordo de um drone coletor.

Hoje existem 60.000.000 cabeças de gado na Amazônia, uma relação de 3 bois para cada habitante da região.

Como mudar a filosofia NAPË em YANOMAMI THËPË?

Nós NAPË olhávamos a floresta como mato não como fazenda, se quisermos plantar algo ali, temos que desmatar para depois plantar, mas índios locais inspiraram um grupo de japoneses a criar os chamados SISTEMAS AGRO-FLORESTAIS.
Hajime Yamada chegou em Tomé-Açú no dia 22 de setembro de 1929, aprendeu com os indígenas a tecnologia do sistema agro-florestal, nós sempre olhamos a floresta como mato não como fazenda (foto: documentário Amazônia Eterna) - nt na caligrafia 永遠のアマゾン - Amazonia Eterna

Um grupo de imigrantes japoneses chegou ao município de Tomé-Açu, no Pará, no fim da década de 1920 com proposta de plantar da pimenta-do-reino, Nos anos 70 com a queda dos preços e epidemias nos pimentais fez com que repensassem seu negocio.

Baseado em antigo conhecimento indígena, eles passaram a cultivar a pimenta-do-reino no mesmo espaço do cacau, bem como com o cupuaçu, mamão, açaí, coco, maracujá, castanha-do-pará, borracha natural e paricá. A praga dos pimentais foi combatida por predadores locais, trazidas pelas outras plantas, em equilíbrio com a natureza.

De lá para cá, o sistema foi aperfeiçoado na base da tentativa e do erro para a escolha das melhores combinações de espécies. Hoje, Tomé-Açu é referência nesse tipo de plantio e a cooperativa acumula diversos prêmios relacionados a empreendedorismo e sustentabilidade.

Além disso, a CAMTA promove e orienta a adoção dos sistemas agro-florestais para agricultura familiar em municípios vizinhos e realiza a comercialização dessa produção, um projeto que atende cerca de mil famílias da região.
Robos de extração de látex funcionam de forma autonoma, abastecidos com a luz do sol. As 'estradas de seringa' (os riscos feitos na casaca das seringueiras) são precisos, pois contam com sofisticados sensores que fazem cálculos precisos para melhor aproveitar a extração. 

A idéia básica desse sistema agro-florestal é realizar o plantio integrado de diferentes espécies vegetais, de tamanho variado, juntas em uma mesma área, formando diversos 'andares' – o processo recebe justamente o nome de agricultura em andares.

O sistema agro-florestal, conhecido dos povos indígenas já a muito tempo, oferece uma série de vantagens como:

- Como gera grande quantidade de matéria orgânica no solo proveniente de diversas culturas, há menos necessidade de adubos e agrotóxicos;

- Essa variedade de nutrientes gera alimentos mais saudáveis;

- A cobertura vegetal abundante também retém a umidade da terra, protege as plantações do Sol e proporciona um ambiente mais agradável para o trabalho no campo;

- O plantio de diversas culturas ao mesmo tempo permite a produção continuada e gera renda durante o ano todo.
Parte importante da filosofia YANOMAMI THËPË é que 'lixo não existe', não podemos jogar nada fora (fora de onde? do planeta?). Isso posto, todos os equipamentos são 100% reciclados para produção de novos equipamentos, substancias que não podem ser utilizadas em outros equipamentos são reintegradas na natureza por compostagem. Todas instalações tem imensas claraboias pois 80% dos equipamentos funcionam com energia solar.

Depois de tanto tempo catequizando nossos índios de acordo com heranças culturais européias, agora  chegou a hora de nos catequizarmos nos moldes do povo da floresta, quem sabe assim poderemos salvar nossas almas e nossas vidas.

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